Depois de uma passagem expressiva pelos cinemas, O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights) já tem data para desembarcar nas plataformas digitais da América do Norte. A produção arrecadou mais de US$ 230 milhões no mundo todo e agora permite que o público reviva, do sofá de casa, a conturbada história de Cathy e Heathcliff.
Além do lançamento online marcado para 31 de março em serviços como Prime Video e Apple TV, o drama dirigido por Emerald Fennell ganhará edições em 4K UHD, Blu-ray e DVD em 5 de maio. Algumas versões físicas trarão comentários em áudio da própria cineasta, oferecendo uma visão de bastidores sobre o processo de adaptação do clássico de Emily Brontë.
Box office robusto e reação polarizada
Com 136 minutos de duração e classificação indicativa para adultos, o longa sustentou um fôlego considerável nas bilheterias internacionais. O montante de US$ 230 milhões transformou a produção num caso à parte para dramas de época recentes, aproximando-a de blockbusters que costumam liderar rankings, como demonstram exemplos recentes de grandes franquias citadas pelo Salada de Cinema.
A recepção, no entanto, dividiu opiniões: a nota de 57% no Rotten Tomatoes por parte dos críticos contrasta com os 76% atribuídos pelo público. Enquanto alguns veículos elogiaram a “química inegável” entre Margot Robbie e Jacob Elordi e os “visuais deslumbrantes” orquestrados por Fennell, outros resumiram a experiência como “ame ou deseje”, reforçando o caráter passional da obra original.
Atuações que sustentam o furor romântico
Margot Robbie assume Catherine Earnshaw com intensidade, oscilando entre doçura e crueldade num piscar de olhos. A atriz, já indicada ao Oscar e ao BAFTA, explora o desespero de uma protagonista que não se encaixa nem na própria classe social, nem nas convenções de seu tempo. Cada gesto sutil — um olhar enviesado, um sorriso interrompido — expõe o conflito interno de Cathy sem precisar verbalizar tudo.
Jacob Elordi, por sua vez, entrega um Heathcliff orgulhoso, ardente e ferido. O ator constrói o personagem a partir de silêncios e explosões repentinas, costurando uma tensão sexual que permeia todo o filme. Quando ambos dividem a tela, a relação de amor e vingança parece inevitável, algo que mesmo vozes detratoras admitiram como o motor da narrativa.
Direção e roteiro de Emerald Fennell: visão cíclica do amor
Responsável pelo roteiro e pela direção, Emerald Fennell adapta o romance de 1847 sem abrir mão da essência sombria criada por Emily Brontë. Segundo a própria cineasta, o ponto de partida foi a ideia de circularidade: “começa onde termina e termina onde começa”. Esse raciocínio se reflete no ritmo, nos cortes que retomam cenas e emoções, e no enquadramento que ecoa a geografia dos charnecos de Yorkshire.
No texto, Fennell preserva diálogos passionais, mas comprime passagens descritivas para valorizar a linguagem corporal dos atores. A fotografia, dominada por tons frios e neblina constante, reforça a atmosfera de isolamento social que atravessa a trama entre 1771 e 1802. A trilha, discreta, pontua explosões emocionais sem ofuscar os silêncios eloquentes — escolha que mantém a tensão até o último frame.
Imagem: Divulgação
Elenco de apoio e detalhes de bastidores
Além da dupla central, o filme reúne nomes de peso: Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes e Ewan Michell. Chau, indicada ao Oscar, traz vulnerabilidade à coadjuvante que serve de contraponto moral a Cathy, enquanto Latif personifica os dilemas de classe que atravessam a história. O conjunto entrega performances coesas, sustentando o enredo mesmo quando o foco retorna aos protagonistas.
A produção conta ainda com Margot Robbie também na cadeira de produtora, ao lado de Tom Ackerley e Josey McNamara. Esse envolvimento direto da estrela principal garante sintonia fina entre a visão artística e as escolhas de marketing, estratégia semelhante à observada em futuros projetos com atrizes de renome, como o suspense que reunirá Kirsten Dunst e Sydney Sweeney em The Housemaid’s Secret.
Vale a pena assistir?
O Morro dos Ventos Uivantes chega ao digital embalado por cifras robustas e opiniões divididas, mas sustentado por atuações magnéticas. Para quem busca um romance de época que não teme o lado sombrio da paixão, a entrega de Robbie e Elordi serve como convite irresistível.
A abordagem estética de Emerald Fennell intensifica a violência emocional do livro, resultando num filme que pode soar extremo para uns e hipnotizante para outros. Ainda assim, a produção oferece material suficiente para estimular discussões sobre classe, gênero e obsessão amorosa.
Com extras comandados pela própria diretora nas edições físicas, o lançamento representa uma oportunidade de mergulhar nos bastidores de uma obra que, mesmo polêmica, reafirma a força atemporal do romance de Brontë.









