“Series Acclimation Mil”, quinto capítulo de Star Trek: Starfleet Academy, chega como uma carta de amor ao passado de Deep Space Nine e, ao mesmo tempo, pavimenta novas trilhas para a franquia no século XXXII. Sob o comando do diretor Larry Teng, o episódio se apoia no elenco jovem, mas encontra força real ao revisitar Benjamin e Jake Sisko, ícones que ainda ecoam oitocentos anos depois.
Escrito por Kirsten Beyer e Tawny Newsome, o roteiro entrelaça mitologia, nostalgia e drama acadêmico sem perder ritmo. A combinação se traduz em uma experiência que agrada tanto quem acompanha o universo desde a década de 1990 quanto o espectador que acaba de desembarcar na série.
Atuações que mantêm a chama de Deep Space Nine
Kerrice Brooks, intérprete da cadete SAM, assume o centro dramático com segurança. Sua busca pelo paradeiro de Sisko funciona como bússola narrativa e, principalmente, como vitrine para uma performance de nuances – ora reverente, ora desesperada por respostas. A jovem atriz dosa emoção e curiosidade de forma natural, evitando caricaturas.
Tawny Newsome, além de corroteirista, entrega uma versão híbrida de Illa Dax que transborda carisma. O texto oferece a ela oportunidade de passear por memórias seculares, e Newsome responde com timing impecável, utilizando inflexões sutis para diferenciar as lembranças das antigas hospedeiras Trill. A interação dela com Brooks fornece as cenas mais calorosas do episódio.
Peso dramático de um Sisko que nunca aparece
A linha narrativa dedicada ao status de “Desaparecido em Ação” do capitão Benjamin Sisko reforça a força simbólica do personagem. A produção opta por mantê-lo fora de quadro, apoiando-se em hologramas, áudios e relatos. É aqui que Avery Brooks, mesmo limitado a voice-over, prova por que continua ancorando emocionalmente a franquia. O timbre grave do ator ainda carrega a mesma autoridade que definia o comandante da estação DS9.
Cirroc Lofton surge por meio de um registro holográfico de Jake Sisko datado de 2408. A breve participação mostra maturidade no tom e evidencia como Lofton preservou a essência calorosa de Jake, agora um escritor veterano relutante em publicar sua obra “Anslem”. O contraste entre o jovem elenco e a voz experiente de Lofton amplia o senso de legado que o episódio deseja construir.
Direção e roteiro: reverência sem estagnação
Larry Teng dirige com câmera ágil pelos corredores da Academia e segura quando a trama exige contemplação, como na visita virtual ao Museu Sisko em Nova Orleans. A montagem intercala flashbacks, projeções holográficas e debates em sala de aula, criando um fluxo que evita a armadilha do excesso de exposição.
O texto de Beyer e Newsome abraça referências canônicas – Guardião da Eternidade, Orb dos Profetas, a barulhenta Launching Pad – mas não transforma o episódio em desfile de easter eggs. Ao contrário, cada detalhe avança a discussão sobre fé, ciência e herança cultural. Para quem curte maratonar produções com forte construção de universo, a sensação é a mesma de descobrir séries escondidas que merecem atenção: camadas inesperadas surgem a cada cena.
Imagem: Divulgação
Saldo técnico reforça imersão no século XXXII
A cenografia usa hologramas em 3D e bibliotecas virtuais para ilustrar a distância temporal que separa os cadetes de seus ídolos do século XXIV. O design do Museu Sisko, por exemplo, mescla arquivos de baseball, uniformes de frota e até uma antiga máquina de escrever, projetando nostalgia em meio a painéis translúcidos.
A trilha de Jeff Russo, parceira frequente da franquia contemporânea, costura temas tradicionais de Star Trek a acordes mais minimalistas, sobretudo nas passagens que envolvem o misticismo dos Profetas. O resultado amplia o ar de contemplação sem sobrecarregar o drama cadete.
Vale a pena assistir?
Para fãs veteranos, Star Trek: Starfleet Academy episódio 5 funciona como ponte afetiva que honra Deep Space Nine e dá novo fôlego a personagens históricos. O respeito ao passado aparece na forma de pequenas revelações sobre a vida de Jake e no cuidado em não reduzir Sisko a mero objeto de adoração.
Já o público que chega agora encontra um capítulo autossuficiente: começa como investigação estudantil, mergulha em dilemas de fé e termina com promessas de expansão narrativa. A química entre Kerrice Brooks e Tawny Newsome, somada ao uso inteligente de participações especiais, confere ritmo leve, quase de filme coming-of-age.
Sem precisar recorrer a cliffhangers artificiais, o episódio reafirma o potencial da série para contar histórias emotivas em escala épica. É o tipo de construção que faz Salada de Cinema apostar em longo alcance para a fase 32nd Century da franquia.




