The Bride! só chega aos cinemas em 6 de março de 2026, mas já mexe com a imaginação de quem ama terror clássico. Dirigido e roteirizado por Maggie Gyllenhaal, o longa aposta em uma abordagem mais ousada que a recente versão de Guillermo del Toro, colocando a criadora Mary Shelley no centro da narrativa.
Além disso, Jessie Buckley assume um triplo desafio ao encarnar Ida, A Noiva e a própria Shelley, enquanto Christian Bale dá vida a um Monstro que prefere ser chamado de Frank. A seguir, o Salada de Cinema destrincha as escolhas de elenco, os tons dramáticos e os caminhos do roteiro.
A reinvenção de Frankenstein sob o olhar de Maggie Gyllenhaal
Gyllenhaal revisita o universo concebido por Shelley, mas subverte a estrutura ao colocar a autora literalmente em cena, “falando do além”, como revelou a diretora à Entertainment Weekly. Diferente do Frankenstein de del Toro, indicado a nove Oscars de 2026 e fiel ao romance original, The Bride! investe na expansão do arco da companheira do Monstro.
No roteiro, Frank sobrevive um século em isolamento até encontrar a cientista Dr. Euphronious (Annette Bening) em Chicago. A missão dele é clara: ganhar companhia. Só que, uma vez reanimada, a Noiva desperta sem memória, adota o nome A Bride e decide aplicar justiça contra quem violenta mulheres. É nessa virada que o filme abraça temas contemporâneos, sem abandonar o horror gótico.
Jessie Buckley assume trio de papéis desafiadores
A atriz irlandesa não apenas interpreta A Bride, mas também Ida — a mulher assassinada antes da experiência — e Mary Shelley. Tal multiplicidade exige sutileza: Ida simboliza a vítima, A Bride representa a fúria insurgente e Shelley serve de consciência metafísica. Buckley, indicada ao Oscar por A Filha Perdida, já provou versatilidade em musicais e dramas intimistas; agora testa seus limites físicos e vocais em um único set.
No set divulgado, a atriz surge em trajes vitorianos esfarrapados, com expressão em branco típica de alguém “recém-nascida” para o horror. Minutos depois, a câmera capta Shelley em um salão iluminado por velas, em contraponto à estética fria do laboratório. Essa dualidade promete complexidade dramática rara em filmes de monstro.
Christian Bale humaniza o Monstro — agora chamado Frank
Se no clássico de 1931 Boris Karloff tornava o Monstro memorável pelo silêncio, Bale aposta no oposto: Frank fala, questiona e até escolhe o próprio nome em homenagem ao criador. O ator galês explora a fisicalidade desequilibrada, mas carrega emoção nos olhos, sugerindo um ser consciente de sua condição.
Imagem: Divulgação
Em entrevista, Bale destacou que Frank “sabe o que é solidão” e enxerga na Noiva seu espelho. Quando ambos fogem após a ressuscitação, inicia-se uma tórrida sequência de crimes que lembram road movies, porém tingidos de sangue. Essa faceta criminal também ecoa em adaptações modernas de ícones do terror, como o Drácula de Luc Besson, que transformou o vampiro em peça de ação frenética.
Elenco de apoio reforça drama e humor macabro
Annette Bening, quatro vezes indicada ao Oscar, encarna a Dr. Euphronious com uma ambiguidade que lembra figuras trágicas da literatura médica. Peter Sarsgaard, marido da diretora, interpreta o detetive que persegue o casal de monstros. Ao lado dele, Penélope Cruz surge como a secretária Myrna, responsável por momentos de alívio cômico, mas também por uma visão empática dos horrores em curso.
Já Jake Gyllenhaal, irmão da cineasta, vive Ronnie Reed, astro fictício de Hollywood que se torna obsessão de Frank durante o longo período de reclusão. Essa camada meta-cinematográfica adiciona comentário sobre celebridade e voyeurismo, elementos que conversam com o clima sombrio de quadrinhos como Batman: The Imposter, onde a linha entre herói e vilão também se desfaz.
The Bride! vale o ingresso?
Com 6 de março de 2026 marcado no calendário, The Bride! apresenta um pacote potente: direção autoral, atuações de peso e subtexto social. Buckley se desdobra em três registros, Bale deixa a caricatura para trás e Maggie Gyllenhaal atualiza Frankenstein sem trair o espírito trágico. Aos fãs de terror, ficção científica e dramas de época, a obra surge como promessa de reinvenção genuína do mito.



