Um dos vampiros mais célebres da literatura volta às telas sob a batuta de Luc Besson e já coleciona elogios. Com lançamento norte-americano marcado para 6 de fevereiro de 2026, Dracula ostenta 72% de aprovação no Rotten Tomatoes, índice respeitável para um terror gótico com ambições de blockbuster.
A produção, que já circula pela Europa desde 2025, soma US$ 5,4 milhões em bilheteria global e reforça a versatilidade de Besson, conhecido por Léon, O Quinto Elemento e Lucy. Agora, o cineasta francês assume roteiro e direção para reinterpretar o clássico de Bram Stoker com foco em emoção, cenários caprichados e personagens mais complexos.
Elenco: química afinada e surpresas no protagonismo
Caleb Landry Jones encarna o vampiro-título com uma combinação rara de fragilidade e ferocidade. Conhecido por papéis intensos em Get Out e Três Anúncios para um Crime, o ator imprime camadas de humanidade ao conde, algo que críticos descreveram como “hipnotizante” e “dolorosamente sincero”. Seu sotaque soturno e gestos contidos afastam o personagem do lugar-comum caricatural, entregando um antagonista cheio de nuances.
Do outro lado, Christoph Waltz surge como um sacerdote decidido a deter a criatura. A dupla funciona graças à entrega física e verbal dos dois intérpretes: olhares repletos de subtexto, silêncios longos e confrontos verbais que colocam fé e desejo em choque constante. O veterano austríaco, vencedor de dois Oscars, utiliza a cadência de voz característica para inverter expectativas, evitando transformar o clérigo em simples caçador.
Entre os coadjuvantes, Zoë Bleu revisita a dualidade Elisabeta/Mina com serenidade trágica; Matilda De Angelis injeta calor mediterrâneo na enigmática Maria. Já Guillaume de Tonquédec e Bertrand-Xavier Corbi preenchem lacunas dramáticas com humor discreto, aliviando a tensão em momentos pontuais.
Direção e roteiro: Luc Besson aposta no melodrama gótico
Besson escreveu o roteiro sozinho, construindo uma trama que segue a jornada do conde atrás da esposa reencarnada depois de seu assassinato brutal. A escolha acentua o tom romântico que atravessa toda a filmografia do diretor — basta lembrar de O Profissional e Valerian. Aqui, o sentimento ganha contornos sombrios: a culpa eterna de Dracula se converte em força motriz para sequências de ação estilizadas, mas sempre amarradas aos conflitos internos.
A narrativa alterna flashbacks e presente sem confundir o público, graças a transições visuais elegantes. Há quem enxergue ecos de outros reboots nostálgicos recentes, como a volta às origens vista em Scream 7; a diferença, aqui, é a recusa em homenagear apenas o terror clássico, preferindo dialogar com romances trágicos e filmes de época.
Aspectos técnicos: cenários teatrais e trilha de Danny Elfman
A direção de arte recebeu aplausos unânimes. Filmado em castelos franceses e vilarejos da Normandia, o longa exibe corredores abarrotados de velas, tapestries puídos e vitrais que filtram a luz para tons sangrentos. A paleta predominante brinca com vermelhos profundos e verdes necrosados, evocando pinturas pré-rafaelitas.
Na fotografia, Besson conta com planos-sequência que acompanham o conde percorrendo salões imensos, enquanto a câmera se esgueira por colunas como se fosse um espectro. O resultado remete à elegância operística de adaptações anteriores, mas com ritmo de thriller moderno.
Complementando o visual, Danny Elfman assina uma trilha que mescla coros litúrgicos a cordas rasgadas. O compositor, veterano de Batman e O Estranho Mundo de Jack, entrega temas que oscilam entre a sedução e a cacofonia, espelhando o conflito entre amor e maldição. Os acordes, por vezes, lembram a tensão melancólica presente em certas faixas de O Fantasma da Ópera, ampliando o clima gótico.
Imagem: Divulgação
Recepção crítica e expectativas de público
Com 72% no Rotten Tomatoes, Dracula de Luc Besson supera a média de muitos remakes recentes e confirma a aposta do estúdio em lançá-lo nos EUA durante a temporada de inverno. As resenhas destacam “profundidade de personagem” e “imagens que desafiam o espectador” como méritos principais.
Entre os revisores, há quem ressalte o domínio de Besson sobre a linguagem do horror romântico, equilibrando violência gráfica e lirismo. Outros chamam atenção para o trabalho de maquiagem, que envelhece o conde de maneira gradativa conforme a culpa o consome. Ainda não há nota do público no Popcornmeter, mas comentários iniciais elogiando a química do elenco indicam boca a boca favorável.
Em termos de bilheteria, França lidera com US$ 5,3 milhões, seguida de Rússia (US$ 12,4 milhões) e Itália (US$ 6,2 milhões). O lançamento em mercados como Espanha, Alemanha e México ampliou a receita durante o segundo semestre de 2025. A chegada aos cinemas norte-americanos deve testar a força mundial da marca Dracula, que já inspirou incontáveis versões desde Nosferatu (1922) até o filme de Francis Ford Coppola em 1992.
Vale lembrar que, recentemente, outros universos clássicos também ganharam nova vida, como aconteceu quando Wil Wheaton retornou ao conto de Stephen King em The Body. A recepção calorosa a essas revisitações sugere apetite do público por narrativas conhecidas, porém contadas com frescor.
Vale a pena assistir?
Para fãs de horror estilizado, Dracula de Luc Besson oferece um espetáculo visual que dialoga com o melodrama clássico sem abrir mão da adrenalina. A performance visceral de Caleb Landry Jones, somada ao antagonismo contido de Christoph Waltz, cria energia magnética em tela. Os cenários góticos e a trilha de Danny Elfman completam a imersão, enquanto o roteiro traz motivações emocionais que justificam cada suspiro de terror.
Se a curiosidade envolver comparações com outras encarnações do vampiro, a produção entrega diferenças suficientes para evitar a sensação de déjà-vu. Quem acompanha o Salada de Cinema sabe que Besson raramente joga pelo seguro; aqui, ele flerta com a tragédia romântica e a ação coreografada ao mesmo tempo. Com pouco mais de duas horas de duração, o longa promete manter a tensão do início ao fim, sustentado por atuações comprometidas e cuidados técnicos acima da média.
Considerando a pontuação robusta no Rotten Tomatoes e o histórico de reimaginações bem-sucedidas em Hollywood, Dracula surge como forte candidato a surpreender o público americano — especialmente aqueles que procuram algo além do susto fácil.









