Começo de mês costuma vir com aquela clássica pergunta: o que assistir agora? Para quem assinou a Paramount+ e ainda não escolheu a próxima maratona, a plataforma guarda joias que passam longe do universo criado por Taylor Sheridan.
Nesta seleção, o Salada de Cinema destaca títulos capazes de prender do primeiro ao último episódio graças a elencos inspirados, roteiros bem construídos e direções que fogem do padrão. Sim, a oferta inclui comédia, drama psicológico e até ação militar — tudo em doses generosas.
Dreaming Whilst Black dá fôlego novo à comédia dramática britânica
Com apenas seis episódios, Dreaming Whilst Black surge como opção certeira para quem busca algo rápido, porém marcante. Criada e protagonizada por Adjani Salmon, a série acompanha Kwabena, um recrutador frustrado que sonha em dirigir filmes. A direção dividida entre Jo Martin e Koby Adom aposta em enquadramentos próximos do rosto do protagonista, ampliando o efeito de claustrofobia que o emprego provoca.
O texto de Salmon, coescrito com Ali Hughes, equilibra humor e crítica social ao racismo estrutural no mercado audiovisual britânico. A química do elenco impressiona; Dani Moseley, por exemplo, transforma a melhor amiga Amy em espelho das ansiedades de Kwabena. Não por acaso, a produção já tem segunda temporada agendada para 20 de fevereiro, o que reforça seu potencial de crescimento dentro do catálogo da Paramount+.
Para quem gosta de séries que usam formato episódico como laboratório de linguagem, o título dialoga com outras produções antológicas celebradas nos últimos anos, como as listadas em sete séries em que cada capítulo é uma obra-prima.
SEAL Team transforma missões militares em drama humano
Lançada em 2017 e concluída em 2024, SEAL Team acumula sete temporadas e 114 episódios — material suficiente para quem pretende passar o mês inteiro em companhia de David Boreanaz e Neil Brown Jr. Embora o argumento deixe clara a adrenalina das operações especiais, o mérito do showrunner Spencer Hudnut está em fazer do cotidiano de soldados o centro da narrativa.
Boreanaz entrega uma interpretação contida, quase minimalista, para Jason Hayes, líder do time Bravo. Nos bastidores, as cenas de combate foram orientadas por ex-militares, garantindo verossimilhança sem transformar a obra em propaganda de armamentos. A direção de fotografia opta por tons queimados, simulando a luz do deserto e contribuindo para a sensação de desgaste físico dos personagens.
Diferente de produções que se perdem em exagero pirotécnico, a série se preocupa em mostrar as consequências psicológicas das missões, tema caro a dramas de guerra que buscam profundidade. O resultado é imersivo e explica os 85% de aprovação do público no Rotten Tomatoes.
Imagem: Divulgação
The Affair analisa infidelidade com lente multifacetada
Exibida originalmente pela Showtime entre 2014 e 2019, The Affair ganhou três Globos de Ouro e continua a ser referência em dramas psicológicos disponíveis na Paramount+. O trunfo dos criadores Sarah Treem e Hagai Levi está em recontar a mesma história sob pontos de vista diferentes. A escolha narrativa dá novo peso às atuações de Dominic West e Ruth Wilson, cujo trabalho corporal muda sutilmente conforme a perspectiva.
Nos bastidores, a direção de Jeff Reiner privilegia planos longos que capturam silêncios incômodos, fundamentais para traduzir culpa e desejo. A trilha sonora de Marcelo Zarvos, por sua vez, fornece camada emocional adicional, sem forçar sentimento onde não há. É série que se encaixa bem na rotina de quem encara maratonas densas, a exemplo de fãs de thrillers que exploram falhas de caráter.
Entre risos e tribunais: Key & Peele e The Good Fight equilibram leveza e crítica
Saltando para a comédia, Key & Peele reúne 55 episódios de esquetes que permanecem atuais. Keegan-Michael Key e Jordan Peele escrevem, protagonizam e dirigem a maioria dos quadros, o que garante unidade estética e rítmica. A dupla satiriza cultura pop, política e, sobretudo, estereótipos raciais, antecipando o olhar crítico que Peele levaria ao cinema em “Corra!”. Para quem curte programas de humor televisivo, a dinâmica lembra o vigor de formatos consagrados como o Saturday Night Live, mas com identidade própria.
Na outra ponta do espectro, The Good Fight assume o posto de drama jurídico mais inventivo do streaming. Robert e Michelle King, criadores também de The Good Wife, ampliam o escopo político e flertam com surrealismo para comentar questões atuais. Christine Baranski retorna como Diane Lockhart, agora arruinada financeiramente após um golpe. Sua performance dialoga com a direção ousada que insere animações explicativas para contextualizar crises institucionais, recurso pouco visto em seriados do gênero.
Cada temporada de The Good Fight varia temas — da ascensão de discursos de ódio às fake news — e mantém roteiro afiado, factor que lhe rendeu 95% no Rotten Tomatoes. Se você procura uma maratona de fim de semana com equilíbrio entre entretenimento e provocação intelectual, as 60 horas do drama cumprem a missão, como reforça nossa lista de séries imperdíveis da Paramount+.
Vale a pena maratonar?
As cinco produções destacadas — de Dreaming Whilst Black a The Good Fight — oferecem variedade de gêneros e, principalmente, atuações que carregam a narrativa nas costas. Ao colocar o foco em personagens bem trabalhados, os criadores evitam que os roteiros escorreguem em clichês. Se a dúvida persistir, vale lembrar que todas mantêm alta aprovação do público e da crítica, tornando a escolha quase livre de risco para o assinante da Paramount+ que busca companhia de qualidade entre 2 e 6 de fevereiro.



