Quase 18 anos depois do lançamento de Wanted – O Procurado, o desejo de ver Angelina Jolie atirando balas que descrevem curvas ainda não foi enterrado. O diretor Timur Bekmambetov voltou a falar publicamente sobre a sequência e, desta vez, deixou claro que o projeto depende unicamente de um fator: o resultado de Mercy, seu novo longa estrelado por Chris Pratt.
O cineasta russo reconhece que o mercado está menos tolerante a apostas caras e, por isso, condiciona a volta de Wesley Gibson e companhia ao apetite do público por seu sci-fi atual. Caso Mercy convença nas bilheterias, Wanted 2 ganha sinal verde; se fracassar, o filme com Jolie deve seguir no limbo.
O impasse de quase duas décadas
Lançado em 2008, Wanted faturou US$ 342 milhões contra um orçamento de US$ 75 milhões, números que normalmente garantem sequência imediata. No entanto, roteiros reescritos à exaustão, escalada de custos e mudança de prioridades no estúdio transformaram a continuação em lenda urbana de Hollywood.
Bekmambetov, o roteirista Derek Haas e o produtor Jim Lemley admitem que o principal entrave sempre foi alinhar a ousadia visual do primeiro longa a um orçamento que faça sentido hoje. A Universal, dona dos direitos, quer um pacote criativo sólido antes de liberar cheques mais robustos, postura comum depois do estouro de despesas no gênero de ação.
Angelina Jolie e James McAvoy: química que ainda rende
Mesmo com participações breves, Angelina Jolie fez da assassina Fox a força motriz de Wanted. A atriz mesclou elegância e brutalidade numa performance que definiu o tom frenético da produção. James McAvoy, por sua vez, transformou o inseguro Wesley Gibson em anti-herói verossímil, evoluindo de funcionário entediado a pistoleiro capaz de detonar um teclado na cara de Chris Pratt.
O retorno de Jolie é o grande atrativo comercial, segundo o próprio diretor. Bekmambetov chama a vencedora do Oscar de “ser humano inacreditável” e admite que deseja vê-la novamente em cenas de ação. A sintonia com McAvoy, aliás, continua sendo apontada pela crítica como ponto alto, similar ao que ocorre em relançamentos de produções focadas em elenco, como Laggies, que voltou ao holofote graças à química entre atores.
Timur Bekmambetov aposta em Mercy para convencer a Universal
Mercy custou cerca de US$ 60 milhões e, segundo projeções iniciais, pode estrear com tímidos US$ 12,6 milhões. O diretor reconhece que esses números são decisivos. A lógica do estúdio é simples: se Bekmambetov atrair público agora, mostrar-se-á capaz de repetir o feito em Wanted 2, cuja conta final deve superar, e muito, o orçamento do filme de 2008.
Imagem: Divulgação
O argumento lembra o que ocorreu com diretores que precisaram provar fôlego em projetos menores antes de ganhar carta branca em franquias maiores, como Taika Waititi ao anunciar um Star Wars de tom mais leve. Bekmambetov aposta que a curiosidade em torno de Chris Pratt, somada ao formato sci-fi, garantirá a escala necessária para convencer a Universal.
Roteiristas buscam história “inacreditável”
Derek Haas e Michael Brandt entregaram vários tratamentos de roteiro. A versão mais elogiada internamente, segundo Haas, “funciona muito bem”, mas ainda precisa se encaixar no orçamento. Bekmambetov fala em trama “inacreditável” e sinaliza que o papel de Chris Pratt, coadjuvante no primeiro filme, pode crescer — detalhe que ajuda a seduzir investidores em busca de rostos populares.
Há, porém, desafios palpáveis. Jolie demonstrou interesse em retornar, mas quer garantir relevância dramática. McAvoy também exige uma narrativa sólida. E Morgan Freeman dificilmente repetirá Mr. Sloan, morto no clímax anterior, o que obriga os roteiristas a criar nova figura de liderança na Fraternidade. A equação precisa respeitar fãs, surpreender novos públicos e, claro, caber no bolso do estúdio.
Vale a pena torcer por Wanted 2?
Do ponto de vista artístico, a sequência traria de volta uma linguagem visual que influenciou diversos filmes de ação modernos, algo que ainda rende discussões acaloradas nas redes. Também resgataria Jolie em um gênero no qual ela sempre se destacou, adicionando valor de mercado ao pacote.
Para o público, o retorno de Wesley e Fox oferece a chance de revisitar um universo onde balas desafiam a física. O interesse se mantém elevado, como prova a frequência com que o título figura em listas de “cult action movies”, inclusive aqui no Salada de Cinema.
Contudo, a decisão final repousa sobre o desempenho de Mercy. Caso a ficção científica não deslanche, Bekmambetov pode ver Wanted 2 adiar-se indefinidamente, cenário já vivido por outras produções que ficaram “na geladeira”, como demonstra o caso do documentário musical The Moment, de recepção morna. Até lá, fãs precisarão de paciência — e de bons números de bilheteria — para enfim testemunhar a continuação sair do papel.









