Fenômeno entre os animes recentes, Jujutsu Kaisen ganhou atenção não só pelas lutas explosivas, mas também pelo trabalho minucioso de direção e pelas performances vocais que elevam o material de Gege Akutami. A segunda temporada consolidou a série como uma das produções mais comentadas do streaming, e a expectativa para os novos episódios já movimenta discussões sobre força, carisma e evolução dos personagens.
Na lista abaixo, reunimos os sete protagonistas principais, do mais fraco ao mais poderoso em termos de habilidade, e observamos como os dubladores, o diretor e o roteirista Hiroshi Seko se unem para potencializar o arco de cada um deles. Afinal, poder bruto ajuda, mas quem conta a história são as vozes e a câmera.
Nobara Kugisaki: a promessa que ainda não estourou
Nobara é apresentada como a combatente de grau 3, dona de um estilo único que envolve martelo, pregos e bonecos de palha. No entanto, seu teto de poder ainda não ficou claro no anime. Quem acompanha a série percebe nas cenas de estúdio a entrega vocal que Kana Hanazawa — voz japonesa da personagem — oferece ao equilibrar arrogância adolescente e fragilidade contida. A direção de Ryohei Takeshita opta por close-ups rápidos sempre que Nobara crava um prego, recurso que amplifica o impacto sonoro e visual de cada golpe.
Mesmo sendo a “mais fraca” do grupo, a jovem mantém a atenção do público graças a cortes precisos de montagem que sublinham sua autoconfiança. Esse contraste faz com que, quando a animação desacelera para mostrar suas dúvidas internas, o momento ganhe dramaticidade. O potencial narrativo de Nobara continua em aberto, e o time criativo parece guardar cartas na manga para a próxima sequência de episódios.
Maki Zenin: força física turbinada pelo Pacto Celestial
Nascida sem energia amaldiçoada, Maki compensou a desvantagem selando um Pacto Celestial que impulsiona suas capacidades atléticas. Saori Hayami dá voz à guerreira com uma tonalidade firme, reforçando a atitude de quem não aceita imposições do clã Zenin. A fotografia escura favorecida por Masataka Akai em muitas cenas casa com o temperamento de Maki, criando um ar quase militar.
Em termos de roteiro, Hiroshi Seko acerta ao contrastar a pressão familiar com momentos de vulnerabilidade silenciosa, uma dinâmica que a edição valoriza ao cortar o som ambiental, deixando apenas a respiração da personagem. Mesmo classificada como grau 4 por politicagem interna, Maki demonstra ter corpo e técnica dignos de grau 2 — opinião compartilhada inclusive por Satoru Gojo em diálogo rápido, porém incisivo.
Megumi Fushiguro: estratégia acima do espetáculo
Quando se trata de Megumi, interpretado por Yuma Uchida, a escolha de direção é esconder o jogo. Embora ele já tenha desbloqueado a Domain Expansion, raramente vemos a técnica em plena forma. Esse suspense é conduzido por cortes que interrompem a ação no exato segundo em que a expansão surge, deixando o espectador em expectativa constante.
O personagem, classificado como grau 2, tem tudo para explodir em próximas temporadas. Até aqui, o roteiro usa Megumi como peça de xadrez que recua para depois avançar de modo decisivo — estratégia reforçada pela trilha sonora contida quando seus shikigamis entram em campo. Em cena, a dublagem equilibra frieza e leve tensão, transmitindo a impressão de que ele raciocina alguns passos à frente do oponente.
Aoi Todo: carisma cômico e pancadaria sem filtro
Aoi Todo, grau 1, combina força hercúlea à personalidade excêntrica. Subaru Kimura injeta humor nas entonações, dando à série um alívio cômico que nunca tira seu peso nas batalhas. Seu ponto alto foi a luta contra Hanami, em dupla com Yuji, sequência dirigida por Chie Nishizawa, na qual cortes rápidos e fluidez de desenho fazem o “Boogie Woogie” — técnica de troca de posições — parecer uma coreografia de dança.
A perda da mão direita durante o Incidente de Shibuya retirou o principal gatilho do Boogie Woogie, e esse detalhe de roteiro ganha ênfase visual quando a câmera foca o membro ausente, pontuando o fim de uma era. Mesmo limitado, Todo ainda exibe força física “injusta”, sustentada por efeitos sonoros secos que sublinham a brutalidade de seus golpes.
Imagem: Divulgação
Yuji Itadori: ímpeto juvenil e resistência sobre-humana
Sem classificação oficial, Yuji Itadori se destaca pela combinação de resistência física acima do normal e potencial latente de energia amaldiçoada. Junya Enoki transmite uma vitalidade quase ingênua, algo reforçado pela direção de Tomomi Kamiya, que posiciona a câmera no nível dos olhos do protagonista, sugerindo proximidade com o público.
O roteiro se apoia nessa empatia para conduzir o espectador por batalhas em crescente dificuldade. Quando Yuji enfrenta espíritos para treinar, a edição utiliza cortes curtos que criam sensação de ritmo acelerado, enquanto a trilha musical evolui conforme ele se fortalece. O fato de permanecer vivo após tantos confrontos é mérito de roteirista e ator, que colaboram para vender a ideia de “garra acima de tudo”.
Yuta Okkotsu: o pacote completo em energia amaldiçoada
Protagonista do filme Jujutsu Kaisen 0, Yuta Okkotsu é dublado por Megumi Ogata e ostenta patamar de Special Grade. Seu laço com o espírito Rika cria dualidade pura: ternura nas falas sussurradas a ela e ferocidade nas ordens de ataque. A direção de Daisuke Tsukushi amplia a tensão desse elo com enquadramentos que encostam a lente no rosto de Yuta quando Rika se manifesta, intensificando a sensação de perigo iminente.
Seko, no roteiro, explora bem a capacidade de cura do personagem — rara entre os colegas — e entrega cenas emotivas que dependem do timing preciso de Ogata para evitar pieguice. O resultado é um protagonista que vibra entre a fragilidade e o poder bruto, construindo jornada pessoal distinta daquela de Yuji.
Satoru Gojo: poder absoluto e o desafio de escrever o invencível
Satoru Gojo é, declaradamente, o mais forte de Jujutsu Kaisen. A voz suave, quase relaxada, de Yuichi Nakamura contrasta com a aura de invencibilidade, coincidência explorada por Ken Takahashi em enquadramentos que isolam Gojo na tela, simbolizando sua distância dos demais. A técnica Limitless, somada ao domínio dos Seis Olhos, torna-o inalcançável, e o anime resolve o “problema” narrativo isolando-o no arco de Shibuya.
Na prática, os roteiristas reconhecem que a mera presença de Gojo desequilibra a balança de poder, e por isso o afastam temporariamente. O efeito visual de “barreira infinita” é traduzido com camadas de luz azul e partículas, recurso que destaca a química entre direção de arte e animação. Mesmo paralisado, Gojo continua a ditar regras, provando que, às vezes, remover o personagem mais popular é a única saída para manter tensão dramática.
Vale a pena assistir Jujutsu Kaisen?
Com direção compartilhada entre nomes como Ryohei Takeshita e Masataka Akai, roteiro de Hiroshi Seko e um elenco que varia de veteranos consagrados a jovens promessas, Jujutsu Kaisen entrega um espetáculo técnico e narrativo que compensa cada cliffhanger. A maneira como técnica de animação, dublagem e trilha se harmonizam garante entretenimento potente tanto para iniciantes quanto para fãs experientes. Para quem acompanha o Salada de Cinema, fica a dica: acompanhar a evolução desses heróis, do mais fraco ao mais forte, não é apenas assistir a cenas de ação, mas testemunhar a sinergia de um time criativo em plena forma.









