À primeira vista, Xamã: O Exorcista Pagão parece ter todos os ingredientes para um sucesso: um cenário exótico, um choque de culturas religiosas e uma reunião de ex-estrelas da série The Vampire Diaries . No entanto, o filme que acaba de chegar à HBO Max é um exemplo clássico de como uma boa premissa pode se perder na execução.
Nós do TaNoStreaming, vimos o filme, e logo de cara, já está escancarado que o filme tenta navegar na onda de “terror folclórico” (como Midsommar ou A Bruxa), mas acaba caindo nos clichês mais datados do gênero de possessão. A obra promete um duelo espiritual, mas entrega um drama familiar morno com sustos previsíveis.
Qual é a história de Xamã: O Exorcista Pagão?
A trama segue Candice (Sara Canning) e Joel (Daniel Gillies), um casal de missionários que viaja para a zona rural do Equador com o objetivo de converter uma comunidade indígena ao cristianismo.
A arrogância de tentar impor uma fé sobre outra logo cobra seu preço. O filho do casal, Elliot, entra em uma caverna sagrada proibida e é possuído por uma entidade antiga e obscura.
O conflito central deveria ser a batalha entre duas visões de mundo: Candice acredita que apenas um exorcismo católico tradicional pode salvar o menino, enquanto os xamãs locais conhecem a verdadeira natureza do mal e os rituais necessários para contê-lo.
O que se segue é uma luta não apenas pela alma da criança, mas pelo controle da narrativa espiritual, onde a ignorância dos estrangeiros coloca todos em perigo mortal.
Análise: Por que o filme é um desperdício?
Eu percebi, alinhado com as críticas mais severas, que o filme falha justamente onde deveria brilhar: no respeito e na exploração da cultura local. O roteiro promete um encontro poderoso entre o catolicismo e o xamanismo, mas acaba entregando uma visão superficial.
Roteiro Confuso: A história não decide se quer ser um drama sobre fé ou um filme de monstro. A tensão entre as duas tradições religiosas é mal resolvida e, muitas vezes, o filme parece favorecer a visão colonizadora, ou então a vilaniza de forma caricata.
Falta de Susto: Para um filme de terror, ele é surpreendentemente manso. Os “jump scares” são telegrafados e a atmosfera de medo nunca se consolida.
Desperdício Cultural: Como bem apontado, o filme desperdiça a oportunidade de mergulhar na rica mitologia equatoriana, usando-a apenas como pano de fundo exótico para o sofrimento de uma família americana.
Onde o filme realmente falha
O maior erro de Xamã: O Exorcista Pagão é não saber que tipo de filme quer ser. Em alguns momentos, tenta discutir fé e colonialismo. Em outros, se comporta como um terror genérico de possessão, sem identidade própria.
A tensão nunca se sustenta. Os sustos são anunciados com antecedência, a trilha sonora exagera nas tentativas de assustar e a atmosfera de medo simplesmente não se estabelece. Para um filme que se vende como terror, ele é surpreendentemente inofensivo.
Há também um desperdício evidente da cultura local. A mitologia equatoriana surge apenas como pano de fundo exótico, sem aprofundamento real. O que poderia ser um diferencial vira apenas cenário, reforçando a sensação de oportunidade perdida.
Elenco e produção
A direção é de Antonio Negret , que tenta trazer um visual cinematográfico para as paisagens do Equador, mas é traído por um roteiro fraco de Daniel Negret.
O grande atrativo para muitos será o elenco, que promove uma reunião de The Vampire Diaries:
Sara Canning (a inesquecível Tia Jenna de TVD) interpreta Candice. Ela se esforça para dar profundidade a uma mãe em desespero, mas a personagem toma decisões frustrantes.
Daniel Gillies (o elegante Elijah Mikaelson de The Originals ) vive Joel. É sempre bom ver Gillies na tela, mas seu talento é subutilizado em um papel que exige pouco de seu carisma habitual.

Jett Klyne (Elliot) faz o papel da criança possuída, um tropo difícil que ele executa com competência, embora sem inovar.
Vale a pena assistir?
Sendo bem direto: Provavelmente não, a menos que você seja um fã incondicional dos atores principais. Eu não recomendo Xamã: O Exorcista Pagão se você procura um terror genuíno ou uma história inteligente sobre choque cultural.
O filme é, infelizmente, uma oportunidade perdida que resulta em uma experiência frustrante e esquecível. Se você gosta da temática de “fé versus paganismo” ou terror no meio da floresta, existem opções muito melhores no catálogo.
Este aqui serve apenas como curiosidade para ver o elenco reunido novamente.
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Critica de Xamã: O Exorcista Pagão
O filme não sabe o que quer ser. Em alguns momentos, tenta discutir fé e colonialismo. Em outros, se comporta como um terror genérico de possessão, sem identidade própria.
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