Fãs de Um Cavaleiro dos Sete Reinos (A Knight of the Seven Kingdoms) ainda vão esperar alguns anos por novos episódios: a segunda temporada já foi aprovada e a terceira é dada como certa na HBO, mas a produção só deve retornar em 2027. Isso abre espaço para mergulhar em outras narrativas que combinam fantasia, contexto histórico e personagens vindos das classes mais baixas.
Selecionamos sete produções pouco badaladas que carregam DNA parecido com o derivado de Game of Thrones. Todas apostam em mundos repletos de intrigas, magia sutil e trajetórias de heróis improváveis. A maratona garante — no mínimo — atuações sólidas, roteiros afiados e direções que exploram o melhor de cada ambientação.
Por que procurar novas séries de fantasia histórica?
Um Cavaleiro dos Sete Reinos parte dos contos Dunk & Egg de George R.R. Martin para retratar plebeus em um universo normalmente dominado por nobres. A primeira temporada adotou tom de baixa fantasia, enxugando elementos sobrenaturais e investindo em humor leve, sem perder a brutalidade característica de Westeros.
As indicações abaixo seguem trilha semelhante. Todas apresentam mundos reconhecíveis, onde magia não ofusca a jornada humana. Além disso, compartilham alto padrão de figurino, fotografia e construção de cena — qualidades que mantêm a audiência presa à tela, algo essencial para quem curte o Salada de Cinema e adora descobrir produções quase esquecidas, como mostra esta lista de séries quase perfeitas.
Sete produções que lembram Um Cavaleiro dos Sete Reinos
- Merlin (2008-2012) – O seriado britânico reimagina a lenda arturiana ao mostrar o jovem mago atuando como escudeiro de Arthur. Tal qual Dunk e Egg, a dupla improvável enfrenta ameaças maiores do que eles, enquanto o servo — Merlin — prova ser o cérebro da operação. A atuação carismática de Colin Morgan sustenta o crescimento da trama, que evolui temporada a temporada.
- Da Vinci’s Demons (2013-2015) – A série da STARZ acompanha Leonardo Da Vinci aos 25 anos, disposto a desafiar o domínio religioso na Florença renascentista. O roteiro de David S. Goyer não se prende a precisão histórica, mas entrega visuais impressionantes que renderam dois Emmy de abertura. O elenco liderado por Tom Riley mantém o ritmo frenético e, assim como em Um Cavaleiro dos Sete Reinos, a direção aposta em cenas de alto impacto.
- Dickinson (2019-2021) – A produção da Apple TV+ narra a juventude da poeta Emily Dickinson com pitadas de realismo mágico. Hailee Steinfeld segura o protagonismo com humor, enquanto cenários e figurinos luxuosos contrastam com a crítica social. A combinação de drama, fantasia e comédia ecoa a leveza inesperada do derivado de Westeros.
- Jonathan Strange & Mr. Norrell (2015) – Minissérie da BBC ambientada nas Guerras Napoleônicas, coloca dois magos britânicos em rota de colisão. A obra, elogiada pelo próprio George R.R. Martin, adapta fielmente o livro de Susanna Clarke, entregando personagens complexos em sete episódios de ritmo enxuto.
- Vikings (2013-2020) – Inspirada na tradição oral escandinava, acompanha Ragnar Lothbrok em busca de novas terras. A narrativa mistura drama histórico e mitologia nórdica de forma quase invisível, refletindo a sutileza fantástica vista em Um Cavaleiro dos Sete Reinos. Travis Fimmel conduz a jornada com presença marcante.
- Carnival Row (2019-2023) – No universo vitoriano da série do Prime Video, fadas refugiadas sofrem preconceito enquanto assassinatos misteriosos se acumulam. Orlando Bloom e Cara Delevingne guiam o enredo, que destaca embates de classe e trilha sonora memorável — dois elementos presentes também no spin-off da HBO.
- Britannia (2018-2021) – A invasão romana à Grã-Bretanha encontra druidas capazes de se comunicar com o submundo. Violência gráfica, política tribal e humor irônico se misturam em três temporadas que lembram a atmosfera sombria, porém irreverente, de Um Cavaleiro dos Sete Reinos.
O que todas têm em comum com o derivado de Game of Thrones
Apesar de ambientações distintas, as sete produções partilham três pilares centrais. Primeiro, a perspectiva popular: heróis são camponeses, aprendizes ou simples soldados, jamais a elite. Segundo, a fantasia é pé no chão, aparecendo como presságios, pequenos feitiços ou lendas locais. Terceiro, a fotografia aposta em cenários medievais ou pré-industriais, reforçando a sensação de realismo.
Outro fator é o cuidado com a trilha musical, elemento decisivo para mergulhar o público em universos densos. De Carnival Row, com composições sombrias, a Jonathan Strange & Mr. Norrell, que usa arranjos clássicos, todas entendem que som é narrativa.
Imagem: Divulgação
Destaques de direção, roteiro e elenco
Em Merlin, a evolução criativa é nítida: conforme os showrunners agregam maturidade à lenda, o elenco segura o tom que oscila entre aventura e drama. Já Da Vinci’s Demons aposta em cenas estilizadas que valorizam a mente inquieta do protagonista, enquanto o roteiro abraça o absurdo sem medo.
Dickinson brilha porque Hailee Steinfeld equilibra vulnerabilidade e rebeldia; a direção de arte, por sua vez, cria quadros quase pictóricos. Jonathan Strange & Mr. Norrell se apoia numa dupla de atores em rota de colisão, potencializada por um texto seco que evita heroísmos fáceis.
Vikings tem Michael Hirst no comando, garantindo pesquisa histórica suficiente para sustentar visões divinas de Ragnar. Carnival Row se destaca pela fotografia carregada, que valoriza o contraste entre a opressão humana e o colorido das fadas. Por fim, Britannia entrega batalhas cruas e humor ácido, mérito do equilíbrio entre direção ousada e elenco afinado.
Vale a pena maratonar?
Se a ideia é ocupar o vácuo deixado por Um Cavaleiro dos Sete Reinos até 2027, qualquer uma das sete apostas cumpre o papel. Todas mantêm foco em personagens fora do trono, temperam realidade com magia discreta e exibem produção caprichada. A chance de encontrar uma nova obsessão — ou, no mínimo, ampliar o repertório de fantasia histórica — é alta.



