É impossível negar o impacto cultural de A Song of Ice and Fire, mas a biblioteca da fantasia guarda tesouros que não ficam devendo nada – e, em muitos casos, entregam ainda mais – à série de George R. R. Martin. Com apenas cinco volumes publicados até agora, a saga iniciada em 1996 dominou as listas de mais vendidos e ganhou adaptação na HBO, aclamada por público e crítica.
Mesmo assim, leitores veteranos apontam outras coleções que superam Westeros em magia, desenvolvimento de personagens e encerramentos satisfatórios. O Salada de Cinema reuniu 11 delas, todas já completas ou com bom número de livros lançados, para quem quer mergulhar em universos igualmente complexos.
Os pilares de A Song of Ice and Fire
Martin se notabilizou pela construção política, por reviravoltas chocantes e por tratar magia de forma contida. Essa combinação cativou milhões, mas também deixou lacunas, incluindo o hiato de mais de uma década desde A Dança dos Dragões (2011). A demora escancarou a busca dos fãs por novas leituras que ofereçam finais já escritos e sistemas de feitiçaria mais definidos.
Enquanto a adaptação televisiva popularizou ainda mais a marca, ela também gerou confusão: muita gente passou a chamar toda a coleção de Game of Thrones. Nada contra, mas existem universos literários que não dependem de telas para brilhar.
O que as novas sagas oferecem de diferente
Boa parte das obras listadas a seguir investe em magia explícita, mitologias próprias e arcos proféticos. Além disso, vários autores mantêm cronogramas de publicação sem longos intervalos, entregando finais fechados – algo que leitores de Martin ainda aguardam.
Outro ponto forte está na diversidade de vozes: de autores russos a escritoras premiadas, cada saga traz perspectivas únicas sobre poder, identidade e o preço da guerra. Um prato cheio para quem adora maratonar histórias densas e, depois, discutir qual senta no trono das favoritas, assim como fazemos com as séries que todo mundo considera imbatíveis.
Imagem: Divulgação
11 sagas de fantasia melhores que Game of Thrones
- A Roda do Tempo (The Wheel of Time, 1990 – 2013) – Robert Jordan & Brandon Sanderson
Com mitologia própria, poderes místicos bem explicados e arcos proféticos, a série em 14 volumes começou em The Eye of the World. Sanderson assumiu os três últimos livros após a morte de Jordan, garantindo fechamento coerente e detalhado. - Patrulha da Noite (Night Watch, 1998 – 2014) – Sergei Lukyanenko
Seis romances exploram o pós-impacto de um evento sobrenatural em Moscou. Luz e trevas se enfrentam num cenário onde a magia já é parte do cotidiano, rendeu estrutura inovadora e escrita ágil. - Reinos Antigos (Realm of the Elderlings, 1995 – 2017) – Robin Hobb
Quatro trilogias mais uma tetralogia compõem um mundo de intriga, traição e alegorias de identidade, sempre guiado pelo foco em personagens. Hobb mantém frescor mesmo após duas décadas de publicação. - Memória, Tristeza e Espinho (Memory, Sorrow, and Thorn, 1988 – 1993) – Tad Williams
Trilogia que alterna pontos de vista de heróis e vilões, chamando o leitor à introspecção. Influenciou diretamente Martin, mas sustenta domínio maior sobre ritmo e resolução de conflitos. - O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings, 1954 – 1955) – J. R. R. Tolkien
Três volumes centrais formam a espinha dorsal da Terra-média, base para dezenas de obras complementares. A trilogia de filmes consagrou a narrativa que continua referência incontestável do século XX. - Terramar (Earthsea, 1968 – 2001) – Ursula K. Le Guin
Seis livros premiados contam a jornada por um arquipélago mágico. Além de dragões e quests, discute poder, filosofia e identidade com linguagem acessível, perfeita para iniciantes no gênero. - Os Fiéis e os Caídos (The Faithful and the Fallen, 2012 – 2016) – John Gwynne
Tetralogia de espada & feitiçaria composta por Malice, Valour, Ruin e Wrath. Cada volume eleva stakes emocionais, provando que ainda há espaço para batalhas épicas cheias de coração. - Coroa de Estrelas (Crown of Stars, 1997 – 2006) – Kate Elliott
Sete livros examinam a formação de Novaria e ecoam grandes conflitos históricos, tornando a fantasia plausível até para quem não costuma ler o gênero. Ainda inédito nas telas, mas cobiçado por fãs. - A Primeira Lei (The First Law, 2006 – 2008 e além) – Joe Abercrombie
Trilogia original – The Blade Itself, Before They Are Hanged e Last Argument of Kings – cresceu para novas trilogias, independentes e contos. Humor ácido, títulos cheios de significado e planejamento minucioso marcam a série. - Malazan: Livro dos Caídos (Malazan Book of the Fallen, 1999 – 2011) – Steven Erikson
Dez volumes equilibram elenco enorme, guerra e panteão de deuses. Compartilha universo com Ian C. Esslemont e, diferente de Westeros, oferece final fechado após 12 anos de publicação. - Patrulha do Crepúsculo (Twilight Watch, 2000 – 2003) – Sergei Lukyanenko
Parte complementar da saga russa iniciada em Night Watch, aprofunda o choque entre luz e trevas enquanto humanos comuns tentam sobreviver a novos pactos sobrenaturais.
Como escolher sua próxima leitura épica
Quem curte tramas políticas densas pode começar por A Primeira Lei ou Malazan. Já leitores que buscam jornadas de crescimento pessoal provavelmente se encantarão com Terramar. Para romances longos e variados, Reinos Antigos entrega quatro portas de entrada distintas sem perder coesão.
Vale observar também o estágio das adaptações: A Roda do Tempo já conta com série de TV e quadrinhos, ao passo que Coroa de Estrelas ainda espera sua chance de chegar às telas. Se a curiosidade por novas mídias pesar, isso pode ser o desempate.
Vale a pena ler além de Westeros?
Definitivamente. Todas as sagas listadas oferecem mundos completos, personagens cativantes e finais que recompensam o leitor. Para quem sente falta de dragões, politicagem ou magia grandiosa enquanto aguarda o próximo volume de George R. R. Martin, essas onze coleções garantem aventura por muitos invernos.



