A24 revelou que The Death of Robin Hood chega aos cinemas em 19 de junho de 2026. O anúncio veio acompanhado de um teaser enxuto que mostra Hugh Jackman caminhando em direção à câmera, sumindo em uma nuvem de fumaça antes de o título surgir na tela. A estratégia de lançamento coloca o longa frente a frente com Toy Story 5, em pleno verão norte-americano.
Com direção e roteiro de Michael Sarnoski, responsável por Pig e Um Lugar Silencioso: Parte Um, o projeto aposta em um tom mais cru e violento para recontar a lenda do arqueiro que roubava dos ricos para dar aos pobres. O elenco ainda reúne Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett, Noah Jupe e Faith Delaney.
A proposta sombria de Michael Sarnoski
Conhecido por explorar vulnerabilidade e trauma em narrativas intimistas, Sarnoski desloca Robin Hood para um cenário de desesperança. Segundo materiais de bastidores, o protagonista lida com um ferimento grave que o força a rever cada escolha criminosa. O cineasta escreveu o roteiro sozinho, sinal de que pretende imprimir marca autoral semelhante à vista em Pig.
Esse mergulho psicológico deve se refletir em fotografia mais dessaturada, ruídos naturais predominando sobre trilha instrucional e em cenas de ação menos coreografadas, mais próximas de uma sobrevivência brutal. A classificação indicativa R, rara em adaptações do personagem, reforça a intenção de não suavizar a violência.
O peso dramático do elenco
Depois de encarnar Wolverine, Jean Valjean e P. T. Barnum, Hugh Jackman retorna a um anti-herói repleto de camadas. A barba crescida e o olhar cansado vistos no teaser sugerem um Robin desgastado por batalhas internas e externas. Jackman coleciona prêmios – falta apenas o Oscar para completar o EGOT – e costuma equilibrar fisicalidade com emoção.
Jodie Comer, vencedora do Emmy por Killing Eve, interpreta uma combatente que questiona as motivações de Robin. Bill Skarsgård, recém-saído de papéis sinistros, promete adicionar tensão como antagonista. O elenco se completa com Murray Bartlett, elogiado por The White Lotus, o jovem Noah Jupe e a estreante Faith Delaney.
Janela de lançamento e concorrência de peso
A24 posiciona The Death of Robin Hood como um contra-ataque adulto ao público infantil de Toy Story 5. Uma semana antes, chegam Disclosure Day, retorno de Steven Spielberg à ficção científica, e Scary Movie 6. Já em 26 de junho será a vez de Supergirl sobrevoar as telonas, criando um funil competitivo para blockbusters.
A estratégia lembra movimentos recentes do estúdio, que costuma lançar títulos de apelo nichado em datas tradicionais de arrasa-quarteirões, buscando o espectador interessado em algo diferente. O produtor Aaron Ryder, indicado ao Oscar por A Chegada, integra a equipe ao lado de Andrew Swett e Alexander Black, selando o perfil prestigiado do projeto.
Imagem: Divulgação
O legado cinematográfico de Robin Hood
O fora da lei de Nottingham já foi vivido por Errol Flynn, Kevin Costner e Russell Crowe, sem falar na animação da Disney de 1973. Cada releitura reflete seu tempo: o romantismo de 1938, o revisionismo de 2010, a sátira de Mel Brooks em 1993. Agora, The Death of Robin Hood se destaca por prometer um estudo de personagem focado nas consequências morais do saque e da rebeldia.
Esse tipo de abordagem sombria ecoa tendências atuais de Hollywood, como a releitura de Frankenstein em The Bride, onde Jessie Buckley vive três versões de uma mesma criatura. O público demonstra interesse por clássicos revisitados com lentes contemporâneas, algo que A24 explora com frequência.
Vale a pena apostar em The Death of Robin Hood?
Para quem acompanha a carreira de Hugh Jackman, ver o ator mergulhar em um Robin abalado por culpa e dor já é motivo para colocar a estreia na agenda. O histórico de Sarnoski em construir tensão sem artifícios grandiosos indica uma narrativa centrada em personagens.
O selo A24 costuma atrair cinéfilos atrás de propostas autorais. Mesmo competindo com gigantes de bilheteria, o estúdio confia no boca a boca e em campanhas focadas no diferencial criativo. Essa tática funcionou em títulos anteriores e pode repetir o feito aqui.
Em um verão lotado de franquias familiares, The Death of Robin Hood surge como alternativa adulta, violenta e introspectiva. Salada de Cinema seguirá acompanhando cada atualização até junho de 2026.



