A recepção fria do público ao terror The Bride! continua repercutindo nas salas de cinema. Depois de uma estreia já considerada modesta, o longa registrou um tombo de 70% na bilheteria doméstica durante o segundo fim de semana em cartaz.
Os números negativos chamam atenção porque o longa, escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, é o primeiro lançamento da Warner Bros. desde que a venda do estúdio para a Paramount Skydance foi anunciada em fevereiro. A produção estreou com US$ 7,3 milhões e, agora, deve encerrar os três dias de exibição mais recentes com apenas US$ 2,15 milhões, segundo projeções de sábado de manhã.
Queda histórica na segunda semana
Uma diminuição acentuada era esperada, já que filmes de terror costumam concentrar boa parte do público na primeira semana. Mesmo assim, os 70% colocam The Bride! lado a lado de fiascos famosos, empatando na 202ª posição entre os piores recuos já registrados — a mesma marca de Warcraft (2016), Bad Samaritan (2018) e A Saga Crepúsculo: Lua Nova (2009).
Para efeito de comparação, longas que também decepcionaram financeiramente tiveram quedas ligeiramente menores. Ant-Man and the Wasp: Quantumania caiu 69,9%, Space Jam: Um Novo Legado recuou 69,1% e Alone in the Dark, dono de apenas 1% no Rotten Tomatoes, encolheu 69,2%. O desempenho reforça o alerta vermelho para o terror de Gyllenhaal.
O peso do orçamento e a difícil conta para a Warner
The Bride! custou cerca de US$ 80 milhões, com mais US$ 50 milhões investidos em marketing. Considerando a regra de mercado que exige o dobro ou até o triplo do orçamento para cobrir custos e garantir lucro, projeções indicam que o filme precisaria alcançar algo em torno de US$ 260 milhões mundialmente para se pagar. Até agora, entretanto, a arrecadação doméstica acumulada não passa de US$ 11,3 milhões.
Esse cenário coloca o estúdio em posição delicada logo após o anúncio da aquisição. A estratégia de manter blockbusters originais pode ser revisada, especialmente se novas quedas confirmarem que The Bride! tende a repetir o resultado de 28 Years Later: The Bone Temple, outro terror de 2026 que não recuperou o investimento (US$ 57,9 milhões contra um orçamento de US$ 63 milhões).
Equipe criativa por trás de The Bride!
Maggie Gyllenhaal comanda roteiro e direção em sua versão para o clássico A Noiva de Frankenstein. A cineasta conta com produção de Emma Tillinger Koskoff, Osnat Handelsman-Keren e Talia Kleinhendler. No elenco, a indicada ao Oscar Jessie Buckley assume o papel-título, contracenando com Christian Bale, que vive o Monstro de Frankenstein.
Imagem: Divulgação
Com ambientação na Chicago dos anos 1930, a trama mostra o Monstro recorrendo ao Dr. Euphronious para criar uma companheira, ressuscitando assim uma jovem mulher. A premissa mescla terror, romance, ficção científica e até pitadas de comédia ao longo de seus 126 minutos de duração.
Comparações com outros títulos recentes de terror
Apesar da forte queda, The Bride! não é o único terror de 2026 a sofrer nas bilheterias. Scream 7, por exemplo, recuou 73,3% na segunda semana, mas se mantém acima de US$ 150 milhões globais, demonstrando que um percentual alto de queda não define, por si só, o fracasso financeiro. Aliás, detalhes sobre os números impressionantes da franquia podem ser encontrados nesta análise de Scream 7.
Outro caso citado pelas métricas da semana é Return to Silent Hill, que caiu 69,8% e fechou com desempenho apenas mediano. Já The Bone Temple, mais próximo da situação de The Bride!, nem chegou a cobrir o próprio orçamento. Esses paralelos ajudam a entender como o subgênero de terror segue oscilando e, ao mesmo tempo, evidenciam o risco de orçamento elevado quando não há retorno sólido na primeira exibição.
Vale a pena assistir?
Quem se interessa por novas leituras de monstros clássicos pode encontrar em The Bride! um projeto ambicioso capitaneado por Maggie Gyllenhaal e estrelado por nomes de peso como Jessie Buckley e Christian Bale. A atmosfera dos anos 1930, a proposta de misturar horror e romance e a curiosidade de ver o olhar autoral da diretora funcionam como chamariz. Entretanto, a resposta tímida nas bilheterias indica que a produção talvez não dialogue com todos os perfis de público. Ainda assim, vale conferir para tirar as próprias conclusões e observar de perto os elementos que levaram o título a divisões tão fortes entre quem compra o ingresso e quem prefere ficar de fora. O Salada de Cinema seguirá acompanhando a trajetória do filme nos próximos balanços de renda.



