O fim de Stranger Things, exibido em 31 de dezembro, não apagou o fervor que a série da Netflix manteve por quase uma década. A despedida de Hawkins virou motivo de celebração para parte do público, mas também de críticas sobre ritmo, pontas soltas e escolhas de roteiro.
No meio da tempestade, o cocriador Matt Duffer confessou que teria preferido esperar antes de responder às perguntas dos fãs. Ele disse que estava se recuperando de uma gripe quando participou das entrevistas pós-finale e pediu “um pouco de folga” aos espectadores que se sentiram frustrados com suas respostas.
Matt Duffer explica o arrependimento e a reação dos fãs ao final de Stranger Things
Em conversa com o podcast Happy Sad Confused, apresentado por Josh Horowitz, Matt Duffer contou que se sentia exausto e ainda doente quando aceitou falar sobre os últimos episódios. “Eu nem deveria ter feito essas entrevistas de autópsia. Eu não estava bem”, admitiu o roteirista, pontuando que as palavras podem ter soado ríspidas ou incompletas.
A declaração veio na sequência de uma enxurrada de comentários nas redes sociais. Enquanto alguns elogiam o desfecho emocional de personagens queridos, muitos espectadores apontam falhas na condução da temporada 5, volume 2. O episódio 7, The Bridge, por exemplo, amarga a pior nota da história da série no IMDb: 5,6/10. No Rotten Tomatoes, a aprovação do público caiu para 57%, contraste marcante com os 84% da crítica especializada.
Além disso, uma petição que pede o lançamento de supostas cenas inéditas ultrapassou 300 mil assinaturas, mesmo após integrantes do elenco negarem a existência de qualquer “versão secreta”. Esse nível de mobilização reforça como Stranger Things segue dominando o debate pop, mesmo após seu último capítulo.
Por outro lado, há quem defenda o final, destacando o simbolismo do epílogo e o encerramento de arcos marcantes. O fato é que o seriado se tornou tema central de discussões acaloradas, evidenciando o impacto de uma base de fãs apaixonada — algo que pode ser tanto benção quanto maldição para qualquer produção.
Imagem: Divulgação
Indicadores de audiência e as consequências para o legado da série
Os números não mentem: mesmo com avaliações mistas, Stranger Things permaneceu no topo dos rankings da Netflix durante a semana de estreia do último volume. Contudo, a queda de popularidade em plataformas como IMDb e Rotten Tomatoes deixa claro que a recepção foi longe de unânime. Termos como “artificial” e “sem alegria” tornaram-se frequentes nos comentários dos usuários.
Essa divisão de opiniões afeta, mas não apaga, o legado construído desde 2016. A série impulsionou carreiras de jovens atores, reacendeu o fascínio por referências oitentistas e reforçou a força do streaming na cultura pop. Para o Salada de Cinema, fica a lição: mesmo produções gigantes podem enfrentar tempestades quando chegam ao fim, especialmente em tempos de redes sociais efervescentes.
Diante disso, o pedido de Matt Duffer por “um tempo” parece ecoar além das entrevistas: é um lembrete de que criadores também sentem o peso das expectativas. Resta saber se, com o passar dos meses, a percepção sobre o final de Stranger Things se tornará mais benevolente ou se permanecerá como um dos desfechos mais controversos da TV recente.
FICHA TÉCNICA
Título original: Stranger Things
Exibição: 2016 – 2025
Plataforma: Netflix
Criação: Matt e Ross Duffer
Showrunners: Matt Duffer, Ross Duffer
Principais diretores: Matt Duffer, Ross Duffer, Andrew Stanton, Frank Darabont, Nimród Antal, Uta Briesewitz
Roteiristas de destaque: Kate Trefry, Jessie Nickson-Lopez, Jessica Mecklenburg, Alison Tatlock
Classificação indicativa: TV-14



