O sexto episódio de Star Trek: Starfleet Academy, “Come, Let’s Away”, não se limita a avançar o drama interno dos cadetes. A produção surpreende ao resgatar uma criatura apresentada no reboot comandado por J.J. Abrams em 2009, estabelecendo um elo discreto entre as duas linhas do tempo da franquia.
Escrito por Kenneth Lin e Kiley Rossetter e dirigido por Larry Teng, o capítulo coloca Nus Braka, vivido por Paul Giamatti, de volta ao centro do conflito. Enquanto o vilão busca vingança contra a capitã Nahla Ake (Holly Hunter), a narrativa destaca o trabalho de um elenco jovem que precisa ocupar a ponte da USS Athena e salvar colegas feitos reféns.
O retorno de Nus Braka e a ameaça dos Furies
Depois de flertar com o anonimato nos episódios anteriores, Nus Braka revela suas intenções ao se aliar aos Furies, híbridos alienígenas canibais. O antagonista de Paul Giamatti conduz o sequestro de cadetes na sucata espacial USS Miyazaki, abrindo espaço para que Holly Hunter explore a faceta estratégica da capitã Ake sem recorrer a grandes discursos.
A ameaça exige ação imediata da equipe a bordo da USS Athena. Sob a supervisão de Larry Teng, as cenas de tensão não priorizam pirotecnia; o foco permanece nas reações dos atores. A fotografia realça olhares e gestos, reforçando que o conflito é tão psicológico quanto físico.
A dupla de cadetes assume a ponte da USS Athena
Genesis Lythe (Bella Shepard) e Darem Reymi (George Hawkins) recebem espaço de protagonismo quando propõem a estratégia para rastrear a nave camuflada dos Furies. O roteiro faz questão de registrar que a ideia partiu “principalmente de Genesis”, ressaltando a autoconfiança da cadete Dar-Sha sem soar expositiva.
A dinâmica entre Shepard e Hawkins funciona graças ao contraste de perfis: enquanto Genesis exibe disciplina quase rígida, Darem revela versatilidade típica da espécie Khioniana, capaz de sobreviver oito minutos no vácuo. A interação mescla humor contido e senso de urgência, mantendo o ritmo ágil que caracteriza produções recentes de ficção científica — característica que aproxima a atração de séries citadas em listas de alto conceito, como a publicada pelo Salada de Cinema.
Referência ao Capitão Kirk cria elo com o filme de 2009
O momento mais comentado do episódio surge quando a comandante Lura Thok, também Dar-Sha, elogia Genesis: “Você usa seus olhos com a precisão de um hengra.” A fala ativou o radar dos fãs, e o pesquisador Jörg Hillebrand rapidamente relacionou o termo ao hengrauggi, predador que perseguiu James T. Kirk (Chris Pine) em Delta Vega no longa de 2009.
Imagem: Divulgação
A escolha não é casual. Alex Kurtzman, showrunner de Starfleet Academy, coescreveu o roteiro do filme sob direção de J.J. Abrams e, ao lado de Roberto Orci, criou a criatura multi-olhos. Ao mencionar o monstro, a série indica que o hengrauggi também existe no chamado Universo Prime, reforçando a ponte narrativa entre as duas cronologias sem necessidade de viagens temporais ou explicações longas.
Três novas espécies expandem o universo da série
Além dos Dar-Sha, interpretados por Shepard e a comandante Thok, Starfleet Academy introduz os Khionianos — raça aquática à qual pertence Darem Reymi — e os Kasqianos, entidades holográficas responsáveis por SAM (Kerrice Brooks). Até agora, a emissária Kasqiana recebeu o desenvolvimento mais consistente, mas o episódio 6 oferece as primeiras pistas concretas sobre a fisiologia Dar-Sha ao valorizar a visão de Genesis.
O texto de Lin e Rossetter adiciona detalhes de história pessoal: filha de um almirante, Genesis passou a infância em bases estelares e só pisou em um planeta ao chegar à Terra. Esses dados enriquecem a construção da personagem sem quebrar o fluxo dramático, tarefa que exige equilíbrio entre exposição e ação.
Vale a pena assistir Star Trek: Starfleet Academy?
“Come, Let’s Away” amarra a ameaça imediata dos Furies a um fan-service pontual que se traduz em valor de mitologia. As atuações de Bella Shepard e George Hawkins sustentam a tensão, enquanto veteranos como Holly Hunter e Paul Giamatti emprestam gravidade ao enredo. Para quem acompanha a evolução dos cadetes e aprecia referências à era Kelvin de J.J. Abrams, o episódio se mostra essencial na rota da primeira temporada.



