Sam Raimi voltou aos holofotes para esclarecer, de uma vez por todas, um boato que se arrastava há quase duas décadas: a suposta escalação de Rachel McAdams como Gata Negra em Spider-Man 4. O cineasta, responsável pela trilogia estrelada por Tobey Maguire entre 2002 e 2007, garantiu que a atriz canadense jamais participou de testes ou reuniões para o longa que acabou engavetado.
Durante entrevista ao site CinemaBlend, Raimi contou que, na realidade, o único ator com quem conversou formalmente foi John Malkovich, cotado para vestir as asas do Abutre. O diretor ainda lamentou não ter levado o projeto adiante, mas reconheceu que o momento de contar aquela história já passou.
Os bastidores conturbados de Spider-Man 4
Depois do lançamento de Homem-Aranha 3, em 2007, a Sony deu sinal verde para que Raimi e o roteirista James Vanderbilt desenvolvessem uma quarta aventura com o cabeça-de-teia de Maguire. O plano incluía filmagens em 2010 e estreia no verão de 2011, mas divergências criativas sobre o roteiro travaram o calendário. Cada nova versão do texto adicionava vilões, cortava subtramas ou tentava equilibrar o foco em Peter Parker e Mary Jane.
O diretor deixou claro que não queria repetir a experiência de Homem-Aranha 3, cuja produção foi marcada por ingerências do estúdio e a inclusão forçada de personagens, como o Venom. Quando percebeu que não conseguiria entregar o filme que imaginava dentro do prazo, Raimi optou por sair. A decisão abriu caminho para o reboot O Espetacular Homem-Aranha, protagonizado por Andrew Garfield em 2012.
John Malkovich quase vestiu as asas do Abutre
Dentre as poucas certezas daquele período estava o nome de John Malkovich. Segundo Raimi, o ator de Queime Depois de Ler mostrou entusiasmo ao discutir o papel de Adrian Toomes, o Abutre. A escolha parecia perfeita: Malkovich combina presença cênica intimidadora com a sofisticação que o vilão exigia.
Conversas preliminares envolveram artes conceituais que traziam o Abutre voando sobre arranha-céus de Nova York, cenas que testariam o então avanço do CGI. O projeto também cogitava Melissa Rosenberg e David Lindsay-Abaire para revisar o roteiro, mantendo o tom trágico que marcou a jornada de Maguire. Nenhuma dessas ideias, porém, saiu do papel.
Rachel McAdams e o mito da Gata Negra
O boato sobre Rachel McAdams surgiu em 2007, quando portais especializados noticiaram que a atriz teria sido convidada para viver Felicia Hardy, a Gata Negra. McAdams negou logo em seguida, mas a história ganhou fôlego entre fãs. Raimi, agora, reforça que “nunca houve audição para vilã feminina”.
A confusão talvez tenha sido alimentada por esboços de roteiro que previam uma Felicia Hardy reformulada como “Vulturess”, parceira de Toomes. Versões posteriores descartaram a ideia. Curiosamente, McAdams acabou entrando na Marvel anos depois, interpretando a médica Christine Palmer em Doutor Estranho (2016) e na sequência de 2022, comandada por Raimi.
Imagem: Divulgação
O futuro do herói e os novos passos de Raimi
Mesmo aposentado do universo do Amigão da Vizinhança, o diretor continua ligado a super-heróis. Seu retorno à Marvel em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura mostrou que a visão estilizada do cineasta ainda rende cenas marcantes, como a luta musical entre duas variantes de Stephen Strange. Entre projetos em negociação está a sequência de Darkman, cuja produção ganhou novo fôlego recentemente.
Quanto ao teioso, a Sony já trabalha em Spider-Man: Brand New Day, previsto para 31 de julho de 2026. Tom Holland retorna ao papel, acompanhado de Jon Bernthal, Mark Ruffalo e Sadie Sink. Destin Daniel Cretton, de Shang-Chi, assume a direção, enquanto Chris McKenna e Erik Sommers assinam o roteiro. Dentro do próprio estúdio, especula-se que Maguire ou Garfield possam aparecer em futuros eventos multiversais, como o já cogitado Avengers: Doomsday.
Spider-Man 4 teria valido o ingresso?
Com Tobey Maguire consolidado no papel e John Malkovich pronto para um antagonista à altura, Spider-Man 4 prometia um confronto intimista, focado nas consequências dos atos de Peter Parker. A proximidade dramática entre herói e vilão poderia resgatar o equilíbrio que fez de Homem-Aranha 2 um marco do gênero.
No entanto, o acúmulo de personagens foi o principal vilão da terceira parte, e havia risco de o quarto filme repetir essa armadilha. A retirada de Felicia Hardy do roteiro e a aposta em um único inimigo indicavam aprendizado. Mesmo assim, a pressão por novidades e a urgência do estúdio para manter a franquia lucrativa criaram um cenário de incertezas que inviabilizou o projeto.
Hoje, resta aos fãs imaginar como seria ver Malkovich planando pelos céus de Manhattan. Enquanto isso, as novas produções mantêm vivo o legado do Homem-Aranha, e o Salada de Cinema continuará de olho em qualquer movimento que traga de volta o carisma do Abutre — ou quem sabe uma Gata Negra digna de balançar as redes do Aranha.



