Aileen Wuornos foi uma das serial killers mais notórias dos Estados Unidos, condenada por matar sete homens na Flórida entre 1989 e 1990. Décadas depois de sua execução, ela ganhou nova vida na ficção: é a personagem interpretada por Sarah Paulson na quarta temporada da antologia Monstro: A História de Lizzie Borden, criada por Ryan Murphy e Ian Brennan.
A presença de Wuornos na trama surpreende quem conhece só o caso Borden, já que as duas mulheres viveram em épocas completamente diferentes. Entender quem foi Aileen Wuornos ajuda a explicar por que os roteiristas decidiram cruzar as duas histórias e o que essa escolha diz sobre o eixo da nova temporada.
Uma escolha narrativa, não um encontro histórico
Lizzie Borden foi julgada em 1893, quase um século antes de Wuornos cometer seus crimes. Não existe registro de que as duas tenham qualquer ligação real na história.
A série, porém, imagina Wuornos se interessando pelo caso Borden no fim dos anos 1980 e chegando a se hospedar na antiga casa da família, hoje transformada em pousada. É um recurso de roteiro, não um fato documentado.
Ian Brennan, produtor da série ao lado de Murphy, defendeu a escolha ao falar sobre a personagem.
Ela é uma personagem fascinante e poderia facilmente protagonizar uma temporada inteira da série.
Ian Brennan, produtor de Monstros
Ella Beatty, que vive Lizzie Borden na trama, afirmou que a trajetória de Wuornos ajuda a temporada a discutir por que mulheres cometem atos de violência extrema, tema central deste ano da antologia, o primeiro a ter uma protagonista mulher.
Quem foi Aileen Wuornos antes de virar notícia
Aileen Carol Wuornos nasceu em 29 de fevereiro de 1956, em Rochester, Michigan. A infância foi marcada por instabilidade e abuso: abandonada pela mãe ainda criança, ela e o irmão foram criados pelos avós.
Na vida adulta, Wuornos sobreviveu por meio da prostituição em rodovias da Flórida e acumulou passagens pela polícia por diferentes crimes, incluindo roubo à mão armada. Essa trajetória de vulnerabilidade se tornaria, mais tarde, peça central nas tentativas de entender os crimes que cometeu.
Os sete assassinatos e a condenação à morte
Entre 1989 e 1990, Wuornos foi acusada de matar sete homens na Flórida. A primeira vítima identificada foi Richard Mallory, encontrado morto em dezembro de 1989.
Ela confessou os crimes e alegou legítima defesa, afirmando que parte das vítimas tentou agredi-la sexualmente. A versão foi questionada durante a investigação e o julgamento, e a imprensa passou a acompanhar de perto o caso, que a transformou em uma das primeiras assassinas em série a ganhar ampla notoriedade nos Estados Unidos.
Em 1992, Wuornos foi condenada à pena de morte pelo assassinato de Mallory e, nos anos seguintes, recebeu outras condenações pelos demais crimes. Após uma década no corredor da morte, foi executada por injeção letal em 9 de outubro de 2002, aos 46 anos.

De Charlize Theron a Sarah Paulson: as versões de Wuornos na tela
A história de Wuornos já havia ganhado destaque no cinema antes de chegar a Monstros. O filme Monster: Desejo Assassino, de 2003, trouxe Charlize Theron no papel da serial killer e rendeu à atriz o Oscar, ajudando a popularizar o caso fora dos Estados Unidos.
A vida de Wuornos também é tema do documentário Aileen Wuornos: Mind of a Monster, disponível na HBO Max, que reconstrói sua trajetória a partir de cartas trocadas com uma amiga próxima.
Agora é Sarah Paulson quem assume a personagem em Monstros, reunindo a atriz com Ryan Murphy em mais um projeto da franquia de antologia. A diferença é que, desta vez, Wuornos não é o centro da história: ela funciona como espelho para a jornada de Lizzie Borden, servindo de contraponto para discutir os limites entre violência, sobrevivência e vitimização que atravessam a temporada.
Fonte principal: Hbo Max. Informações complementares: Variety e Rolling Stone Brasil.



