Dois anos depois de abrir as portas da Academia da Frota Estelar para uma nova leva de cadetes, a Paramount decidiu encerrar Star Trek: Starfleet Academy na segunda temporada. A notícia chega pouco tempo após o último episódio do primeiro ano e coloca um ponto final em mais um título da franquia na plataforma Paramount+.
Com isso, todas as produções televisivas de Star Trek capitaneadas por Alex Kurtzman no streaming norte-americano já têm data para se despedir, deixando a marca de ficção científica sem novos projetos em filmagem — nem mesmo aprovados no papel.
Decisão repentina encerra jornada dos cadetes
Segundo o estúdio, a segunda temporada — que ainda não tem data de estreia — servirá como conclusão oficial. A medida replica o que aconteceu com Star Trek: Prodigy, animação voltada ao público pré-adolescente que foi retirada do catálogo durante a produção da segunda leva de episódios, hoje sem lar fixo no streaming.
Nos bastidores, a estratégia do conglomerado era diversificar formatos e públicos. A iniciativa rendeu séries seriadas, animações, comédia e até aventuras com visual de blockbuster, evitando qualquer receita pré-fabricada. Ainda assim, a resposta de parte dos fãs veteranos foi fria quando a narrativa priorizava personagens jovens, o que pesou na balança do cancelamento.
Roteiros e direção apostaram na diversidade do universo Trek
Coordenada por Alex Kurtzman, a sala de roteiristas de Star Trek: Starfleet Academy foi composta por nomes declaradamente apaixonados pela mitologia criada por Gene Roddenberry. O grupo investiu em linhas de história que respeitam seis décadas de continuidade ao mesmo tempo que apresentam conflitos contemporâneos aptos a dialogar com quem nunca viu uma ponte de comando.
Na direção, o cuidado não foi menor: cada episódio buscou reforçar o senso de aventura espacial com produção de nível cinematográfico — marca que Kurtzman havia aplicado em Discovery e levou adiante aqui. A opção pela serialização, em vez de missões semanais isoladas, garantiu ritmo de novela espacial e ajudou a aprofundar o arco dos cadetes.
Atuações se destacam mesmo com fim precoce
A veterana Holly Hunter, intérprete da reitora da Academia, transformou diálogos técnicos em passagens emotivas graças à sua firmeza em cena. O entrosamento com o elenco jovem, caso de Nahla Ake e Sandro Rosta, trouxe credibilidade às disputas de ego típicas da juventude e manteve o tom otimista clássico da franquia.
Imagem: Divulgação
Caleb Mir, por sua vez, abraçou o papel do cadete que questiona a hierarquia, lembrando que a rebeldia também faz parte de Star Trek. Essas performances ganharam elogios consistentes da imprensa especializada, ainda que o índice de audiência não tenha alcançado as metas internas da Paramount. O ator Robert Picardo chegou a manifestar pesar pelo cancelamento, como noticiado pelo Salada de Cinema, reforçando o carinho do elenco veterano pelo projeto.
Qual o próximo passo para a franquia Star Trek?
Sem séries novas em filmagem e com Strange New Worlds aguardando as já concluídas quarta e quinta temporadas, o futuro imediato da saga permanece nebuloso. A recente fusão Paramount-Skydance indica que a marca segue valorizada, mas a direção corporativa ainda não definiu qual será o formato da próxima missão estelar.
Apostar novamente em personagens mais experientes é uma possibilidade em discussão, retomando o modelo que apresentou Capitão Kirk e Capitão Picard a diferentes gerações. Enquanto isso, outras produções de ficção científica — como a ambiciosa Seveneves — avançam para ocupar espaço na TV, provando que há público para narrativas espaciais bem construídas.
Vale a pena assistir Star Trek: Starfleet Academy?
Mesmo sabendo que o enredo será concluído em apenas duas temporadas, a série entrega atuações sólidas, visual caprichado e um mergulho respeitoso na mitologia de Star Trek. Para quem aprecia dramas juvenis com pano de fundo interestelar, ou simplesmente quer ver como a franquia tentou dialogar com novas faixas etárias, ainda é uma jornada que vale a visita.



