Equilibrar drama, romance, humor e crítica social não é tarefa simples, mas Oshi no Ko mostrou que é possível costurar tudo isso em um só anime e ainda conquistar a temporada de inverno de 2026. Mesmo assim, algumas séries acertam ainda mais o alvo, seja aprofundando o drama, refinando o romance ou conduzindo personagens a jornadas mais catárticas.
A seguir, o Salada de Cinema apresenta cinco produções que, por diferentes caminhos, conseguem ir além do fenômeno estrelado por Aqua e Ruby Hoshino. Prepare a lista de favoritos.
Animes que entregam mais do que Oshi no Ko
- Vinland Saga – 2 temporadas
Thorfinn Karlsefni parte da vingança para a redenção completa. O roteiro usa a brutal Era Viking como pano de fundo, mas é a atuação contida de Yûto Uemura que transforma cada silêncio do protagonista em catarse. A direção mantém o ritmo tenso e, ao mesmo tempo, humaniza batalhas que lembram conflitos de Jujutsu Kaisen, só que com peso histórico muito maior. - Kaguya-sama: Love Is War – 3 temporadas
O narrador onipresente funciona como terceiro combatente na guerra romântica entre Kaguya e Miyuki. O resultado é um timing cômico quase matemático, potencializado pelo elenco de voz que alterna sussurros e berros sem perder naturalidade. Aqui, menos gêneros significam mais profundidade emocional. - Frieren: Beyond Journey’s End – 1 temporada (em exibição)
Frieren revisita o “e depois?” dos contos de aventura. Na pele da elfa centenária, Atsumi Tanezaki entrega um desempenho suave que faz cada lembrança de companheiros mortos doer como novo. A fotografia colorida suaviza o luto, criando contraste poderoso que falta em Oshi no Ko. - Dr. Stone – 3 temporadas
Senku Ishigami acorda num mundo petrificado e responde à ruína com otimismo científico. Yûsuke Kobayashi estica sílabas para transformar fórmulas químicas em gritos de guerra inspiradores. A série questiona poder e civilização sem a amargura que pauta Aqua Hoshino. - Chainsaw Man – 1 temporada
Denji, dublado por Kikunosuke Toya, alia ingenuidade e selvageria como poucos heróis shonen. Cada faca nas costas de Denji torna sua busca por migalhas de felicidade mais cruel que a vingança de Oshi no Ko. A vilã Makima rouba a cena com controle vocal hipnótico.
Atuações que carregam o drama nas costas
O segredo dessas séries está na entrega dos dubladores. Uemura converte traumas de Thorfinn em silêncios incômodos; Kobayashi faz de termos técnicos bordões pegajosos; Toya alterna choramingos e rugidos sanguinolentos sem cair na caricatura. Em Kaguya-sama, o elenco inteiro faz com que um simples “bom dia” pareça duelo de xadrez. Já Tanezaki, em Frieren, sustenta séculos de melancolia num sussurro.
Essa combinação de performance e roteiro aprofunda a experiência além do que Oshi no Ko propõe. Enquanto Aqua constrói sua persona de vingador, esses protagonistas enfrentam dilemas filosóficos que ressoam de forma mais universal.
Direção e roteiro: ritmo que não desperdiça minuto
Cada um desses animes demonstra consciência de pacing. Vinland Saga alterna calmaria e sangue frio; as partidas mentais de Kaguya-sama funcionam como esquetes autossuficientes; Frieren dosa aventura e contemplação. Em Dr. Stone, a montagem usa cortes rápidos para que reações de surpresa acompanhem explicações científicas, algo que prende mesmo quem fugia da aula de química.
Chainsaw Man, dirigido pela equipe da MAPPA, opta por cenas longas e coreografias cruas, ressaltando a vulnerabilidade de Denji. O resultado é um mergulho visceral que faz a câmera de Oshi no Ko — focada em bastidores do showbiz — parecer menos intensa.
Imagem: Divulgação
Comparativo de temáticas
Oshi no Ko critica o culto às celebridades e questiona o valor da segunda chance. Vinland Saga amplia o debate, explorando pacifismo e reconstrução pós-tragédia. Kaguya-sama expõe vulnerabilidades adolescentes sem cair em melodrama. Frieren discute finitude com calma quase terapêutica. Dr. Stone aposta no potencial coletivo da ciência, enquanto Chainsaw Man levanta a pergunta: o quão longe se vai por um prato de comida?
Mesmo abordando universos distintos, todas as produções trazem protagonistas lançados em situações que não escolheram. A grande diferença é a forma como cada roteiro lida com esperança — tópico que, no caso de Denji, é mais doloroso do que a jornada de Aqua.
Vale a pena assistir?
Se a mistura de gêneros de Oshi no Ko chamou sua atenção, esses cinco títulos mostram caminhos ainda mais refinados para conduzir emoção, com elencos afiados e direções seguras. Colocar as séries na fila é a forma mais prática de entender como o anime contemporâneo pode, sim, superar fórmulas consagradas.



