Breaking Bad terminou em 2013, mas o impacto cultural da saga de Walter White segue vivo. Desde então, inúmeros dramas sobre crime tentam capturar a mesma mistura de atuação poderosa, narrativa tensa e senso de perigo iminente. Poucos chegaram perto.
A lista abaixo reúne 12 produções que, por motivos variados, surgiram como candidatas a “próximo Breaking Bad”. O Salada de Cinema organizou os títulos em ordem crescente, destacando performances, direção e o que cada série traz de único.
Séries que quase herdam o trono de Breaking Bad
- Griselda – Minissérie
Sofía Vergara encarna a “Madrinha da Cocaína”, Griselda Blanco, e entrega uma transformação física admirável. Baseada em fatos reais, a trama mostra a ascensão da traficante da Colômbia a Miami, focando no preço pessoal que ela paga pelo poder. - Mr Inbetween – 3 temporadas
Produção australiana estrelada por Scott Ryan. O assassino de aluguel Ray Shoesmith tenta equilibrar contratos sangrentos com a rotina de pai e amigo, refletindo a dupla identidade que tanto fascinou em Walter White. - Barry – 4 temporadas
Bill Hader vive um ex-fuzileiro transformado em matador profissional que, por acaso, descobre o teatro e decide largar o crime. A comédia sombria é praticamente o espelho de Breaking Bad: um criminoso buscando redenção em vez de decadência. - Tulsa King – 1ª temporada
Sylvester Stallone interpreta Dwight Manfredi, caporegime libertado da prisão e exilado em Oklahoma pelo próprio chefe. O personagem monta um império do zero, tal qual Walter, mas o futuro da série ainda é incerto. - Bloodline – 3 temporadas
No paradisíaco arquipélago da Flórida, a família Rayburn vê segredos emergirem com o retorno do filho pródigo Danny, papel marcante de Ben Mendelsohn. Aqui, o crime corrói laços de sangue em vez de um professor de química. - Ozark – 4 temporadas
Jason Bateman e Laura Linney vivem os Byrde, casal que lava dinheiro para um cartel mexicano. Clima azul-acinzentado e tensão permanente lembram Breaking Bad, mas falta o humor ácido que aliviava o peso da tragédia. - Better Call Saul – 6 temporadas
Prequel direto de Breaking Bad, acompanha a metamorfose de Jimmy McGill em Saul Goodman. Bob Odenkirk domina cada quadro, e o roteiro aprofunda relacionamentos antes apenas sugeridos na série-mãe. - Mr. Robot – 4 temporadas
Rami Malek vive Elliot, hacker brilhante recrutado por anarquistas cibernéticos. A paranoia constante e a possibilidade de ser descoberto mantêm ritmo tão sufocante quanto qualquer negociação de metanfetamina. - Narcos – 3 temporadas
Wagner Moura assume o papel de Pablo Escobar enquanto DEA tenta derrubá-lo. Ao contrário de Breaking Bad, o foco permanece nos agentes da lei, diminuindo a identificação direta com o traficante, mas a escala histórica impressiona. - Animal Kingdom – 6 temporadas
Baseada na família criminosa Pettingill, mostra a matriarca Smurf (Ellen Barkin) e seus filhos cometendo crimes na Califórnia. Violência gráfica e dilemas morais elevam o drama a outro nível de brutalidade. - Snowfall – 6 temporadas
Ambientada em Los Angeles dos anos 80, acompanha o jovem Franklin Saint enquanto o crack explode nos EUA. O arco de transformação do protagonista ecoa a jornada de Walter White, só que no contexto de guerra às drogas. - Sons of Anarchy – 7 temporadas
Jax Teller tenta modernizar o motoclube fundado pelo pai, mas esbarra em lealdade, tráfico de armas e tragédias familiares. O anti-herói carismático e a escalada de violência dialogam direto com fãs de Breaking Bad.
O fio condutor entre as produções
Apesar de cenários diferentes — de motoclubes a tribunais — todas as séries listadas exploram personagens que desafiam a própria moral. O público acompanha decisões cada vez mais extremas, sentindo a tensão de ser descoberto a qualquer instante.
Essa espiral, presente em Breaking Bad, reaparece aqui: Walter White mentia à família, Ray Shoesmith mente aos amigos, e Franklin Saint esconde seu império nascente. A adrenalina de acompanhar essa vida dupla continua sedutora para quem gosta de crime televisivo.
Direção e roteiros: quem segura a barra?
Vince Gilligan estabeleceu um padrão alto de construção dramática. Entre os sucessores, nomes como Chris Mundy em Ozark e Peter Gould em Better Call Saul comandam equipes de roteiristas que valorizam silêncio, planos-sequência e reviravoltas milimétricas.
Na direção, ressalta-se a ousadia visual de Mr. Robot, com enquadramentos desalinhados que espelham o caos interno de Elliot. Já Bloodline aposta em fotografia ensolarada para contrastar com segredos obscuros, recurso que destoa, mas funciona.
Imagem: Divulgação
Atuações de destaque
A força dessas obras mora, sobretudo, nos elencos. Sofía Vergara impressiona pela entrega física em Griselda, enquanto Ben Mendelsohn faz de Danny Rayburn um pesadelo ambulante. Rami Malek, por sua vez, costura tensão apenas com o olhar baixo de Elliot.
Bob Odenkirk prova versatilidade ao transitar entre comédia e drama, e Julia Garner rouba a cena em Ozark como Ruth Langmore. Esses desempenhos rendem momentos que figurariam facilmente em qualquer lista de episódios de TV inesquecíveis.
Vale a pena maratonar?
Para quem procura a mesma sensação de perigo que Breaking Bad entregava, há opções de sobra. Cada título, à sua maneira, revisita a pergunta: até onde alguém vai para proteger a própria ambição? Mesmo sem substituir o impacto do original, essas séries mantêm viva a discussão sobre poder, corrupção e consequências.



