A união de duas gigantes do streaming promete sacudir o mercado, mas a estrada até lá é cheia de curvas. A Paramount Skydance, que pretende adquirir a Warner Bros. Discovery em março de 2026, planeja juntar HBO Max e Paramount+ em uma só plataforma.
Nos bastidores, entretanto, especialistas apontam uma operação logística de proporções inéditas, capaz de resultar no desligamento definitivo da HBO Max em 2027. Usuários, produtores e artistas aguardam definições enquanto o futuro do extenso catálogo – que abriga sucessos como Euphoria e The White Lotus – permanece nebuloso.
Previsão de desligamento da HBO Max
Em relatório enviado a investidores, o analista Robert Fishman, da MoffettNathanson, escreveu que “espera o encerramento efetivo da HBO Max até o fim de 2027”. A projeção ganhou força depois que a Paramount Skydance confirmou a intenção de englobar todo o acervo da rival, somando mais de 200 milhões de assinantes globais.
Ao The Hollywood Reporter, o CEO David Ellison afirmou que o combo colocará o grupo “em posição de competir com os líderes do segmento”. Para ele, a soma de conteúdo e recursos tecnológicos amplia a escala necessária para disputar espaço com as maiores plataformas diretas ao consumidor (DTC).
Trabalho monumental para unir duas infraestruturas
Apesar do otimismo de Ellison, o consultor Dan Rayburn classifica a junção como “tão nova” que hoje é impossível “contemplar como misturar serviços desse tamanho”. Segundo o especialista, a integração de bases de dados, sistemas de recomendação e aplicativos móveis exigirá meses de testes e ajustes finos.
Rayburn chama atenção para a escolha de palavras do executivo. “Ele nem sabe ao certo o que significa combining nesse contexto”, ironizou. A dúvida não surpreende: incorporar bibliotecas diferentes, modelos de assinatura distintos e equipes técnicas próprias costuma ser um processo mais caro e demorado do que imprimir a nova marca na interface.
Impacto sobre empregos e produções originais
O cenário inclui a possibilidade de demissões em larga escala. “Vai haver muita gente cortada”, prevê Rayburn. A redução de quadros torna ainda mais complexa a manutenção de know-how interno, indispensável para migrar usuários sem falhas e preservar a qualidade do streaming.

Imagem: Divulgação
Enquanto isso, séries em desenvolvimento continuam avançando. A HBO Max produz novas aventuras do universo DC, um seriado de Harry Potter e a terceira temporada de The Last of Us. Caso a plataforma seja desligada, todos esses títulos terão de encontrar abrigo no futuro serviço combinado, o que pode gerar mudanças nas janelas de exibição e nos contratos de licenciamento.
Fusão ainda depende de aprovação regulatória
O negócio Paramount Skydance/Warner Bros. Discovery não foi homologado pelos órgãos de defesa da concorrência. Questões antitruste podem atrasar – ou até barrar – a operação, mantendo cada serviço em seu próprio ecossistema por tempo indeterminado.
A incerteza também atinge o mercado de cinema, pois eventuais sinergias de streaming costumam influenciar calendários de lançamentos e verbas de marketing. O diretor Joe Carnahan, por exemplo, já comentou como falhas de divulgação impactaram Esquadrão Classe A; mudanças de estratégia em plataformas podem repetir o fenômeno em outras produções.
Vale a pena acompanhar a integração?
Para o leitor do Salada de Cinema, a resposta é sim: o desfecho definirá onde grandes franquias viverão nos próximos anos e como novos projetos receberão investimento. Entre a previsão de desligamento, o possível corte de pessoal e a maratona técnica que vem pela frente, o movimento da Paramount+ com a HBO Max é hoje um dos assuntos mais quentes – e incertos – da indústria do entretenimento.



