Ambição desenfreada, noites viradas e decisões que custam milhões: é nesse cenário que Industry, série da HBO lançada em 2020, constrói um retrato ácido da geração Z dentro do mercado financeiro.
Com a quarta temporada já no ar, a produção alcançou 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e entrou no Top 10 global da plataforma, chamando atenção de quem sente falta de Euphoria e Succession na grade.
Jovens gladiadores em ternos alinhados
Industry acompanha recém-formados que conquistam vagas no disputado banco de investimentos Pierpoint & Co, em Londres. O emprego dos sonhos logo se transforma em um campo de batalha psicológico, no qual cada relatório pode significar promoção ou demissão sumária.
O foco recai sobre Harper Stern (Myha’la), norte-americana brilhante e insegura que precisa provar valor diante da elite europeia. Ao lado dela despontam Yasmin Kara-Hanani (Marisa Abela), Robert Spearing (Harry Lawtey) e Gus Sackey (David Jonsson). Todos querem status, bônus polpudos e, acima de tudo, reconhecimento.
Pressão que não cabe na tela
Diferente de longas como O Lobo de Wall Street, Pierpoint surge sem glamour. Ali, corredores iluminados por telas de cotações funcionam como arenas onde chefes testam limites físicos e emocionais dos novatos. Cada erro recebe punição imediata, enquanto informações confidenciais viajam em cochichos venenosos.
Sexo como válvula de escape, drogas para manter a mente alerta e relações moldadas por conveniência são regra, não exceção. A linha que separa vida pessoal e profissional some à primeira virada de mercado, criando uma tensão que torna cada episódio imprevisível.
Mentoria ou manipulação?
Figura central nesse jogo de xadrez é Eric Tao (Ken Leung). Temido pelos pupilos, ele lembra um Logan Roy em versão bancária: aproxima-se dos talentos, promete ascensão rápida e, quando convém, descarta aliados sem piscar. Para Harper, essa relação é tanto oportunidade quanto bomba-relógio.
Por que Industry virou a nova obsessão da HBO
Ao equilibrar o caos emocional de Euphoria com a guerra de bastidores de Succession, Industry cria um híbrido difícil de largar. As falhas dos personagens, exibidas sem filtro, encontram repercussões imediatas no bolso e na reputação, elevando o suspense a cada planilha aberta.
Imagem: Divulgação
Salada de Cinema percebe que a série recompensa maratonas: alianças formadas na primeira temporada reverberam em tramas posteriores, e pequenos detalhes ganham peso conforme a hierarquia do banco muda. É TV pensada para quem gosta de revirar episódios em busca de pistas.
Entre Euphoria e Succession
Assim como Rue, Harper enfrenta vícios, crises de identidade e romances conturbados. Porém, enquanto a protagonista de Euphoria lida com consequências pessoais, os deslizes de Harper ameaçam bilhões de dólares. Já o DNA de Succession pulsa quando executivos manipulam números e carreiras para consolidar poder.
Hora perfeita para mergulhar
Com a quarta temporada estreando em janeiro e episódios novos até 1º de março, Industry cobre o intervalo antes da aguardada terceira temporada de Euphoria, prevista para abril. Quem entrar agora encontra três temporadas curtas, interligadas e cheias de ganchos, ideais para um fim de semana prolongado.
A narrativa mostra a corrosão do idealismo desses jovens: a cada negociação, eles se tornam mais cínicos, mais hábeis e, paradoxalmente, mais vulneráveis. O resultado é um retrato franco de como o sistema financeiro absorve ambição e devolve exaustão.
Ficha técnica
• Título original: Industry
• Gênero: Drama
• Estreia: 9 de novembro de 2020
• Plataforma: HBO / HBO Max
• Temporadas: 4 (em exibição)
• Elenco principal: Myha’la (Harper Stern), Marisa Abela (Yasmin Kara-Hanani), Harry Lawtey (Robert Spearing), David Jonsson (Gus Sackey), Ken Leung (Eric Tao)
• Direção: Isabella Eklöf, Tinge Krishnan, Ed Lilly, Birgitte Stærmose, Zoé Wittock, Caleb Femi, Mary Nighy, Konrad Kay, Lena Dunham, Mickey Down
• Avaliação crítica: 91% no Rotten Tomatoes



