Denzel Washington recebeu uma indicação ao Oscar por seu papel em Roman J. Israel, um drama que agora pode ser visto na Netflix. No entanto, este não é um filme fácil, e sua chegada ao streaming é a oportunidade perfeita para entender por que a obra de Dan Gilroy é, ao mesmo tempo, fascinante e frustrante.
A produção de 2017, Roman J. Israel, é a história de um homem que o tempo esqueceu. É um estudo de personagem sobre um idealista forçado a encarar um mundo que não tem mais espaço para seus ideais, e o que acontece quando até a alma mais pura tem um preço.
A história de Roman J. Israel
A narrativa nos apresenta a Roman J. Israel. Ele não é um advogado, mas um savant jurídico. Por décadas, ele trabalhou nos bastidores de um pequeno escritório de ativismo, escrevendo os processos que seu parceiro, o “rosto” da firma, apresentava no tribunal.
Roman vive em uma bolha, com seu Walkman, seus ternos largos e uma fé inabalável na justiça. Mas, essa bolha estoura quando seu parceiro morre.
Sem emprego, Roman é forçado a aceitar um trabalho em uma grande e lucrativa firma de advocacia, comandada pelo ambicioso George Pierce.
O choque com a realidade do sistema, onde o dinheiro fala mais alto que a moral, o leva a uma crise de consciência. Ele começa a questionar tudo o que sempre defendeu, até tomar uma decisão que trai cada princípio que guiou sua vida.
Uma ideia brilhante em eusca de um filme
O que torna Roman J. Israel, Esq. uma obra tão interessante é a sua premissa. O filme levanta questões importantes sobre o idealismo e o preço de se manter puro em um mundo corrupto.
Mas, o problema aqui, é que a execução “não tem roteiro e direção para abordar de forma mais dinâmica esse confronto. O filme é “bem parado”, e sua lentidão pode afastar quem espera um thriller.
Vindo do mesmo diretor de O Abutre, um filme que é pura adrenalina, a quietude aqui é uma escolha deliberada, mas arriscada. A obra se apoia inteiramente em seu protagonista. E é aqui que o filme encontra sua salvação.
A equipe por trás de um drama de personagem
A direção de Roman J. Israel é de Dan Gilroy. O filme vive e morre pela performance de Denzel Washington, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Ele não apenas atua, ele se transforma.

Vemos a genialidade e a inadequação social de Roman em sua caminhada desajeitada, em seus fones de ouvido que o isolam do mundo e na forma como ele recita códigos legais de memória.
Em contrapartida, Colin Farrell interpreta George Pierce, o rosto do sistema capitalista que Roman tanto despreza. Ele não é um vilão, tornando o conflito entre os dois ainda mais interessante.
Carmen Ejogo completa o trio de destaque de Roman J. Israel. O que torna o filme uma recomendação complexa é seu ritmo. É uma obra para quem aprecia um drama de personagem e, acima de tudo, uma aula de atuação, mas que exige paciência do espectador.
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