O fim de semana pós-Dia dos Namorados trouxe uma surpresa para a bilheteria norte-americana. A animação esportiva GOAT tomou o primeiro lugar de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights) logo em seu segundo sábado de exibição.
A virada confirma a força do público familiar e mostra que a controvérsia em torno do elenco do drama romântico não foi suficiente para sustentar o pico inicial. Salada de Cinema acompanha os números abaixo.
Troca de posições agita o ranking doméstico
Até a manhã de domingo, projeções indicavam US$ 17 milhões para GOAT no acumulado de três dias, contra US$ 14,2 milhões de O Morro dos Ventos Uivantes. A diferença foi suficiente para inverter a ordem estabelecida na estreia, quando o romance dirigido por Emerald Fennell abriu com US$ 32,8 milhões e a animação ficou logo atrás, com US$ 27,2 milhões.
A inversão se explica pela queda de 57 % de faturamento sofrida pelo live-action, contrastando com a retração de apenas 38 % do longa animado da Sony Pictures Animation. Esse comportamento é comum: títulos voltados a toda a família costumam manter desempenho mais estável, enquanto romances lançados em datas estratégicas — como o Dia dos Namorados — tendem a sofrer recuo acentuado na semana seguinte ao impulso inicial de sessões “a dois”.
O impacto na trajetória de O Morro dos Ventos Uivantes
Mesmo com a queda, o filme de Emerald Fennell soma US$ 60 milhões no mercado doméstico em apenas dez dias. Mundialmente, a quantia já ultrapassa o dobro desse valor, sugerindo que o drama se encaminha para o ponto de equilíbrio estimado em US$ 200 milhões, dado o orçamento reportado de US$ 80 milhões.
Produzido por Margot Robbie, que também interpreta Catherine Earnshaw, o longa recebeu atenção extra por escalar Jacob Elordi no papel de Heathcliff, escolha criticada por parte do público por não contemplar um ator preto ou mestiço. A polêmica, porém, não impediu que o título superasse a marca de US$ 150 milhões globais em seu primeiro giro pelos cinemas, encerrando um jejum de blockbusters estrelados por Robbie desde o fenômeno Barbie.
GOAT mostra fôlego com queda suave
Dirigido por Tyree Dillihay, GOAT segue a história do jovem bode Will Harris — dublado por Caleb McLaughlin — que sonha em brilhar numa liga de “roarball”. O apelo familiar e o humor leve contribuíram para uma redução modesta na arrecadação, elemento decisivo para ultrapassar o drama vitoriano.
Imagem: Doug Peters
Com o mesmo orçamento aproximado de US$ 80 milhões, a animação acumula US$ 58,3 milhões somente nos Estados Unidos e tem boas chances de alcançar o break-even até o fim da temporada, sobretudo se mantiver quedas abaixo dos 40 % nos próximos fins de semana. A estabilidade reforça a tradição de títulos animados que constroem bilheterias robustas a longo prazo.
I Can Only Imagine 2 estreia discreto, mas dentro do esperado
Único lançamento amplo da semana, o drama musical cristão I Can Only Imagine 2 abriu com US$ 8 milhões, valor inferior aos US$ 17,1 milhões do primeiro filme em 2018. Apesar da queda, o orçamento moderado de US$ 18 milhões deve facilitar o caminho para lucro, repetindo o desempenho positivo da produção original.
Com essa combinação de estreias e segundas semanas, o mercado norte-americano somou US$ 75,4 milhões, resultado apenas 3 % menor do que o mesmo intervalo em 2025, dominado então por Capitão América: Brave New World.
Vale a pena assistir?
Para quem busca uma animação leve com espírito esportivo, GOAT entrega humor e ritmo que agradam diferentes gerações. Já O Morro dos Ventos Uivantes aposta em um drama intenso, sustentado por performances de Margot Robbie e Jacob Elordi e pela direção de Emerald Fennell, ainda que envolto em debates sobre representatividade. Por fim, I Can Only Imagine 2 oferece mais uma dose de música e fé para o público que gostou do primeiro capítulo.



