O quinto capítulo da quarta temporada de Ventos Sombrios (Dark Winds) deixa o Novo México para trás e mantém o núcleo central vagando por Los Angeles, agora lado a lado com agentes do FBI. Enquanto Billie Tsosie segue desaparecida, Joe Leaphorn, Jim Chee e Bernadette Manuelito percebem que pisaram em um terreno ainda mais pantanoso do que imaginavam.
A trama acelera, mas o que realmente marca o episódio é o colapso físico e psicológico de Jim Chee. Interpretado por Kiowa Gordon, o ex-policial enfrenta o episódio mais agressivo de sua “doença dos fantasmas”, doença que ganhou novo significado graças a uma visão perturbadora dentro do apartamento de Leroy Gorman.
Jim Chee encara seu pior surto na busca por Leroy
Durante a varredura no apartamento de Leroy Gorman, Chee sofre o sangramento nasal mais intenso até aqui; a ferida no peito, já vista em capítulos anteriores, parece avançar numa infecção quase sobrenatural. Nesse momento, Gordon entrega um desempenho contido, mas carregado de dor, reforçando a fragilidade física e emocional do personagem.
O ponto alto vem quando Chee avista um corpo enrolado em cobertores, respirando com dificuldade. O som lembrava um pulmão lutando por ar, evocando instantaneamente a morte da mãe do personagem, vítima de câncer pulmonar. A câmera alterna entre close-ups de Chee adulto e breves flashbacks da infância, elemento visual que amplia o peso do luto sem recorrer a diálogos expositivos. Aqui, a direção acerta ao usar iluminação opaca para distinguir a visão do cenário real, criando uma atmosfera sufocante.
A chegada de Sonny Bear Heart muda o tabuleiro
Logo após o colapso, Chee é surpreendido por Sonny Bear Heart, que deveria estar desacordado após beber pesado. A cena inverte a balança de poder: o ferido vira predador ao perceber que Chee remexeu em seus arquivos para localizar Leroy. Como Sonny teria descoberto o disfarce de “Mike, do Arizona”? A resposta está na reação de uma moradora navajo que reconhece Chee, rachando a fachada cuidadosamente construída pelo investigador.
O timing da cena destaca o trabalho de som, especialmente no clique seco da arma apontada contra Chee, sublinhando o perigo imediato. A atuação de Kiowa Gordon, encharcada de suor e apreensão, contrasta com a calma calculada de Martin Sensmeier, tornando crível que Sonny tenha “dado o bote” no momento de maior vulnerabilidade do oponente.
Leaphorn liga as peças do quebra-cabeça do FBI
Paralelamente, Joe Leaphorn (Zahn McClarnon) vasculha a morte aparentemente suicida de Ken Upchurch. O tenente identifica uma tira de alumínio usada para abrir rações alemãs, detalhe suficiente para concluir que Irene, motorista da van verde, encenou o crime. A sequência demonstra o método do personagem: poucos gestos, olhar clínico e raciocínio ágil que conquista a confiança do FBI.
Imagem: Divulgação
Com McClarnon sustentando cada silêncio, a série evidencia que Leaphorn e Bernadette ganharam aliados federais. No entanto, a própria Irene percebe que o policial não largou o rastro – tensão que prepara o terreno para conflitos futuros. Esse tipo de reviravolta investigativa, aliás, lembra a reviravolta de vilão de Attack on Titan, em que pequenas pistas visuais redefinem todo o conflito.
O que o episódio revela sobre Dominic McNair
Já no ato final, o público enfim conhece o alcance de Dominic McNair, vivido por Titus Welliver. Empresário do ramo de importação e exportação em San Pedro, ele passa a boiar como possível chefão por trás das mortes encomendadas por Irene. A julgar pelo que o FBI compartilha, McNair estaria usando a empresa para traficar mercadorias, com testemunhas sumindo misteriosamente.
A introdução de Welliver ocorre em poucos minutos, mas vale pela economia narrativa: close frontal, fala curta e olhar duro bastam para definir um antagonista que remete aos milionários inescrupulosos das temporadas anteriores. Sem grandes discursos, o diretor mostra que McNair prefere terceirizar violência a se envolver diretamente – característica que o torna ainda mais imprevisível.
Vale a pena continuar assistindo?
Mesmo sem entregar todas as respostas, o quinto episódio prova que Dark Winds sabe equilibrar investigação policial, conflitos culturais e terror psicológico. A escalada do surto de Chee, reforçada pela atuação visceral de Kiowa Gordon, sustenta a tensão de ponta a ponta, enquanto a direção amarra as múltiplas linhas narrativas sem perder ritmo. Para quem acompanha o Salada de Cinema, fica claro que a série mantém o fôlego e promete desdobramentos ainda mais sombrios nas próximas semanas.




