Em Cash Queens, cinco mulheres endividadas encontram no roubo a saída para problemas que parecem insolúveis. Entre risadas e balas perdidas, a série francesa acompanha a escalada de crimes do grupo até o desfecho cheio de reviravoltas.
A trama, criada por Olivier Rosemberg e Carine Prévôt, aposta na química das protagonistas para equilibrar humor e tensão. Mas será que as atuações conseguem sustentar o ritmo frenético dos oito episódios? E, afinal, quem sai ganhando — ou vivo — depois do último golpe?
Elenco carismático sustenta a tensão
Rebecca Marder (Rosalie), Zoé Marchal (Kim), Naidra Ayadi (Sofia), Pascale Arbillot (Chloé) e Tya Deslauriers (Alex) formam um quinteto que transita bem entre o drama pessoal e a adrenalina dos assaltos. Marder conduz Rosalie com mistura de bravura e vulnerabilidade, destacando a devoção da personagem à família enquanto assume o papel de líder improvisada do bando.
Marchal, por sua vez, injeta energia em Kim, entregando cenas físicas convincentes nas perseguições e explorando as contradições de quem, ao mesmo tempo, quer fugir e proteger as amigas. Ayadi dá peso emocional à trajetória de Sofia, cuja relação conturbada com o ex-marido Qualid adiciona camadas extras à trama. O elenco de apoio, que inclui François Damiens como o prefeito corrupto e Jonathan Cohen no papel de Malik, amplia os conflitos sem ofuscar o núcleo principal.
Roteiro de Olivier Rosemberg e Carine Prévôt equilibra humor e crime?
O texto faz escolhas ousadas ao tratar de temas como pobreza e violência com tom leve. A premissa das ladras disfarçadas de homens rende situações cômicas, mas também expõe as discrepâncias de poder enfrentadas por mulheres em comunidades marginalizadas. O problema aparece quando a piada se estende além da conta e interrompe a construção de tensão — uma sensação semelhante ao que ocorre em Kohrra, que alterna investigação policial e drama familiar.
Ainda assim, o roteiro acerta ao distribuir motivações claras para cada integrante da gangue: dívidas, filhos para sustentar ou simplesmente falta de perspectivas. Essa abordagem cria empatia imediata e ajuda o espectador a acompanhar com atenção o efeito dominó provocado pelo primeiro roubo de 30 mil francos.
Direção e ritmo: quando a comédia atrapalha o suspense
Também diretor, Olivier Rosemberg investe em cenas de ação objetivas, priorizando tomadas curtas que simulam a urgência das protagonistas. O resultado funciona bem nas sequências de fuga — especialmente no último episódio, quando a carreata policial espalha caos pelas ruas de Marselha.
Imagem: Divulgação
Entretanto, a tentativa de manter o clima leve reduz o impacto de momentos-chave. O espectador mal digere a gravidade de Alex baleada antes de ser empurrado para a próxima gag visual. Esse vaivém de tom tira força do thriller e, por vezes, dá a impressão de que a série hesita em assumir de vez seu lado sombrio.
Desfecho: quem escapa, quem é preso e o que fica em aberto
No assalto final, o bando é chantageado por Ezechiel para roubar um carregamento de cocaína. A operação sai do controle: Alex leva um tiro, Kim tenta socorrê-la e a polícia inicia uma perseguição de alto risco. Para garantir a fuga das amigas, Rosalie se entrega como distração e desaparece da narrativa; o roteiro deixa seu destino em suspenso.
Enquanto isso, Hakim e Dylan fogem com parte do dinheiro, mas acabam se rendendo a Ezechiel. Chloé converte outra fatia da grana em camisetas de campanha para expor o prefeito de Marionnaud, que termina algemado logo após vencer a eleição. Já Qualid, ex-marido de Sofia, ressurge vivo após ser despachado em uma mala, prometendo mais problemas caso a série ganhe segunda temporada.
O arco de Malik e Chloé fica sem resolução: depois de um acidente de carro, o casal some das telas, reforçando a estratégia dos roteiristas de manter portas abertas para futuros episódios. Ao fim, as protagonistas conquistam momentâneo alívio financeiro, mas pagam alto preço em laços desfeitos, feridas físicas e possíveis sentenças de prisão.
Vale a pena maratonar Cash Queens?
Para quem curte histórias de assalto com personagens femininas complexas, Cash Queens entrega diversão ágil, boas atuações e críticas sociais pontuais. O excesso de piadas dilui parte do suspense, mas não elimina o charme do elenco. Se você procura uma série leve, porém tensa na medida, a produção — já discutida aqui no Salada de Cinema — merece uma chance, mesmo que restem dúvidas sobre o futuro de Rosalie e companhia.



