A DreamWorks Animation liberou o aguardado primeiro trailer de Forgotten Island, única produção do estúdio prevista para 2026. O vídeo de pouco mais de dois minutos apresenta o ponto de partida da trama e confirma a aposta do estúdio num roteiro original, algo que não ocorria desde Orion and the Dark, em 2024.
Nosso olhar se volta para Jo e Raissa, melhores amigas desde 1990, que precisam enfrentar uma ilha mágica chamada Nakali e, ao mesmo tempo, a ameaça de perder as lembranças que constroem a própria amizade. O lançamento reacende a curiosidade em torno da performance vocal do elenco e do estilo de direção de Joel Crawford e Januel Mercado.
Elenco de vozes promete química e sensibilidade
A dupla protagonista é interpretada por H.E.R. (Jo) e Liza Soberano (Raissa). Logo nos primeiros segundos do trailer, a cantora vencedora do Grammy imprime fragilidade e determinação à personagem Jo, especialmente quando incentiva a amiga a trilhar o próprio caminho após a formatura.
Liza Soberano, conhecida por trabalhos em live-actions filipinos, surge com entonação mais emotiva. A breve cena em que Raissa sofre um ataque de pânico reforça a capacidade da atriz de dosar desespero e esperança. A interação entre as duas sugere uma química de palco que pode lembrar duplas marcantes de animações recentes, como Puss in Boots: The Last Wish, também dirigido por Crawford.
Entre as vozes de apoio estão Dave Franco, Lea Salonga, Jenny Slate, Manny Jacinto, Dolly de Leon, Jo Koy e Ronny Chieng. Cada nome carrega experiências em comédia ou musical, sinalizando uma diversidade de timbres que pode enriquecer os diálogos de Nakali, ilha cujas criaturas já se mostram peculiares no trailer.
Direção de Joel Crawford e Januel Mercado mantém ritmo ágil
Joel Crawford volta a colaborar com o produtor Mark Swift depois do elogiado O Gato de Botas 2. Na prévia de Forgotten Island, percebe-se o uso de cortes rápidos, recurso que imprime urgência à jornada das amigas em busca de uma saída antes que as lembranças evaporem. O dinamismo é reforçado pela trilha de Simple Minds, Don’t You (Forget About Me), que sublinha o tema da memória sem soar didático.
Januel Mercado, corroteirista e codiretor, já havia mostrado talento para coreografar ação em The Croods: A New Age. Aqui, a dupla aposta em enquadramentos abertos para valorizar as paisagens tropicais de Nakali e closes nos rostos das personagens, estratégia que humaniza o drama emocional. O contraste entre a imensidão da ilha e a intimidade dos conflitos pessoais realça o argumento central: lembrar é resistir.
Análise da construção de mundo e simbolismos
Nakali, ou “Ilha Esquecida”, surge como antagonista silenciosa. A regra “quanto mais tempo, mais memórias se perdem” cria tensão imediata, lembrando dispositivos dramáticos de filmes como Inside Out, mas com roupagem de aventura. O choque visual provocado por um pássaro gigante na praia indica que a animação não economizará em criaturas exóticas, mantendo a tradição de design arrojado da DreamWorks.
O roteiro utiliza canções pop dos anos 90 para construir pontes afetivas com o público. Primeiro, o hit do Simple Minds marca o nascimento da amizade em 1990; depois, Who Let the Dogs Out? do Baha Men vira ferramenta para controlar a ansiedade de Raissa. São escolhas que funcionam como gatilhos de lembrança, reforçando o eixo temático sem recorrer a exposições excessivas.
Imagem: Divulgação
Além disso, a discussão sobre futuro e percurso profissional das meninas traz um subtexto contemporâneo: a pressão familiar versus a vontade de sonhar. Elemento que pode dialogar com fãs adolescentes e com adultos nostálgicos, ampliando o alcance da narrativa e potencializando as chances de Forgotten Island entrar no radar de hits recentes de bilheteria, como o esperado Spider-Man: Brand New Day.
Expectativas para a estreia em setembro de 2026
O trailer encerra com a dupla declarando a necessidade de um plano de fuga, sugerindo que a história deve equilibrar emoção e humor. Mark Swift, produtor com longa trajetória em projetos familiares, parece apostar novamente numa estrutura que privilegia set pieces de ação curtas, mas impactantes, intercaladas por momentos de diálogo sincero.
Forgotten Island chega aos cinemas em 25 de setembro de 2026, marcando o único lançamento da DreamWorks no ano. A estratégia de concentrar esforços numa única produção original demonstra confiança no material. Vale lembrar que, em 2025, o estúdio dividirá sua atenção entre Dog Man, o remake live-action de Como Treinar o Seu Dragão e outras continuações, o que torna a nova aventura ainda mais distinta.
Para o público brasileiro, a combinação de dublagem estrelada e nostalgia musical deve gerar identificação imediata. Não à toa, discussões sobre possível trilha nacional já movimentam fóruns de fãs, antecipando playlists nostálgicas e memes que certamente vão pipocar nas redes sociais próximas ao lançamento.
Forgotten Island vale o ingresso?
A julgar pela amostra apresentada, Forgotten Island tem potencial para se tornar mais um sucesso do catálogo da DreamWorks. O carisma de H.E.R. e Liza Soberano, aliado à direção experiente de Crawford e Mercado, constrói expectativas sólidas. Se o filme mantiver o equilíbrio entre aventura fantástica e drama de crescimento pessoal que o trailer adianta, o público encontrará uma jornada emotiva e visualmente vibrante.
Quem acompanha o Salada de Cinema sabe que o estúdio acerta quando aposta em afeto, humor e mundos inventivos. Caso a produção entregue toda a densidade prometida, vale reservar a data de estreia no calendário e conferir como Jo e Raissa lutarão para que suas memórias — e, por tabela, sua amizade — não se percam na névoa de Nakali.









