O documentário Melania, centrado nos 20 dias que antecederam a segunda posse presidencial de Donald Trump, ganhou data oficial de estreia no Prime Video: 9 de março. O longa, lançado nos cinemas em 30 de janeiro, havia quebrado o recorde de maior abertura para um documentário não musical desde 2012, arrecadando US$ 7 milhões no fim de semana de estreia.
Apesar do feito, a produção amargou 11% de aprovação no Rotten Tomatoes e encerrou a carreira nas telonas com apenas US$ 16,6 milhões, bem abaixo do orçamento de US$ 40 milhões. Agora, a Amazon espera recuperar parte do investimento com a chegada ao streaming.
Contexto da produção de Melania
Dirigido por Brett Ratner, veterano de Hora do Rush e afastado do cinema desde que enfrentou denúncias de má conduta sexual, Melania marca seu retorno aos bastidores de Hollywood. A obra acompanha a então primeira-dama em compromissos que vão de reuniões com seu estilista a discussões diplomáticas, além da presença no funeral de Jimmy Carter.
Com roteiro estruturado em ordem cronológica, o documentário intercala momentos de bastidor com passagens formais, sempre embalado por trilha orquestral que reforça a pompa do retrato presidencial. O projeto conta com produção de Fernando Sulichin, Ratner, Melania Trump e Marc Beckman, reforçando o caráter fortemente pessoal do material.
Retrato de Melania diante das câmeras
Como protagonista de si mesma, Melania Trump surge em cena quase sempre contida, falando pouco e cercada de assessores. O olhar de Ratner tenta realçar elegância e serenidade, mas críticos apontaram que o filme pouco revela sobre a personalidade real da ex-modelo. A promessa de “acesso íntimo” transforma-se, segundo as resenhas, em observações superficiais de agendas oficiais.
Mesmo com tempo de tela limitado, Donald Trump aparece como coadjuvante, sobretudo em rápidas reuniões familiares. A montagem aposta em planos fechados para captar reações, mas evita conflitos ou perguntas incômodas. O resultado, na avaliação negativa da imprensa norte-americana, é um registro que “parece propaganda” em vez de investigação jornalística.
Recepção crítica e números de bilheteria
Logo após o lançamento, Melania recebeu 11% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes. Muitos resenhistas consideraram o longa auto-promocional, criticando a falta de questionamentos ou revelações relevantes sobre a primeira-dama. A produção, contudo, alcançou 99% de aprovação do público que comprou ingresso, indicando forte divisão de percepção.
Em termos financeiros, o documentário conquistou um feito histórico ao abrir com US$ 7 milhões, superando qualquer não-concert film em 12 anos. Porém, o fôlego curto fez a arrecadação total estacionar em US$ 16,6 milhões, cifra insuficiente para cobrir o orçamento elevado. A situação lembra a de produções caras que fracassaram recentemente, como observado na crítica de War Machine publicada aqui no Salada de Cinema.
Imagem: Divulgação
O salto para o streaming no Prime Video
Diante do desempenho nos cinemas, a Amazon definiu 9 de março como a data para disponibilizar Melania no Prime Video. A estratégia mira assinantes interessados em política norte-americana e na figura de Melania Trump, apresentando o documentário como “retrato elegante e sofisticado” — descrição que ecoa o marketing da estreia.
Com o lançamento digital, o estúdio tenta atrair “audiência presidencial” e prolongar a conversa em pleno ano eleitoral nos Estados Unidos. A expectativa é de que o número alto de assinantes compense a bilheteria modesta, transformando o título em peça de catálogo de peso para a plataforma.
Vale a pena assistir a Melania?
Para quem busca um mergulho profundo na vida privada da ex-primeira-dama, Melania pode soar raso. O foco quase cerimonial limita revelações e privilegia a imagem pública. Já espectadores atraídos por bastidores de eventos oficiais encontrarão registros detalhados de protocolos, figurinos e encenações do poder.
A direção de Ratner prioriza estética polida, com fotografia luminosa e ritmo contido, reforçando a aura de sofisticação. Contudo, a ausência de contrapontos críticos pesa na avaliação jornalística, refletida na baixa nota dos especialistas.
Melania, portanto, funciona mais como documento de culto à personalidade do que como investigação. O streaming, ao menos, oferece a chance de conferir essa experiência pomposa sem o custo do ingresso.


