Undertone (Undertone) chega aos cinemas em 13 de março de 2026 prometendo mexer tanto com a nostalgia quanto com o medo. O longa, distribuído pela A24, utiliza canções de berçário como gatilho para sustos e paranoia, ideia que nasceu do mergulho do estreante Ian Tuason no universo das creepypastas.
Com apenas 84 minutos e elenco enxuto encabeçado por Nina Kiri, o filme aposta numa atmosfera claustrofóbica guiada por áudios assustadores. A seguir, o Salada de Cinema destrincha a criação, o elenco e os planos do diretor para transformar cantigas infantis em puro pesadelo.
Concepção sombria de Ian Tuason
Tuason, que assina roteiro e direção, confessou que passa horas vasculhando fóruns em busca de lendas urbanas digitais que o deixem de cabelo em pé. Foi assim que encontrou um relato sobre mensagem subliminar em uma música de rock; antes mesmo de identificar o suposto código, ele já sentia arrepios.
O susto o levou a cavar ainda mais fundo, até topar com uma canção de Vila Sésamo que, segundo outro usuário, escondia frases perturbadoras. O choque foi tão grande que Tuason escreveu dois dias inteiros de Undertone ouvindo esse mesmo trecho repetidamente. Sem recursos para bancar os direitos autorais, trocou a faixa por Baa, Baa, Black Sheep e London Bridge – músicas de domínio público que acabaram casando melhor com o enredo.
Canções infantis transformadas em terror
No filme, Baa, Baa, Black Sheep vira a trilha fantasmagórica dos ataques do espírito Abyzou, entidade que escolhe a apresentadora de podcast Evy Babic como alvo. A letra aparentemente inocente ganha significado sombrio ao ecoar traumas familiares da protagonista – um elo narrativo que sustenta grande parte da tensão.
Já London Bridge surge nos fones de ouvido de Justin, parceiro de estúdio de Evy, carregada de comandos sinistros que só ele consegue captar. O recurso cria discordância entre os personagens e intensifica o isolamento, elemento clássico do terror psicológico que A24 tanto gosta de explorar.
Atuação intimista de Nina Kiri e companhia
Nina Kiri, conhecida de The Handmaid’s Tale, é vista em praticamente todos os quadros de Undertone. A atriz interpreta Evy com a combinação de curiosidade e medo que o papel exige, já que a personagem passa do ceticismo ao pânico conforme cada novo arquivo de áudio chega.
Imagem: Divulgação
Boa parte do elenco, incluindo Adam DiMarco, Michèle Duquet, Keana Lyn Bastidas e Jeff Yung, participa somente por voz. DiMarco, porém, divide o espaço físico com Kiri, dando a Justin expressões de cansaço crescente à medida que as mensagens de London Bridge se tornam mais viscerais. Não por acaso, a matéria sobre o mergulho sonoro dos atores destaca como ambos precisaram confiar na própria imaginação para reagir a ruídos que, no set, muitas vezes nem tocavam.
Espaço para uma trilogia sonora
Durante entrevista, Tuason confirmou que pretende transformar Undertone em trilogia, embora mantenha em segredo o rumo dos próximos capítulos. A intenção é seguir investigando mensagens ocultas em músicas infantis, o que abre caminho para novas melodias perturbadoras – quem sabe até voltar à Vila Sésamo, caso o sucesso de bilheteria justifique a compra dos direitos.
Com roteiro construído a partir de áudios e não de sustos visuais, o formato dá liberdade para o diretor brincar com a psique dos personagens e, consequentemente, da plateia. Essa mesma pegada minimalista já garantiu bons resultados à A24 em outras produções de baixo orçamento e atmosfera densa.
Vale a pena assistir?
Se a ideia de ouvir Baa, Baa, Black Sheep sob uma nova perspectiva já provoca calafrios, Undertone promete experiência singular. A combinação de atuações contidas, duração enxuta e foco em terror auditivo pode agradar quem busca suspense mais psicológico do que sangrento. Para fãs de creepypastas, o longa ainda funciona como homenagem à cultura online que alimenta nossos maiores medos.


