Os corredores sombrios da Nevermore Academy acabam de ganhar um novo nome de peso. Winona Ryder, rosto histórico do terror e musa frequente de Tim Burton, foi confirmada na terceira temporada de Wandinha, atualmente em filmagens na Irlanda com previsão de estreia para 2026.
A chegada da atriz, que passou nove anos vivendo Joyce Byers em Stranger Things, não só aumenta o hype em torno da produção como marca, na prática, a passagem de bastão entre as duas maiores séries sobrenaturais da Netflix.
Winona Ryder leva bagagem de terror para Nevermore
Ryder e Burton formam uma dupla criativa desde Os Fantasmas se Divertem (1988). De lá para cá vieram Edward Mãos de Tesoura, Frankenweenie e, mais recentemente, Beetlejuice Beetlejuice. Todo esse currículo indica que a atriz chega a Wandinha com pleno domínio do gênero gótico que a série abraça.
Em Stranger Things, sua performance intensa equilibrava pânico e ternura, funcional para a trama, mas aqui o terreno é outro. A expectativa dos showrunners Alfred Gough e Miles Millar, que já trabalharam com ela em Beetlejuice Beetlejuice, é usar esse repertório para criar um contraponto direto à energia sardônica de Jenna Ortega. Mesmo sem detalhes sobre o papel, sabe-se que será um personagem com bastante interação com Wandinha Addams, garantindo choques verbais e olhares fulminantes que fizeram da primeira temporada um ímã de GIFs e memes.
Eva Green expande a árvore genealógica da Família Addams
Outro reforço anunciado é Eva Green, escalada para viver Ophelia Frump, irmã de Mortícia (Catherine Zeta-Jones). Green, conhecida pela intensidade em Penny Dreadful e Cassino Royale, encaixa como luva na estética mórbida que Burton persegue.
Com o acréscimo da personagem, a dinâmica familiar ganha novas camadas. A afinidade prévia entre Green e Zeta-Jones promete duelos de olhares tão cortantes quanto o machado de Gomez. Para o público, trata-se de uma evolução orgânica: a série já vinha indicando curiosidade sobre o passado de Mortícia, e Ophelia surge para preencher essa lacuna.
Direção de Tim Burton e roteiro de Gough & Millar: engrenagem bem lubrificada
Burton, que segue como produtor executivo e dirigiu metade dos episódios iniciais, mantém o controle do visual expressionista que transformou corredores colegiais em passarelas de trevas. Sua parceria com Alfred Gough e Miles Millar — responsáveis por textos que equilibram sarcasmo adolescente e mistério sobrenatural — continua a ser o motor narrativo.
Imagem: Divulgação
A sintonia entre o trio foi turbinada pelo reencontro em Beetlejuice Beetlejuice. Agora, com Ryder a bordo, há uma vantagem extra: a atriz domina o “idioma Burton” e deve facilitar leituras de mesa mais ágeis, acelerando um cronograma já apertado. É um cenário parecido com o de produções comentadas no Salada de Cinema, como a série Dark, em que direção e roteiro conversam para criar atmosferas densas sem perder o fio da trama.
Números que sustentam a troca de bastão na Netflix
Quando Stranger Things encerrou a quinta temporada, cravou o posto de segunda série em língua inglesa mais assistida da plataforma. Já Wandinha, mesmo com apenas duas temporadas completas, ocupa o topo desse ranking.
Em termos de recepção crítica, as notas do Rotten Tomatoes mantêm ambas em zona confortável: 90% de aprovação para Stranger Things entre críticos, contra 87% de Wandinha. Entre o público, 83% versus 76%. A diferença reflete perfis distintos: a série dos anos 1980 dialoga forte com millennials, enquanto Wandinha viralizou no TikTok graças à coreografia de Jenna Ortega e ao humor ácido, atraindo a geração Z. Esse fenômeno de engajamento lembra o poder que A Maldição da Residência Hill exerceu sobre o terror moderno no streaming.
O volume de visualizações, somado à popularidade de Ryder e à inclusão de Eva Green, reforça a estratégia da Netflix em manter o público do terror adolescente fidelizado após o adeus ao Mundo Invertido.
Vale a pena acompanhar a nova fase de Wandinha?
Se o histórico de Burton com Ryder serve de termômetro, a terceira temporada deve aprofundar o humor sombrio e explorar tensões familiares ainda inexploradas. Somam-se a isso a presença magnética de Eva Green e a já comprovada química entre Jenna Ortega e Ryder. Para quem sentiu o vazio deixado por Stranger Things, Wandinha surge não apenas como sucessora natural, mas como série pronta para pavimentar seu próprio legado dentro da Netflix.


