Tom Hardy esteve muito perto de reaparecer em Peaky Blinders: O Homem Imortal, filme lançado pela Netflix em março de 2026. O criador Steven Knight revelou que planejava transformar Alfie Solomons em uma presença fantasmagórica, numa virada de roteiro digna de O Sexto Sentido.
A informação veio à tona após a estreia do longa, que encerra a trajetória de Tommy Shelby. Segundo Knight, o plano envolvia mostrar que Alfie morreu, de fato, no desfecho da quarta temporada, fazendo com que todas as cenas subsequentes fossem alucinações de Tommy.
O retorno fantasma que ficou de fora
Em conversa com o The Hollywood Reporter, Steven Knight detalhou o conceito descartado: desde que Tommy atirou em Alfie na praia de Margate, os dois só apareceram juntos quando estavam sozinhos em cena. A intenção era usar esse detalhe para revelar que, na verdade, ninguém mais via Alfie porque ele já não existia entre os vivos.
Knight admitiu ter levado a ideia adiante por um bom tempo. O criador chegou a visualizar Tom Hardy surgindo diante de Tommy apenas para, no clímax, ficar claro que o gângster judeu era um fantasma. A revelação se encaixaria na temática recorrente da série, na qual Shelby é atormentado por visões de pessoas mortas, como Grace e a pequena Ruby.
Impacto na trajetória de Tommy Shelby
Se tivesse sido filmada, a reviravolta reforçaria o estado psicológico cada vez mais frágil de Tommy. Desde o começo da trama, o protagonista interpretado por Cillian Murphy convive com traumas de guerra e culpa por mortes que causou. Ver Alfie como um espectro seria mais um sintoma desse desgaste emocional.
Na prática, a cena ajudaria a explicar como Tommy suportou a culpa de ter desfigurado e “matado” um aliado ocasional. Ao mesmo tempo, mostraria que, mesmo vivo na memória do rival, Alfie já não exercia influência direta nos eventos reais, algo que se conecta ao desfecho definitivo de Shelby em O Homem Imortal.
Trabalho de direção e roteiro
O longa tem direção de Tom Harper, que conduziu as 112 minutos de projeção com foco na melancolia característica da série. Já o roteiro, assinado pelo próprio Steven Knight, manteve diversos elementos sombrios, ainda que a ideia do fantasma de Alfie tenha ficado no papel.
A colaboração entre Harper e Knight apostou em flashbacks pontuais e em figurinos carregados de simbolismo, recursos que serviriam para inserir o possível twist. Mesmo cortada, a reviravolta serviu de guia durante a pré-produção, influenciando a atmosfera de isolamento sentida nas poucas cenas em que Tommy aparece sozinho.
Imagem: Divulgação
Ausência de Tom Hardy no elenco final
Embora não apareça no corte final, Hardy segue associado à aura da produção. Alfie foi peça-chave desde sua estreia, na segunda temporada, tanto que muitos fãs esperavam sua presença. A decisão de deixá-lo fora reforçou a sensação de perda que permeia o filme – sobretudo depois da morte de Tommy ao fim da história.
Steven Knight indicou que, com o arco de Shelby encerrado e uma vindoura série derivada ambientada em 1953, a volta de Alfie se torna remota. O próprio Salada de Cinema já destacou como projetos paralelos, como grandes lançamentos marcados para o Natal, competem pela atenção do público, fazendo com que produções derivadas precisem de apelo extra — algo que, no caso de Peaky Blinders, Tom Hardy sempre garantiu.
Mesmo sem estar em cena, a atuação do britânico segue sendo lembrada pelo impacto visual criado desde a quarta temporada, quando metade do rosto de Alfie foi reconstruída. Essa aparência, por si só, já dava ao personagem um ar espectral, característica que teria sido potencializada caso Hardy voltasse como fantasma.
Vale a pena assistir Peaky Blinders: O Homem Imortal?
Para quem acompanha a saga desde o início, o longa entrega um fechamento coeso à jornada de Tommy Shelby. A ausência de Tom Hardy gera curiosidade, mas não compromete a narrativa principal. Por outro lado, saber que um twist envolvendo Alfie Solomons quase existiu adiciona uma camada de fascínio aos bastidores da produção.
Com direção segura de Tom Harper, roteiro guiado por Steven Knight e performances intensas de Cillian Murphy, Peaky Blinders: O Homem Imortal consolida o fim de uma era sem recorrer a retornos fáceis. Ainda que o fantasma de Alfie tenha ficado de fora, o impacto de sua possível aparição revela o cuidado do time criativo em equilibrar surpresas com coerência dramática.
No saldo final, o filme dialoga com o legado da série, reforça a solidão de Tommy e se despede dos criminosos de Birmingham no auge da própria mitologia. Essa consistência narrativa, aliada ao trabalho de elenco, faz da obra um capítulo essencial para quem deseja ver, entender e completar a história dos Peaky Blinders.



