O multiverso do Homem-Aranha vai ganhar mais um braço em 2026, mas nem todo herói animado pretende atravessar o portal. Jake Johnson, voz de Peter B. Parker nos longas do Aranhaverso, acredita que seu alter ego deve continuar restrito à animação, ao contrário do colega Nicolas Cage, escalado para protagonizar Spider-Noir em live-action.
Durante passagem pelo SXSW, Johnson falou sobre futuro, elogiou os roteiros da próxima animação Spider-Man: Beyond the Spider-Verse e destacou a participação de antigos parceiros de tela na nova série noir. Abaixo, destrinchamos o que o ator disse, analisamos o peso das escolhas de elenco e revisitamos quem comanda cada produção.
Jake Johnson e o vínculo com Peter B. Parker
Introduzido em 2018, o Peter B. Parker de Jake Johnson ganhou popularidade ao mostrar um Homem-Aranha de meia-idade, cansado da rotina heroica e abalado pelo divórcio de Mary Jane. A performance do ator, conhecida pela cadência cômica herdada de New Girl, trouxe vulnerabilidade e timing preciso para as falas, conquistando público e crítica.
Na sequência, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, Johnson elevou o tom emocional ao interpretar um Peter reconciliado com MJ e lidando com a paternidade de Mayday. A maturidade vocal do ator amplia a dimensão desse herói, que oscila entre aconselhar Miles Morales e trocar fraldas enquanto salta entre universos. É esse equilíbrio que explica por que muitos fãs sonham em vê-lo em live-action.
Questionado sobre essa possibilidade, contudo, o ator foi direto: “Eu não gostaria de fazer”. O discurso remete à percepção de que a dublagem lhe permite exageros físicos e humorísticos difíceis de replicar em tela real sem perder parte do charme. Além disso, Johnson reforçou que já está envolvido nas novas gravações de Beyond the Spider-Verse, priorizando o trabalho de voz.
Nicolas Cage assume o centro do palco em Spider-Noir
Enquanto Johnson aponta para os estúdios de som, Nicolas Cage prepara a cartola e o sobretudo para vestir o Aranha Noir na década de 1930. A série, planejada para chegar ao MGM+ em 25 de maio de 2026 e ao Prime Video globalmente em 27 de maio, marca o retorno do astro a super-heróis live-action após Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2011).
Johnson celebrou a escalação, destacando o carisma peculiar de Cage e a presença de Lamorne Morris, parceiro de New Girl, no elenco. Para o intérprete de Peter B. Parker, a energia imprevisível de Cage encaixa com o tom sombrio da série ambientada em plena Grande Depressão. O próprio material de divulgação indica que veremos um detetive envelhecido confrontar memórias de glórias passadas, recurso dramático que deve explorar nuances mais contidas do ator vencedor do Oscar.
Curiosamente, Spider-Noir não compartilha continuidade direta com as animações. Na trama, Cage encarna uma variante de Ben Reilly, versão Scarlet Spider nos quadrinhos, criando uma linha temporal isolada. Mesmo sem crossover garantido, a proposta mantém viva a tendência de multiplicar encarnações do Aranha, pavimentando espaço para outras vozes e estilos.
Bastidores e roteiro de Spider-Man: Beyond the Spider-Verse
Anunciado em 2018, o capítulo final da trilogia animada passou por atrasos e ajustes de calendário, mas Johnson confirma que as cabines de gravação estão a todo vapor. Segundo ele, o texto assinado por Dave Callaham, Phil Lord e Christopher Miller “é muito bom” e “vale a espera”.
Lord e Miller, também produtores, são conhecidos por criar diálogos rápidos, referências culturais e humor metalinguístico, como demonstrado em Uma Aventura LEGO e Anjos da Lei. A dupla se apoia em direção conjunta de Bob Persichetti e Justin K. Thompson para manter o visual arrojado que virou marca do Aranhaverso.
Imagem: Divulgação
Johnson não descreveu detalhes da história, mas, pela lógica multiversal, espera-se a volta de Miles (Shameik Moore), Gwen (Hailee Steinfeld) e novos mundos. A esfera criativa de Lord e Miller se mostra robusta: além do longa, há planejamentos para filmes de Spider-Mulheres e Spider-Punk, este último tendo o ator Daniel Kaluuya envolvido no roteiro, cenário parecido com a multiplicação de projetos citada recentemente pelo sci-fi intimista Anima que dominou debates sobre memória durante festivais.
Caminhos futuros para o elenco do Aranhaverso
A recusa de Johnson em migrar para live-action não encerra a chance de participações especiais. O multiverso permite aparições relâmpago, seja em animação, seja em frames de um eventual portal. Além disso, o MCU e o universo live-action da Sony vêm flertando com referências animadas, o que abre brecha para vozes familiares ecoarem em momentos-surpresa.
Outra porta é o conjunto de derivados citados pelos estúdios. Spider-Mulheres promete introduzir Cindy Moon/Silk e retomar Jessica Drew de Issa Rae. Já Spider-Punk, com roteiro de Kaluuya e Ajon Singh, pode replicar o espírito anárquico que o personagem exalou em Através do Aranhaverso. Caso alguma trama exija um mentor experiente, a persona cansada e espirituosa de Peter B. Parker caberia com facilidade.
Do ponto de vista de produção, manter Johnson apenas na dublagem evita conflitos de agenda, especialmente agora que o ator divulga o drama The Sun Never Sets, também exibido no SXSW. O jogo de xadrez de datas lembra decisões recentes de estúdios, como a Paramount, que reavaliou franquias após polêmicas, a exemplo do caso G.I. Joe detalhado pelo Salada de Cinema em matéria sobre a mudança nos planos do estúdio.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem acompanha o Aranhaverso desde 2018, Beyond the Spider-Verse desponta como culminância de arcos emocionais e evoluções estéticas. Jake Johnson segue afinado na dublagem, sustentando o tom de mentor atrapalhado que conquistou o público. Sua decisão de permanecer na animação preserva a coerência dessa representação.
Já Spider-Noir representa experimento ousado: transportar o estilo frenético do Aranhaverso para uma narrativa policial noir, ancorada pela expressividade de Nicolas Cage. A presença de Lamorne Morris adiciona química conhecida dos fãs de New Girl, o que pode atrair interessados em ver a dupla em registros diferentes.
Com roteiristas premiados, diretores experientes em animação e um elenco que sabe balancear drama e humor, ambos os projetos reforçam a vitalidade do universo do Homem-Aranha. Fica a expectativa para descobrir como essas produções dialogarão entre si sem fragilizar identidades próprias, tarefa que Lord, Miller e companhia vêm dominando com criatividade ímpar.


