Desde 2017, quem acompanha Doctor Who coleciona expectativas e frustrações em torno do episódio que encerra cada temporada. A sensação de vazio cresceu com The War Between the Land and the Sea, spin-off transmitido em maio de 2024, que chegou cercado de esperança por marcar o retorno de grandes nomes da franquia.
Apesar de uma narrativa envolvente e de temas ambientais bem trabalhados, o capítulo final, intitulado The End of the War, não entregou o impacto emocional que o público esperava do chamado finale de Doctor Who. Com isso, o jejum de oito anos permanece.
O que faltou em The War Between the Land and the Sea para ser um grande finale de Doctor Who
A BBC apresentou The War Between the Land and the Sea como uma história paralela focada na espécie Homo aqua, que vive nos oceanos. O roteiro reuniu personagens populares, como Kate Lethbridge-Stewart (Jemma Redgrave) e Barclay (Russell Tovey), mesclando drama familiar, política e discussões ecológicas. Durante quase toda a temporada, o tom permaneceu sóbrio, evitando a fantasia típica da série principal e apostando em ciência plausível.
O episódio final, no entanto, adotou uma virada inesperadamente leve após mostrar um verdadeiro massacre nos mares. A trama flertou com o conceito “os vilões vencem” — algo raro na franquia — quando Homo aqua se rendeu à humanidade diante de um cenário de corpos flutuando. Essa abordagem prometia um encerramento sombrio e realista, mas o roteiro recuou nos minutos finais, oferecendo um final feliz para o casal inter-espécies Salt e Barclay. Eles nadam juntos rumo a um futuro incerto, enquanto espectadores ainda processavam o genocídio mostrado anteriormente.
Para muitos fãs, o contraste de tom quebrou a imersão. O romance ganhou destaque num momento em que a narrativa pedia reflexão sobre as consequências da guerra. Além disso, o surgimento repentino de guelras em Barclay — recurso sem explicação científica — destoou do cuidado visto nos capítulos anteriores e trouxe de volta o clima “fantasioso” típico, mas evitado pela atração até então.
Quando o encanto se perde no momento decisivo
Críticos apontam que o spin-off tinha tudo para encerrar a temporada com força dramática, bastando aceitar um final amargo: Barclay e Salt poderiam seguir caminhos distintos, cada um lidando com o trauma de suas espécies. A opção por romantizar o desfecho evidenciou o receio de entregar algo “depressivo demais”, segundo bastidores comentados pela imprensa britânica. Também reforçou a percepção de que a franquia enfrenta dificuldade em manter consistência no clímax desde World Enough and Time / The Doctor Falls, último finale aclamado, em 2017.
Dentro da cronologia recente, Army of Ghosts/Doomsday (2006), The End of Time (2010), The Name of the Doctor (2013) e Heaven Sent/Hell Bent (2015) são lembrados como marcos pelo público. Mas a distância entre esses episódios e o presente acendeu o debate sobre a necessidade de uma abordagem mais corajosa para devolver o efeito “cai o queixo” que caracterizou a era Russell T Davies a partir de 2005.
Imagem: Divulgação
No Salada de Cinema, leitores têm relatado que, sem um finale de Doctor Who realmente impactante, o envolvimento com a série diminui ao longo do ano. A retomada da produção principal, prevista para 2025 com Ncuti Gatwa no papel do Doutor, será a próxima chance de romper o ciclo.
Enquanto isso, The War Between the Land and the Sea figura como entretenimento sólido, com média 7,3/10 em avaliações de usuários, mas fica aquém do status de “grande finale”. A reação mista acentua a urgência por histórias que mantenham coerência até o último minuto e não temam consequências narrativas mais sérias.
Ficha técnica
• Título do episódio final: The End of the War
• Série: The War Between the Land and the Sea (spin-off de Doctor Who)
• Exibição: 11 de maio de 2024, BBC One
• Direção: Alex Pillai
• Roteiro: Pete McTighe
• Elenco destaque: Jemma Redgrave (Kate Lethbridge-Stewart), Russell Tovey (Barclay)
• Gênero: Drama, Aventura, Ficção Científica
• Classificação indicativa: TV-PG



