Quando o assunto é Disney+, logo vêm à mente sabres de luz e uniformes de super-heróis. No entanto, o catálogo do streaming abriga produções originais que caminham por gêneros variados, apostam em elencos carismáticos e apresentam direções ousadas. Esses títulos formam uma lista robusta que merece atenção de quem busca as melhores séries do Disney+ fora dos universos já consagrados.
Do épico juvenil “Percy Jackson and the Olympians” ao docu-reality “Harlem Ice”, cada obra revela escolhas criativas de roteiristas e diretores, além de atuações que conquistam diferentes faixas etárias. A seguir, o Salada de Cinema analisa nove produções que confirmam a versatilidade do serviço.
Aventuras literárias ganham ar novo
A aguardada série “Percy Jackson and the Olympians” (2023-presente) finalmente trouxe a fidelidade que os leitores de Rick Riordan pediam. Sob a supervisão direta do autor, o showrunner Jonathan E. Steinberg equilibra mitologia grega e dilemas adolescentes com ritmo ágil. O jovem Walker Scobell assume Percy com espontaneidade, enquanto Leah Jeffries oferece uma Annabeth bem diferente do cinema: estrategista e vulnerável. A química do trio principal sustenta a temporada e prova que escolhas de elenco certeiras fazem diferença.
Já “The Artful Dodger” (2023-presente) revisita a Londres vitoriana de Charles Dickens, só que em pleno interior australiano da década de 1850. Criada por James McNamara, David Maher e David Taylor, a série filtra o anti-herói Jack Dawkins (Thomas Brodie-Sangster) por lentes contemporâneas, entregando diálogos ácidos e senso de humor sombrio. A direção de Jeffrey Walker investe em cenários poeirentos e ritmo quase de thriller médico, afinal o antigo batedor de carteiras agora é cirurgião. O resultado diverte sem trair o DNA literário.
Dramas e musicais para todas as idades
“High School Musical: The Musical: The Series” (2019-2023) tinha a ingrata missão de homenagear a trilogia filmada nos anos 2000 e, ao mesmo tempo, trilhar caminho próprio. A criadora Tim Federle apostou no formato mockumentary, permitindo que o elenco quebre a quarta parede e gere humor meta-referencial. Olivia Rodrigo, como a tímida Nini, despontou com vocais firmes e atuação naturalista; Joshua Bassett, vivendo Ricky, equilibra charme e insegurança, sustentando o arco romântico que impulsiona as três primeiras temporadas.
Dentro do subgênero esportivo, “Big Shot” (2021-2022) entrega mais profundidade do que o enredo “técnico marrento treinador de escola” sugere. John Stamos encarna Marvyn Korn com arrogância contida, enquanto as jovens atrizes Sophia Mitri Schloss e Nell Verlaque recebem espaço para desenvolver dramas pessoais. A showrunner Dean Lorey faz questão de dividir protagonismo, construindo um discurso sobre empatia e evolução coletiva tanto dentro quanto fora da quadra.
Documentários que expandem a conversa
Em “Limitless with Chris Hemsworth” (2022-2025), o astro de “Thor” abandona martelos e abraça o papel de curioso. Dirigida por Darren Aronofsky, a série cruza ciência de ponta com desafios físicos, como nadar em águas geladas e caminhar sobre arranha-céus. Hemsworth encara cada prova sem afetação, expondo vulnerabilidade rara em celebridades de ação. Isso sustenta a narrativa e aproxima o espectador das descobertas médicas apresentadas.
Imagem: Divulgação
Outro exemplo é “Harlem Ice” (2025), produção que acompanha patinadoras negras do projeto Figure Skating in Harlem. A direção de guilhotina documental valoriza momentos de bastidores, evidenciando custos de figurinos, busca por patrocínio e pressão estética. Ao mostrar derrotas e vitórias em igual medida, a série ressalta a resiliência dessas atletas e abre espaço para discussões sobre equidade no esporte.
Animações e ficção científica fora da caixinha
“Win or Lose” (2025) marca o primeiro projeto seriado original da Pixar. Criada por Carrie Hobson e Michael Yates, a produção adota estrutura de múltiplos pontos de vista: cada episódio narra a mesma semana de preparação para a final de softball, mas pelo olhar de um personagem diferente. O artifício brinca com memória e percepção, reforçando a mensagem sobre empatia. Visualmente, texturas menos brilhantes que o padrão Pixar aproximam a estética da vida real, sem abdicar do carisma de mascotes como o Sweaty Blob.
Na vertente de aventuras adolescentes com pegada sci-fi, “Parallels” (2022) leva quatro amigos franceses a universos paralelos após um experimento malsucedido. O roteiro de Quoc Dang Tran prioriza as repercussões emocionais desse rompimento da realidade. Omar Mebrouk e Victoria Eber entregam atuações contidas, sustentando o senso de urgência. A direção de Benjamin Rocher evita didatismo científico e foca no drama de crescimento sobre quem você se torna quando todas as possibilidades existem.
Por fim, “American Born Chinese” (2023) adapta a graphic novel de Gene Luen Yang mesclando mitologia chinesa, comédia escolar e comentário social. Kelvin Yu, que assume a produção, equilibra explosões de wuxia com crises de identidade de Jin Wang (Ben Wang). O elenco de peso conta com Michelle Yeoh e Ke Huy Quan, ambos vencedores do Oscar, que imprimem gravitas sem eclipsar os novatos. A montagem ágil conecta lutas coreografadas a momentos íntimos de forma coesa, garantindo dinamismo.
Vale a pena assistir?
Para quem busca as melhores séries do Disney+ além do circuito Marvel e Star Wars, os nove títulos acima oferecem variedade de tons e temas. Seja no realismo de “Harlem Ice”, na fantasia de “Percy Jackson” ou na experimentação de “Win or Lose”, todas as produções mostram que o streaming da Disney está disposto a arriscar, investir em elencos diversos e renovar clássicos, tornando a assinatura atraente mesmo para quem não é fã de super-heróis ou jedis.




