Depois de revitalizar a franquia Predator com três longas em sequência, Dan Trachtenberg surpreendeu Hollywood ao firmar um acordo first-look com a Paramount. Mesmo assim, o cineasta garante que não vai largar os Yautja tão cedo. Em entrevista recente, ele adiantou que já rascunha ideias para o próximo capítulo da saga.
A notícia anima fãs e mercado: Badlands, último filme da série, ultrapassou US$ 184 milhões nas bilheterias globais e reforçou a confiança do estúdio em seu comando. A seguir, analisamos como a performance do elenco, a direção e o roteiro consolidaram essa fase e o que esperar da convivência simultânea com a Paramount.
Direção visionária de Dan Trachtenberg mantém o fôlego de Predator
Trachtenberg entrou no universo Predator em 2022 com Prey e imprimiu uma assinatura que mescla suspense tenso e ação brutal. Sua câmera valoriza planos abertos para explorar o ambiente – sejam as Grandes Planícies de Prey ou o deserto vermelho-alaranjado de Badlands – e depois fecha no rosto dos personagens para capturar cada respiração ofegante.
Em Badlands, o diretor aperfeiçoa o jogo de gato e rato. A montagem alterna caçadas diurnas, onde a fotografia saturada ressalta o calor, e confrontos noturnos iluminados por labaredas, criando um contraste que sublinha a sensação de perigo constante. Nada disso seria tão eficaz sem a direção de atores precisa que ele costuma adotar, algo que já havia chamado atenção em Rua Cloverfield, 10.
Elenco entrega intensidade física e emocional
A franquia vive de combates corporais, mas a versão de Trachtenberg se destaca pelo peso dramático. Em Prey, Amber Midthunder encarnou Naru com vulnerabilidade e determinação, estabelecendo uma heroína cuja curva emocional conversa com a ação. Três anos depois, a atriz continua disposta a retornar, e o diretor confirma que pensa em uma jornada ainda mais complexa para ela em Prey 2.
Já Badlands apresentou Dek, interpretado por Dakota Beavers, como um guerreiro marcado por perdas familiares. Beavers mistura olhar ferido e postura resoluta, permitindo que o público entenda a urgência de cada golpe. Sua química com a veterana Michelle Thrussell, que vive a mãe do protagonista, foi elogiada por críticos justamente por dar profundidade rara em blockbusters de ficção científica.
Nesse ponto, vale ressaltar como a relação mentor-pupilo ecoa dinâmicas vistas em outras produções recentes. A crítica de GOAT, nova animação da Sony, também destacou a força que duplas carismáticas exercem sobre a narrativa – um paralelo que evidencia a atenção crescente do mercado para performances mais humanizadas, mesmo em tramas fantásticas.
Roteiro expande mitologia sem perder coesão
Trachtenberg assina as histórias ao lado de Patrick Aison, e juntos eles evitam o desgaste típico de franquias longas. A dupla revisita elementos clássicos – a honra do caçador Yautja, o troféu de crânio, a invisibilidade – porém sempre acrescenta camadas. Killer of Killers revelou que sobreviventes humanos foram criogenizados e enviados a Yautja Prime, abrindo margem para cenários inéditos.
Em Badlands, a decisão de terminar com um cliffhanger envolvendo Dek e sua mãe mostrou ousadia. A estratégia de cultivar frentes narrativas paralelas mantém a curiosidade do público e, segundo o próprio diretor, serve como “porta de entrada” para novos espectadores. Cada filme funciona sozinho, mas ao mesmo tempo planta sementes para continuações ou até crossovers futuros, como um possível reencontro com o universo Alien.
Imagem: Divulgação
Na prática, essa abordagem modular lembra movimentos de grandes sagas recentemente revisitadas no streaming: a estreia da versão integral de Kill Bill reacendeu discussões sobre capítulos independentes que dialogam entre si, um modelo que Trachtenberg aplica ao terror cósmico dos Predators.
Acordo com a Paramount e o futuro da franquia
O contrato first-look oferece ao cineasta um espaço para projetos autorais e acesso a outras propriedades intelectuais do estúdio. No entanto, ele reforça que o timing precisará ser “um jogo de encaixe”. Sem compromissos datados na Paramount, Trachtenberg segue livre para desenhar Prey 2 ou qualquer outro spin-off de forma paralela.
A estratégia não é inédita. Após a fusão com a Skydance, o estúdio fechou acordos semelhantes com Jon M. Chu, James Mangold e os irmãos Duffer. Esses casos indicam que a Paramount valoriza criadores capazes de equilibrar filmes próprios e franquias consolidadas. Para Predator, significa continuidade da linha autoral que tanto agradou crítica e público.
Há, ainda, conversas de bastidor com Arnold Schwarzenegger para um retorno pontual, segundo o produtor Ben Rosenblatt. Caso avance, a presença do astro criaria um elo nostálgico com o longa de 1987 e potencializaria o apelo comercial. Enquanto isso, o diretor se mostra atraído pela ideia de uma nova colisão Alien vs. Predator, agora sob seus parâmetros estéticos.
Vale a pena ficar de olho nas próximas caçadas?
O saldo dos três filmes de Dan Trachtenberg é positivo: bilheterias em alta, aprovação crítica sólida e uma base de fãs rejuvenescida. A fusão entre direção energética e personagens empáticos coloca a marca Predator num patamar que não se via desde o original, mérito reforçado pela segurança que o cineasta exibe ao brincar com convenções do gênero.
Com a agenda flexível – fruto do contrato com a Paramount – e ideias já rascunhadas para Naru, Dek e eventuais cameos de nomes clássicos, a franquia tem combustível para seguir relevante. A promessa de explorar Yautja Prime, aliada ao possível cruzamento com outras IPs, motiva especulações que mantêm a conversa viva em redes sociais e fóruns especializados.
Salada de Cinema continuará acompanhando cada passo, afinal Trachtenberg mostra que seu interesse vai além de repetir fórmulas: ele quer novos cenários, novos dilemas e, acima de tudo, performances que façam o público torcer pelos humanos, mesmo sabendo que o caçador alienígena dificilmente erra o alvo.









