O diretor Dan Trachtenberg, responsável por revitalizar a franquia Predador com Predator: Badlands, acaba de firmar um acordo de exclusividade de três anos com a Paramount Pictures. O entendimento prevê que ele e o produtor Ben Rosenblatt desenvolvam, produzam e dirijam novos projetos para o estúdio.
A notícia chega logo após o recorde de bilheteria alcançado por Badlands, que arrecadou US$ 184,5 milhões mundialmente e ultrapassou Alien vs. Predator (2004). O desempenho reforça a confiança do estúdio no cineasta, revelado ao público em 10 Cloverfield Lane (2016), também distribuído pela Paramount.
Direção afiada de Dan Trachtenberg em Predator: Badlands
Trachtenberg repete, em Predator: Badlands, a combinação de tensão e escala já vista em Prey (2022), trabalho que lhe rendeu duas indicações ao Emmy. A diferença, desta vez, é a segurança com que ele alterna momentos de suspense silencioso e ação em campo aberto, mantendo a narrativa enxuta nos 107 minutos de projeção.
O diretor aposta em planos longos para exibir a ameaça alienígena com mais clareza, sem recorrer ao excesso de cortes. A abordagem cria um efeito semelhante ao que o público encontra em produções que valorizam a fisicalidade, a exemplo do que ocorre em títulos da Marvel, onde a preocupação com desempenho dramático vem ganhando força — ponto defendido publicamente por Kevin Feige ao falar sobre qualidade de elenco e roteiro.
Roteiro: tensão clássica e frescor narrativo
Assinado por Trachtenberg, Patrick Aison e os irmãos John e Jim Thomas, o roteiro equilibra referências aos filmes originais dos anos 80 com temas contemporâneos. Ao situar a trama em um território árido — o “badlands” do título —, o texto prioriza conflitos de sobrevivência, mantendo diálogos econômicos e foco na ação.
Os roteiristas evitam repetir fórmulas, retirando o protagonismo de tropas militares e entregando-o a personagens mais vulneráveis. Essa decisão amplia a tensão, pois transforma cada embate com o Predador em algo imprevisível. A estrutura narrativa lembra estratégias de franquias que revisitam a própria mitologia, como a recente retomada de Scream, que também aposta na reinvenção para seduzir fãs antigos e novos.
Elenco entrega fisicalidade e emoção
Elle Fanning lidera o elenco como Thia/Tessa e sustenta cenas de ação exigentes, alternando fragilidade e coragem sem perder naturalidade. A atriz investe em expressões contidas, transmitindo o medo constante de quem sabe que qualquer ruído pode atrair o predador.
Dimitrius Schuster-Koloamatangi interpreta Dek/Father, figura paterna presa entre proteger a filha e aceitar sua própria vulnerabilidade. O ator imprime intensidade física aos confrontos, mas também encontra espaço para momentos de silêncio carregados de significado, repetindo a eficácia de pares dramáticos vistos em sucessos de bilheteria que dominam o streaming, como The Super Mario Bros. Movie.
Imagem: Divulgação
Ao redor da dupla, personagens secundários recebem tempo suficiente para ganhar personalidade, evitando que o longa seja apenas uma vitrine para acrobacias. O cuidado reflete a preocupação de Trachtenberg em manter o público emocionalmente investido, estratégia que se provou decisiva para o desempenho do filme nas salas de cinema.
Parceria com a Paramount e próximos projetos
Para a Paramount, a assinatura de Trachtenberg é vista como um passo para recolocar o estúdio no centro das grandes produções de gênero. Os co-presidentes Josh Greenstein e Dana Goldberg descreveram o cineasta como “arrojado” e “ambicioso”, atributos alinhados à meta de reposicionar o estúdio como “ápice do cinema”.
O contrato de first look garante que futuras ideias do diretor sejam avaliadas prioritariamente pelo estúdio, modelo similar ao que outros criadores estabeleceram em plataformas de streaming — prática que a Amazon aplicou ao lidar com projetos polêmicos como o suspenso “Melania”. No caso de Trachtenberg, a expectativa envolve filmes de grande escala, mantendo a pegada de suspense que o tornou conhecido. Enquanto isso, Predator: Badlands chega ao streaming em 12 de fevereiro de 2026, expandindo o alcance do longa após a temporada nos cinemas.
Predator: Badlands vale o ingresso?
A resposta se apoia em três pilares objetivos: direção precisa, roteiro enxuto e atuações comprometidas. A combinação sustenta a tensão durante toda a projeção, justificando a recepção calorosa do público e o recorde de bilheteria de US$ 184,5 milhões.
Com classificação PG-13, o filme consegue equilibrar violência implícita e espetáculo visual, facilitando a entrada de espectadores mais jovens sem alienar veteranos da franquia. Essa acessibilidade amplia o potencial comercial e dialoga com a estratégia da Paramount de construir títulos de apelo global, como salientado por Trachtenberg em seu comunicado oficial.
Ao final, Predator: Badlands representa um passo sólido na evolução do universo Predador e reafirma o talento de Dan Trachtenberg, cujo futuro agora está entrelaçado ao estúdio que marcou sua estreia. Para quem acompanha as novidades pelo Salada de Cinema, vale ficar de olho nos próximos capítulos dessa parceria.



