Chegou aos cinemas o suspense de ação Protector, longa que marca mais um capítulo nada animador na recente filmografia de Milla Jovovich. A produção, classificada para maiores, emplacou meros 20% de aprovação no Rotten Tomatoes e prolongou para sete anos a série de títulos mal recebidos da atriz.
Os críticos têm sido unânimes ao rotular o filme como “ridículo”, “pouco inspirado” e “confuso”. Em meio ao massacre de opiniões, um único ponto positivo se repete: a entrega de Jovovich no papel da ex-soldado Nikki, determinada a resgatar a filha sequestrada.
Reação da crítica e pontuação no Rotten Tomatoes
Logo nas primeiras exibições, Protector acumulou adjetivos pouco lisonjeiros. Publicações especializadas descrevem a narrativa como um “desastre” incapaz de sustentar a tensão prometida. Há inclusive resenhas que aconselham o público a economizar o ingresso e procurar outra sessão.
O resultado direto é a nota de 20% no Rotten Tomatoes, índice que coloca o longa lado a lado com fiascos recentes da carreira de Jovovich. Desde Paradise Hills (68% em 2019), nenhum projeto estrelado por ela superou a barreira dos 60%: Worldbreaker (43%), In the Lost Lands (24%), Breathe (14%), Monster Hunter (44%) e The Rookies (21%) compõem a sequência.
A situação é agravada pelo histórico anterior, no qual a atriz já somava mais de uma dezena de “tomates podres”, inclusive dois casos de 0% (Future World e Faces in the Crowd). O contraste com épocas mais celebradas, como a participação em Dazed and Confused (94%) e He Got Game (82%), salta aos olhos.
Atuações no centro das atenções
Se o roteiro pouco convence, a performance de Milla Jovovich é a tábua de salvação apontada em praticamente todas as análises. Vivendo Nikki, uma veterana de guerra que passa por cima das autoridades para salvar a filha, a atriz exibe fisicalidade, intensidade e mantém presença de cena do início ao fim.
O elenco de apoio traz nomes experientes como Matthew Modine, D.B. Sweeney e Don Harvey, além de Arica Himmel, Michael Stahl-David e Isabel Myers. Contudo, as resenhas observam que os coadjuvantes pouco conseguem fazer diante de diálogos considerados rasos e motivações mal exploradas.
Modine, por exemplo, interpreta o coronel Lavelle e até tenta imprimir autoridade, mas sofre com falas expositivas. Himmel, como a jovem raptada, aparece em tela apenas para funcionar como catalisador da vingança materna. Ainda assim, há quem ressalte a química pontual entre Jovovich e Himmel em rápidos flashbacks, sugerindo o que poderia ter sido desenvolvido.
A avaliação geral reforça que o filme pertence de ponta a ponta à protagonista. Mesmo sem salvar a obra, sua dedicação evita que o resultado seja ainda mais sofrido, algo lembrado por alguns críticos ao comparar Protector ao que se viu em Monster Hunter.
Direção de Adrian Grünberg e roteiro de Bong-Seob Mun
Comandado por Adrian Grünberg, conhecido por Rambo: Até o Fim (26% no Rotten Tomatoes e vencedor do Framboesa de Ouro como Pior Sequência), o longa sofre com escolhas visuais consideradas genéricas. Cenas de ação entregam cortes abruptos, fotografia escura e pouco planejamento de câmera, fatores que prejudicam a compreensão do espaço.
O roteiro de Bong-Seob Mun tampouco escapa das críticas. Resenhistas apontam falhas de lógica, reviravoltas anunciadas e diálogos que beiram o didatismo. Há quem classifique a trama como uma colcha de retalhos de clichês de sequestro, sem frescor ou variações que surpreendam.
Imagem: Divulgação
Grünberg repete, segundo as publicações, o excesso de violência gráfica visto em trabalhos anteriores, mas desta vez sem o apoio de um arco dramático robusto. O resultado é uma sucessão de perseguições e confrontos que, apesar de barulhentos, não geram real urgência ou empatia.
Curiosamente, tópicos como a questão da justiça pelas próprias mãos são jogados na tela e abandonados com a mesma rapidez, algo que também recebeu menções negativas. A equipe criativa parece mirar numa discussão moral, mas se contenta em buscar impacto fácil por meio do sangue e de explosões.
Contexto de lançamento e impacto na carreira de Jovovich
Além da má recepção crítica, Protector encara forte concorrência nas bilheterias. O thriller estreou no mesmo fim de semana de títulos de peso como Hoppers e The Bride!, além de chegar apenas sete dias depois de Scream 7. Esse cenário reduz as chances de visibilidade e amplifica o risco de números minguados na arrecadação.
Para Milla Jovovich, o desempenho negativo estende uma fase difícil que desafia seu histórico de estrela de ação. Ao longo da década de 2000, a franquia Resident Evil consolidou a atriz nesse segmento, mas a recente sequência de fracassos evidencia a necessidade de um projeto capaz de reconquistar o público e a crítica.
Mesmo assim, há espaço para registros positivos: a dedicação física contínua, a disposição em liderar produções de gênero e a presença constante na cultura pop. Esses aspectos fizeram o nome da atriz surgir, por exemplo, em discussões sobre indicações a categorias de melhor cena de luta, como aconteceu no passado com O Quinto Elemento. No site Salada de Cinema, o histórico de papeis marcantes da artista costuma ser mencionado em listas de ícones da ação contemporânea.
Em um mercado que olha para franquias e grandes marcas, a sobrevivência de Jovovich certamente passa por escolhas futuras. A agenda congestionada de estreias, evidenciada por anúncios como as primeiras imagens de In the Grey, indica que disputar a atenção do público será cada vez mais complexo.
Vale a pena assistir Protector?
Para quem acompanha a carreira de Milla Jovovich e valoriza sua presença carismática, Protector talvez funcione como curiosidade. A protagonista entrega energia e convence nas sequências físicas, mas precisa lutar contra um roteiro confuso e direção irregular.
Fãs de ação descompromissada encontrarão tiroteios e perseguições em ritmo acelerado, enquanto quem busca narrativa sólida ou novidade no gênero pode sair frustrado. A baixa pontuação no Rotten Tomatoes reflete o consenso: o filme passa longe de resgatar a boa fase da atriz e, no máximo, reforça sua capacidade de segurar a câmera mesmo quando tudo ao redor desaba.
No saldo final, Protector reforça a maré de notas azedas que acompanha Jovovich há sete anos, somando-se a um currículo que implora por um recomeço mais inspirado.


