O sétimo capítulo da terceira temporada de Jujutsu Kaisen chegou carregado de expectativa: é aqui que o Culling Game finalmente começa. Sob a batuta do diretor Shōta Goshozono, a produção do estúdio MAPPA entrega um episódio que combina ação frenética, revelações centrais para a trama e um visual que continua elevando o patamar da série.
Focado em colocar as peças no tabuleiro antes do massacre anunciado, o episódio segue Megumi, Panda e Yuji enquanto eles buscam aliança com Hakari. A movimentação estabelece não só a nova dinâmica entre os protagonistas, mas também aponta para a escala de violência que vem pela frente. Tudo isso sem abrir mão de um ritmo ágil, indispensável para manter o público preso à tela.
Direção mantém ritmo implacável no arco do Culling Game
Goshozono orquestra a narrativa com cortes secos e enquadramentos que intensificam a urgência de cada combate. Desde a invasão de Megumi e Panda até o confronto no telhado contra Kirara, a câmera faz questão de destacar a verticalidade dos cenários, ampliando a sensação de perigo constante.
O diretor também demonstra domínio ao equilibrar exposição e pancadaria. As informações sobre o passado de Hakari — considerado “inconvencional” demais pelos anciãos de Jujutsu High — surgem em meio à batalha, evitando didatismos e sustentando o suspense. A escolha por momentos quase silenciosos entre os golpes reforça a tensão, lembrando os melhores duelos estratégicos que marcaram séries shonen dos anos 2000, muitas delas ainda celebradas por manter 100% de aprovação entre os fãs de anime, conforme lista publicada no Salada de Cinema.
Roteiro abraça o caos estratégico sem perder clareza
Adaptado diretamente do mangá de Gege Akutami, o roteiro do episódio recorre a diálogos rápidos para explicar regras do Culling Game e, ao mesmo tempo, avançar a motivação de cada personagem. A conversa entre Yuji e Hakari exemplifica isso: em poucas falas, o espectador entende que o ex-aluno de Jujutsu High só topa ajudar porque deseja reformular as normas da feitiçaria quando tudo terminar.
A revelação de que Yuji já está contabilizado como participante do jogo, indicando um elo sombrio entre Sukuna e Kenjaku, é jogada com precisão cirúrgica. A informação altera as apostas instantaneamente, sem precisar recorrer a reviravoltas mirabolantes. Esse cuidado mantém a coesão interna, algo vital em arcos densos como este.
Atuações vocais e química entre personagens elevam confrontos
Mesmo sem aparecer fisicamente, Satoru Gojo permanece como força motriz do enredo, e isso fica claro na troca tensa entre Megumi e Kirara. A dublagem original japonesa faz bom uso de variações de tom para transmitir incredulidade, ironia e urgência, sem exageros melodramáticos.
O destaque, porém, vai para a dupla Yuji e Hakari. Durante a negociação — que beira a briga de bar — o timbre relaxado de Hakari contrasta com a firmeza quase desesperada de Yuji. Esse choque de personalidades sustenta o conflito e prepara terreno para alianças futuras, lembrando a sinergia entre tripulantes vistos em outros times de protagonistas célebres dos animes.
Imagem: Divulgação
Animação da MAPPA transforma cada golpe em espetáculo
Quando Kirara ativa sua técnica, símbolos astrológicos percorrem o cenário com fluidez impressionante, resultado de camadas de efeitos digitais que não brigam com o traço 2D. A paleta de cores, ora neon, ora sombria, reforça a identidade visual do arco. Dá para notar como o estúdio investe em texturas diferenciadas conforme a natureza de cada maldição exibida no sonho de Sasaki.
Já o embate Yuji versus Hakari merecia telona de cinema. A combinação de sakuga — nome dado às sequências de animação de altíssima qualidade — com movimentos de câmera que giram 180° cria a ilusão de coreografia contínua. É uma evolução técnica que faz até transformações tradicionais, como a de Golden Freeza, parecerem modestas em comparação, coisa que fãs de Dragon Ball Super reconhecerão de imediato.
Vale a pena assistir ao episódio 7 da 3ª temporada?
Para quem acompanha Jujutsu Kaisen desde o início, este capítulo é ponto de virada incontornável. A direção segura, o roteiro enxuto e a animação exuberante colocam o Culling Game em movimento com energia rara de se ver.
As atuações vocais mantêm a credibilidade dos personagens, enquanto a trilha, usada com parcimônia, sublinha momentos-chave sem roubar a cena. Não se trata apenas de exibir lutas: o episódio estrutura alianças, define objetivos e injeta urgência na jornada de Yuji.
Considerando o conjunto da obra, o sétimo episódio entrega exatamente o que prometia: um aquecimento eletrizante para um arco que promete elevar ainda mais a tensão. Fãs de shonen bem coreografado encontrarão aqui um prato cheio — e Salada de Cinema segue de olho nos próximos desdobramentos.


