“It Ends With Us” chegou aos cinemas em agosto de 2024 carregando fama de best-seller, expectativa de romance arrebatador e, claro, muita polêmica. O resultado nas telonas transformou o encontro de Lily Bloom e Ryle Kincaid em um dos dramas românticos mais debatidos do ano, tanto pela temática de abuso quanto pela briga judicial entre os protagonistas Blake Lively e Justin Baldoni.
Agora, a própria Colleen Hoover veio a público explicar que não pretende levar “It Starts With Us” ao cinema. A revelação reacende a análise sobre o trabalho dos atores, o olhar do diretor e as razões que fazem do longa um capítulo aparentemente único. O Salada de Cinema mergulhou nesse cenário para entender o impacto artístico e comercial da produção.
A construção de Lily Bloom por Blake Lively
Blake Lively assumiu Lily Bloom com a missão de equilibrar delicadeza e resiliência. Em cena, a atriz se apoia em pequenos gestos: o olhar que vacila quando revive traumas de infância, a postura corporal retraída diante das explosões de Ryle, e a voz que ganha firmeza ao buscar autonomia. Esses elementos dão veracidade ao ciclo de abuso retratado por Hoover no livro.
O protagonismo de Lively também sustenta a virada de tom do roteiro, que começa como conto de fadas contemporâneo e desaba em relacionamento tóxico. Quando Lily confronta Ryle, é possível sentir a mudança de ritmo no próprio tempo de fala da atriz, algo que torna o clímax mais palpável. Mesmo com a controvérsia jurídica ao redor do set, sua entrega dramática permanece em evidência e justifica parte da curiosidade do público.
Justin Baldoni: dupla função e tensão nos bastidores
Dirigir e atuar não é novidade em Hollywood, mas Justin Baldoni assume esse desafio em meio a um personagem complexo. Como Ryle, ele alterna carisma e explosões violentas, precisando dosar charme para conquistar Lily e brutalidade para expor o círculo de agressões. Na direção, opta por enquadramentos fechados durante brigas, reforçando a claustrofobia emocional da protagonista.
A condução firme contrasta com a disputa jurídica entre Baldoni e Lively, fator que dominou manchetes e desviou parte da atenção crítica. Ainda assim, é relevante notar como o cineasta-ator mantém coesão visual, evitando adornos que suavizariam o tema central. O conflito real foi combustível para especulações, mas não comprometeu a coerência narrativa entregue em “It Ends With Us”.
Roteiro fechado e a visão de Colleen Hoover
O texto adaptado por Christy Hall em parceria com Hoover encerra o arco de Lily de forma satisfatória, segundo a própria autora. Ela afirma ter escrito “It Starts With Us” apenas como presente aos leitores — não como material cinematográfico. Por isso, considera que a história já ficou “amarrada” no primeiro filme.
Nessa lógica, faz sentido que Brandon Sklenar, intérprete de Atlas Corrigan, receba menos tempo de tela do que os colegas. O longa prioriza o trauma com Ryle e a superação individual de Lily, deixando o romance saudável para um epílogo rápido. Hoover acredita que não há conteúdo suficiente para mais 130 minutos de cinema, e o roteiro reflete essa percepção, fechando pontas e evitando ganchos artificiais.
Imagem: Divulgação
A possibilidade (remota) de “It Starts With Us” nas telas
Embora Hoover diga que não barraria uma adaptação caso elenco e equipe se animem, as chances parecem mínimas. O desgaste entre Lively e Baldoni exigiria conciliação, algo improvável no curto prazo. Como Lily e Ryle são peças essenciais para qualquer continuação visual, substituir atores colocaria em risco a identidade que o público já abraçou.
Esse impasse lembra outras discussões de casting que fervem em Hollywood, como o recente anúncio de Jenna Ortega à frente do remake de “Single Female”. A cada disputa contratual, surge a pergunta: vale a pena mexer em química que já funciona? No caso de “It Ends With Us”, a resposta de momento é negativa, reforçando a impressão de obra única.
Vale a pena assistir?
Mesmo sem promessa de sequência, “It Ends With Us” se sustenta pela atuação visceral de Blake Lively e pela direção contida de Justin Baldoni. A fotografia próxima do rosto dos atores cria intimidade incômoda, enquanto o roteiro dosa momentos de ternura e tensão sem perder o foco no tema de abuso.
Para fãs do livro, a adaptação respeita o núcleo emocional de Lily Bloom. Para quem chega sem referência literária, o filme oferece drama envolvente e reflexão sobre relacionamentos tóxicos — assunto cada vez mais presente na cultura pop. A ausência de planos para “It Starts With Us” pode frustar curiosos, mas também preserva a força do desfecho já exibido.
No saldo final, “It Ends With Us” entrega narrativa fechada, atuações marcantes e debate relevante. E enquanto Colleen Hoover mantém a porta apenas entreaberta para o futuro, o longa segue ecoando no público, seja pelo romance, seja pela polêmica nos bastidores.



