O quinto capítulo da segunda temporada de Hell’s Paradise mantém a toada frenética da série ao trocar pancadaria desenfreada por uma enxurrada de dados estratégicos. Em pouco mais de vinte minutos, o roteiro define quem participa do resgate, quem atrapalha a missão e para onde cada peça do tabuleiro deve mover-se na noite da evasão.
Dirigido por Kaori Makita, o episódio aposta em enquadramentos mais fechados e diálogos longos para explicar estruturas de poder, rotas secretas e motivações ocultas. O resultado pode soar expositivo, mas prepara terreno para confrontos que prometem ser tão brutais quanto os melhores momentos da temporada passada.
Novos jogadores entram em cena
A primeira sequência apresenta quatro samurais da prestigiada Asaemon, com destaque para Shugen, considerado o espadachim mais forte de seu clã. A chegada do grupo já altera o equilíbrio na ilha: além dos samurais, desembarcam ninjas do vilarejo de Benimaru e um terceiro esquadrão sigiloso, disposto a eliminar Benimaru assim que surgir a chance.
O texto deixa claro que esses assassinos não se importam com o elixir da imortalidade nem com a missão oficial. A única meta é a cabeça do ninja lendário. A oposição de objetivos cria tensão instantânea, lembrando tramas como a de Jujutsu Kaisen, onde vários times disputam a mesma arena sem compartilhar interesses.
O lado sombrio de Shugen
Em paralelo, o roteiro foca na dualidade de Shugen. Colegas como Sagiri o descrevem como justo e empático, opinião reforçada por flashbacks de seu convívio com recrutas. Contudo, pequenos relatos expõem um homem que sentencia inocentes pela simples proximidade com criminosos, enxergando o mundo em preto e branco.
Makita reforça essa ambiguidade com close-ups nos olhos inexpressivos do samurai, enquanto a trilha sonora silencia para destacar o som do vento – recurso que amplifica o desconforto. A atuação de voz (seiyuu) casa com a direção: o intérprete usa timbre calmo, quase afável, para justificar execuções a sangue-frio, criando contraste arrepiante.
Treinamento árduo e divisão de equipes
Depois de detalhar a maquete do palácio de Horai – inspirada em uma construção real dentro do Japão feudal – o episódio revela a saída marítima escondida, protegida por comportas que monstros têm ordem de ignorar. Só há um problema: todos precisam dominar o fluxo de Tao antes de zarpar.
Cabe a Gabimaru e Yuzuriha treinar aliados exaustos. A montagem intercala exercícios físicos cansativos e tentativas frustradas de sentir a energia. Embora o processo pareça impossível de completar em tão pouco tempo, os esforços estreitam laços entre personagens e justificam a escolha tática de dividir o grupo. Gabimaru e Sagiri ficam encarregados de furtar o elixir – combinação perfeita de força bruta e discrição –, enquanto o restante prepara o navio.
Essa organização lembra dinâmica vista em Oshi no Ko, onde funções específicas traduzem personalidades e limitam conflitos internos. Aqui, a distribuição não só respeita o Tao de cada lutador, como amplia o suspense: qualquer falha em um ponto da operação compromete todos os demais.
Imagem: Divulgação
Direção e ritmo: como Kaori Makita mantém a tensão
Kaori Makita, que conduz a temporada desde o início, aposta em ritmo cadenciado e letreiro abundante para que o público não se perca em tantos nomes e conceitos. A decisão de pausar a ação para explicar estruturas poderia esfriar o episódio; no entanto, a cineasta compensa com layout de quadros dinâmico, alternando planos detalhe de mapas manuscritos e planos gerais que exibem a desolação da ilha.
O roteiro – creditado genericamente à equipe da série, sem autores individuais mencionados – sustenta a narrativa em diálogos diretos. Ao invés de discursos longos, os personagens resumem ideias em frases curtas, quase militares, espelhando a urgência da fuga. Tal escolha favorece a intensidade dramática e evidencia a evolução de Sagiri, que deixa de ser aprendiz impressionável para coordenar colegas experientes.
Outro mérito está na construção de atmosfera. A fotografia usa tons terrosos no interior de Horai, transmitindo a decadência do local, e cores saturadas nas flores demoníacas externas, sublinhando o perigo latente. O contraste sublinha a mensagem do episódio: beleza e morte coexistem no paraíso infernal.
Vale a pena assistir Hell’s Paradise 2×05?
Mesmo sem grandes combates, o capítulo se destaca por organizar o conflito principal, ampliar a galeria de antagonistas e aprofundar motivações morais de Shugen. Para quem acompanha Hell’s Paradise desde o início, é a calmaria tática que precede a tempestade sanguinolenta.
A qualidade de animação permanece consistente, a trilha sonora reforça a gravidade das revelações e o trabalho de voz entrega nuances que humanizam figuras aparentemente imbatíveis. A série, já citada pelo Salada de Cinema em diferentes listas de recomendações, mostra que sabe equilibrar exposição e suspense.
Portanto, o quinto episódio é parada obrigatória para compreender a engenharia por trás do plano de fuga e preparar-se para o caos que, inevitavelmente, virá na próxima visita à ilha amaldiçoada.



