Quase dez anos depois de seu primeiro longa, Boots Riley retorna ao cinema com Eu Amo Boosters (I Love Boosters) e coloca novamente Oakland no centro de uma história explosiva. A produção, que fez estreia mundial no SXSW e chega aos cinemas em 22 de maio de 2026, já ostenta 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Com Keke Palmer à frente de um elenco repleto de nomes de peso, o cineasta abandona a veia sci-fi de Sorry to Bother You e mergulha em uma comédia criminal colorida, ruidosa e, segundo sua própria equipe, “incontrolavelmente ousada”.
Trama e ousadia visual de Eu Amo Boosters
O roteiro escrito pelo próprio Riley acompanha Corvette, jovem que reúne mulheres criativas de Oakland para formar a Velvet Gang. Cansadas do sistema de moda baseado em excesso e exclusão, elas passam a roubar peças caríssimas e revender a preço popular, batendo de frente com a poderosa estilista Christine Smith.
Segundo o produtor executivo Josh Rosenbaum, a narrativa funciona como “uma aventura propulsionada” em que o entretenimento vem embalado por comentários sociais “cheios de nuances”. Ele garante que “as cores vão explodir as retinas” do público, sinalizando o uso intenso de paleta vibrante e figurinos extravagantes — detalhe que dialoga com a crítica ao universo fashion.
Elenco afiado liderado por Keke Palmer
A protagonista Corvette marca a primeira grande parceria de Keke Palmer com Riley e, de acordo com os bastidores, recebeu total liberdade criativa. Kasmere Trice Stanfield, também no elenco, afirmou que o diretor “permite ao ator ter voz”, algo perceptível na composição da Velvet Gang formada ainda por Taylour Paige, Naomi Ackie e Poppy Liu.
Do lado antagonista, Demi Moore vive Christine com o glamour e a rigidez exigidos pelo império de moda que comanda. Completam o time Eiza González, LaKeith Stanfield, Will Poulter e Don Cheadle, dando peso dramático às cenas que confrontam a gangue de Oakland e o establishment. Para quem acompanha notícias de elenco, a negativa de Jake Johnson a um live-action de Peter B. Parker, detalhada nesta matéria, mostra como escolhas de casting influenciam expectativas — algo que Riley manobra com habilidade ao reunir nomes tão diversos.
Direção sem freio de Boots Riley
Ken Kao resume a assinatura do cineasta como “muito sem desculpas”, característica que o Salada de Cinema já apontava em seu trabalho anterior. Para Rosenbaum, existem “10 mil coisas misturadas” que fazem a visão de Riley inconfundível. Apesar de ter flertado com a televisão em I’m A Virgo, o diretor volta ao cinema priorizando ritmo acelerado, humor ácido e crítica social.
Imagem: Divulgação
A parceria com a diretora de fotografia Natasha Braier reforça a proposta sensorial. A equipe revelou que chegou a considerar sessões em 4D, mas abandonou a ideia por julgar que “o público ainda não está pronto”. Mesmo sem poltronas que se movem, a meta é entregar impacto semelhante apenas com imagem e som — esforço bem diferente do fenômeno de bilheteria de terror que Scream 7 conquistou este ano, mas que mostra ambição semelhante.
Trilha sonora e identidade sonora vibrante
A música é peça-chave no cinema de Riley, e desta vez o Tune-Yards domina a trilha. Rosenbaum afirma que a dupla “foi até o limite” para criar faixas que batem de frente com as imagens chamativas, entregando o que ele chama de “bangers” capazes de marcar o público.
Eiza González, que integra o elenco, vê no diretor alguém “confiante para dar grandes tacadas em ideias fora deste mundo”. Tal ousadia ecoa na sonoridade que pretende contrastar percussão tribal, eletrônica distorcida e vocalizações inusitadas — combinação que deve ampliar a sensação de anarquia já presente na premissa.
Vale a pena assistir Eu Amo Boosters?
Com 100% de aprovação inicial e depoimentos que prometem algo “como nada visto antes”, Eu Amo Boosters chega cercado de entusiasmo. O filme reúne performances livres, crítica social embutida e a personalidade escancarada de Boots Riley, fatores que levantam grande curiosidade para a estreia de 22 de maio.




