O talento de Cillian Murphy parece não conhecer limites. Depois de brilhar como J. Robert Oppenheimer e eternizar Tommy Shelby em Peaky Blinders, o ator irlandês entrega uma de suas performances insanas e emocionais no novo filme da Netflix, Steve.
Lançado agora em 2025, Steve rapidamente entrou para o topo das produções mais comentadas do ano, sendo apontado como uma das experiências dramáticas mais intensas, e também mais incômodas, do catálogo. Dirigido por Tim Mielants e escrito por Max Porter, o filme tem apenas 1h33min de duração, mas é o suficiente para mergulhar o espectador em um turbilhão emocional.
Steve é um drama sobre exaustão e humanidade
O filme se passa nos anos 1990 e acompanha um dia decisivo na vida de um diretor de reformatório inglês, que tenta equilibrar suas responsabilidades profissionais com a deterioração de sua saúde mental.
Enquanto luta para manter a escola funcionando diante da ameaça de fechamento, Steve (Murphy) trava uma batalha silenciosa contra o próprio esgotamento, um retrato sincero e doloroso de um homem à beira do colapso.
Mais do que um simples filme sobre instituições correcionais, Steve é um estudo sobre o desgaste emocional e a solidão que consomem aqueles que passam a vida tentando salvar os outros.
O personagem de Murphy simboliza o colapso silencioso de milhares de profissionais que, sobrecarregados por responsabilidades, acabam esquecendo de cuidar de si mesmos. Paralelamente, o jovem Shy (interpretado por Jay Lycurgo) dá ao filme uma camada adicional de sensibilidade.
Cillian Murphy em um de seus papéis mais humanos
Quem conhece Cillian Murphy por papéis frios e contidos ficará surpreso. Em Steve, ele entrega uma interpretação visceral, repleta de nuances, expressões e silêncios que comunicam muito mais do que palavras. É um personagem exausto, quebrado por dentro, e Murphy transmite essa dor de forma quase hipnótica.
Diferente de Oppenheimer ou Peaky Blinders, onde o ator interpreta figuras duras e controladas, aqui ele se permite ser imperfeito, falho e profundamente humano. Sua performance é, sem dúvida, o coração do filme — e o principal motivo para assisti-lo.
Direção excelente, mas roteiro aquém do potencial
A direção de Tim Mielants é segura e sensível. O cineasta cria uma atmosfera densa, quase claustrofóbica, em
que o peso do ambiente parece esmagar os personagens. A fotografia acinzentada e o ritmo lento ajudam a construir essa sensação de sufocamento, refletindo o estado mental do protagonista.
O problema é que o roteiro não acompanha a força da direção nem do elenco. A trama é boa, mas superficial. Em apenas 93 minutos, muitos conflitos são apresentados e resolvidos de forma apressada, o que faz o espectador sentir que há uma história muito maior sendo contada de forma resumida.

O filme é o tipo que merecia pelo menos duas horas e meia de duração para permitir que suas ideias respirassem. Ainda assim, mesmo com suas limitações, ele entrega momentos de grande impacto e mantém o público preso pela intensidade emocional e pela força de Cillian Murphy.
Um dos dramas mais intensos de 2025
Mesmo com um roteiro que não se aprofunda como poderia, Steve é uma experiência poderosa. É um retrato da exaustão moderna, da solidão e das tentativas falhas de continuar lutando quando tudo ao redor desmorona.
É também uma prova de que Cillian Murphy está em seu auge, um ator que domina o silêncio, o olhar e a dor contida. Steve pode não ser perfeito, mas é o tipo de filme que fica com você muito depois dos créditos finais.
Para não perder nenhuma das principais dicas de filmes e séries, siga o TaNoStreaming noINSTAGRAM, FACEBOOK e no Google News.
VEJA TAMBÉM!
- A comédia brasileira que realiza a nossa fantasia de perder o filtro (e mandar tudo às favas) está na Netflix
- Mais insano que John Wick? O filme de ação chinês que virou o novo rei da Netflix
- Novo ‘Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado’ conseguiu conquistar os assinantes do HBO Max, mas pela nostalgia
Mesmo com um roteiro que não se aprofunda como poderia, Steve é uma experiência poderosa.
-
6.0



