O episódio 3 da terceira temporada de A Casa do Dragão foi ao ar em 5 de julho de 2026 e trouxe pelo menos quatro alterações relevantes em relação ao livro Fire & Blood, de George R. R. Martin. Algumas mudam o tom de personagens inteiros, outras resolvem — ou criam — buracos de roteiro.
As diferenças foram mapeadas pelo site especializado Winter is Coming, que comparou cena a cena os eventos do episódio com a versão descrita por Martin. A seguir, veja o que a série decidiu fazer diferente e por quê isso importa para quem acompanha a trama.
Um impostor no lugar de Daeron Targaryen

No livro, Daemon exige que o príncipe Daeron, filho mais novo do rei Viserys e escudeiro de Lord Ormund Hightower em Vilavelha, seja entregue como refém. Na série, Ormund concorda, mas secretamente entrega o menino errado a Daemon.
A troca cria uma lacuna de roteiro: como o dragão de Daeron, Tessarion, não reagiu ao ver seu cavaleiro sendo levado como refém? A série ainda não resolveu essa inconsistência, e não há confirmação sobre quando — ou se — o verdadeiro Daeron vai aparecer em cena.
Alicent deixa de ser prisioneira acorrentada
Em Fire & Blood, a rainha viúva Alicent Hightower é mantida presa com correntes de ouro nos pulsos e tornozelos, poupada apenas por respeito à memória do pai de Rhaenyra. A série optou por um tratamento bem mais brando: Alicent tem aposentos, criadas e liberdade para circular pela Fortaleza Vermelha, chegando a visitar Rhaenyra pessoalmente.
A rainha Alicent estava acorrentada nos punhos e tornozelos com correntes de ouro, embora sua enteada tenha poupado sua vida “por causa do nosso pai, que amou você um dia”.
George R. R. Martin, Fire & Blood (em tradução livre)
Além disso, ao longo do episódio, Rhaenyra passa a tratar Alicent quase como conselheira, pedindo sua opinião sobre decisões de governo — algo que não existe no material original e que reforça uma dinâmica de dependência entre as duas.
Corlys chama os próprios filhos de bastardos
Um dos momentos mais duros do episódio acontece quando Corlys Velaryon finalmente pede a Rhaenyra que legitime Addam e Alyn de Hull como seus filhos. A rainha recusa, alegando que não pode ser vista favorecendo bastardos justamente agora, com Jace ainda recente na memória do reino.
A negativa gera uma discussão pública, e Corlys revida chamando os próprios filhos de bastardos várias vezes, na tentativa de ferir Rhaenyra ao citar Jace. No livro, a cena é bem diferente: Corlys nunca assume publicamente a paternidade e é justamente Jacaerys quem convence Rhaenyra a legitimar Addam, tornando-o herdeiro de Marcaaguda.
Comida ao povo no lugar da coroação oficial
Com os cofres reais esvaziados por Tyland Lannister, Rhaenyra não consegue realizar uma coroação tradicional. No livro, ela nomeia Lord Bartimos Celtigar como Mestre da Moeda e resolve o problema criando impostos.
Na série, a rainha segue outro caminho: confisca alimentos da nobreza e distribui ao povo faminto de Porto Real, transformando esse gesto em uma espécie de coroação simbólica. A escolha reforça a imagem de Rhaenyra como aliada do povo simples, ainda que crie atrito direto com os grandes senhores do reino.
O que essas mudanças revelam sobre a nova fase de A Casa do Dragão
Juntas, as quatro alterações mostram uma tendência clara da temporada: suavizar Rhaenyra e Alicent enquanto aprofunda os conflitos internos da corte, mesmo quando isso significa se afastar do texto de Fire & Blood. A troca de Daeron ainda deixa uma ponta solta sobre o destino do príncipe, e resta saber se a série vai explicar o sumiço do dragão Tessarion nos próximos episódios.
Por ora, quem acompanha a série pela HBO Max precisa lembrar que essas mudanças são decisões conscientes do showrunner Ryan Condal, e não erros de adaptação — o que ajuda a explicar por que certos momentos do episódio 3 soam tão diferentes de quem já leu o livro.
Fonte principal: People e Winter is Coming.



