Todo fã de Os Simpsons já citou “A Cidade Contra o Monotrilho” como o ápice do humor na série. A aventura do trem moderno, Leonard Nimoy de carona e Lyle Lanley enganando Springfield é, sem dúvida, antológica.
No entanto, poucos lembram que Conan O’Brien entregou outro roteiro alguns meses depois, “Homer Vai para a Faculdade”, que muitos roteiristas da própria série consideram ainda mais engraçado. O argumento coloca Homer de volta às salas de aula, amontoa referências a filmes universitários e ainda satiriza escândalos de admissão acadêmica.
“Homer Vai para a Faculdade” reúne o melhor de Conan O’Brien em vinte minutos de caos
Lançado em 14 de outubro de 1993, durante a quinta temporada, o episódio aproveita uma premissa simples: depois de falhar num teste de segurança nuclear, Homer precisa frequentar a universidade para manter o emprego. A partir daí, O’Brien liga o turbo e mostra por que sua carreira pós-Simpsons explodiria no late-night.
A história brinca com o arquétipo de comédia universitária popularizado por “Clube dos Cafajestes” (Animal House). Logo na chegada ao campus, Homer procura um reitor careta e intransigente, mas encontra um diretor jovem, amigável e ex-baixista dos Pretenders — contraste que vira piada recorrente. Mesmo assim, o protagonista insiste em tratar a autoridade como vilã, reforçando a ingenuidade que o público adora odiar.
Entre uma aula perdida e outra, surge a clássica gafe “I am so smart… S-M-R-T”, hoje gif obrigatório em redes sociais. Ainda há um porco “com contatos na administração Nixon”, visitas a um hospital infantil demolido por engano e uma paródia de “Let’s Make a Deal” quando o Sr. Burns tenta subornar fiscais nucleares. Cada minuto traz um non-sequitur estratégico, equivalente a uma piada por linha no programa de O’Brien na televisão.
Por que “Homer Vai para a Faculdade” ultrapassa “Monotrilho” em gargalhadas?
Comparar os dois roteiros de Conan O’Brien é inevitável. Ambos apresentam premissas absurdas, convidados de luxo e sequências repletas de referências culturais. Entretanto, “Homer Vai para a Faculdade” empilha risadas em ritmo mais acelerado. A volta ao colégio evidencia todas as falhas adoráveis de Homer: ingenuidade, preguiça, tendência a criar confusão e, ainda assim, cair de pé.
No roteiro, até os nerds que tentam guiar Homer sofrem quando ele provoca a expulsão coletiva por sequestrar a mascote rival. O protagonista então precisa virar herói relutante, aumentar o grau das confusões e recuperar a vaga dos amigos. Além de sátira, a trama se sustenta como aventura de redenção — e, claro, mantém Springfield em perigo graças à incompetência nuclear de sempre.
Imagem: Divulgação
Vale lembrar que O’Brien esteve na sala de roteiristas de 1991 a 1993, assinando apenas quatro episódios. Mesmo curta, a passagem modificou para sempre o tom da série, que abraçou de vez o surrealismo sem perder o foco na dinâmica familiar. Essa guinada foi essencial para transformar Os Simpsons num fenômeno cultural de décadas, algo que o site Salada de Cinema costuma reforçar em suas resenhas nostálgicas.
Entre “Monotrilho” e “Homer Vai para a Faculdade”, o público ganhou dois dos capítulos mais citados nas listas de melhores de todos os tempos. O primeiro brilha pela construção grandiosa e números musicais; o segundo seduz pela precisão de piadas, pela paródia de filmes universitários e pelo retrato perfeito de um Homer que falha para nosso deleite.
Se a discussão volta ou não à sala de roteiro, uma coisa é certa: “Homer Vai para a Faculdade” permanece como joia rara na televisão, prova de que vinte minutos bem escritos podem superar a nostalgia de um monotrilho cantado por toda Springfield.
Ficha técnica
Episódio: Homer Vai para a Faculdade (Homer Goes to College)
Temporada: 5, Episódio 3
Exibição: 14 de outubro de 1993
Roteiro: Conan O’Brien
Direção: Jim Reardon
Convidado musical: embrulhado em referências a The Pretenders
Duração: 22 minutos
Frase-chave usada: Homer Vai para a Faculdade


