Desde 2016, BLACKPINK domina paradas musicais e estádios lotados. Fora do palco, no entanto, o quarteto pula entre câmeras de cinema e sets de TV em busca de novos desafios.
Enquanto Rosé aguarda seu primeiro papel, Lisa, Jennie e Jisoo já testaram seu talento dramático em produções que variam do drama sombrio à comédia zumbi. A seguir, avaliamos — sem filtros nem empolgação de fã — como cada integrante se saiu diante das lentes.
The Idol: estreia de Jennie esbarra no roteiro pesado
Criação de Sam Levinson, The Idol chegou à HBO em 2023 cercado de expectativa. Além de Lily-Rose Depp e Abel “The Weeknd” Tesfaye, o elenco acolheu Jennie, creditada como Jennie Ruby Jane, na pele da dançarina Dyanne. O texto entregou cenas explícitas, questionamentos sobre consentimento e, no centro, a ascensão e queda de uma popstar.
Jennie recebeu talvez a missão mais ingrata do projeto: equilibrar carisma de amiga leal e frieza de antagonista oportunista. Seu arco, que serpenteia entre confidências e traições, rendeu os momentos de maior tensão da série. O problema? O roteiro insistiu em polêmicas gratuitas, provocando reação negativa do público e o cancelamento logo na primeira temporada. Mesmo assim, críticos apontaram a entrega física da artista, especialmente nas sequências de dança, como ponto alto.
Levinson, conhecido por explorar excessos juvenis, repetiu a fórmula e pagou o preço. A fotografia estilizada e a trilha pulsante não salvaram a narrativa fragmentada. Jennie, que poderia ter começado com um veículo mais sólido, terminou elogiada, mas presa a um produto que “queimou filme” antes do desfecho.
A estreia, contudo, escancarou potencial: se a artista encontrar roteiro menos sensacionalista, tende a surpreender em projetos futuros — algo que plataformas como a Prime Video, citada em séries com fôlego para durar, procuram com frequência.
Snowdrop: Jisoo enfrenta romance político e divide opiniões
Lançado em 2021, Snowdrop prometia revisitar 1987 e a tensão entre as Coreias por meio do romance de Eun Yeong-ro (Jisoo) e Lim Soo-ho (Jung Hae-in). A produção caprichou na trilha sonora e na fotografia, mas esbarrou em acusações de revisionismo histórico. Para muitos coreanos, a dor do passado foi tratada como mero pano de fundo.
Dentro desse contexto turbulento, a atuação de Jisoo ganhou olhares atentos. Ela manteve delicadeza em cenas íntimas, porém enfrentou críticas sobre a falta de química com o colega e a repetição de reações em momentos chave. Parte do problema recai sobre o roteiro, que alternou romance e conspiração política sem dar fôlego aos sentimentos do casal.
Direção e montagem valorizaram closes prolongados — ótima estratégia para destacar expressões sutis, mas arriscada quando o texto não sustenta a emoção. O resultado: fãs elogiaram a dedicação da cantora, enquanto espectadores casuais questionaram se o drama teria funcionado melhor com foco exclusivo no relacionamento.
A repercussão negativa não apagou méritos técnicos, tampouco ofuscou a coragem de Jisoo em enfrentar logo de cara um papel denso. Ainda assim, a série mostrou que, para realmente brilhar, ela precisa de histórias que ressaltem seu lado leve — algo que veremos a seguir.
Newtopia: comédia zumbi evidencia o timing cômico de Jisoo
Dois anos depois, Jisoo voltou à TV em Newtopia (2025). O contraste com Snowdrop é gritante: sai o melodrama histórico, entra a aventura nonsense em meio a hordas de mortos-vivos. Aqui, Kang Young-joo precisa ao mesmo tempo sobreviver ao apocalipse e resolver pendências amorosas com Lee Jae-yoon (Park Jeong-min).
O roteiro aposta em humor físico e situações absurdas, subgênero que já rendeu clássicos do cinema fantástico listados entre as séries de fantasia indicadas para quem curte aventuras adolescentes. Esse tom casa bem com a “personalidade 4D” da idol, famosa por ser espontânea nos bastidores do grupo. Resultado: as expressões faciais exageradas, antes criticadas, tornam-se ferramentas certeiras para a piada.
Imagem: Divulgação
Embora parte da imprensa especializada tenha torcido o nariz para a mistura de gêneros, Newtopia conquistou audiência que buscava algo fora da curva. A série não tenta competir com dramas apocalípticos “sérios”; abraça a galhofa e, justamente por isso, encontra frescor. Jisoo exibe evolução: timing, controle de voz e química com o parceiro de cena evidenciam aprendizado desde Snowdrop.
Entre corridas frenéticas e diálogos espirituosos, a direção aproveita planos abertos para destacar coreografias de luta coreografadas — homenagem discreta à bagagem de dançarina da atriz. O resultado diverte e, de quebra, sugere caminho promissor para futuros papéis em ação e aventura, gênero que a lista de produções cheias de adrenalina do Salada de Cinema vive celebrando.
The White Lotus: Lisa estreia com discrição e precisão
A terceira temporada de The White Lotus, ambientada na Tailândia, chegou em 2025 com expectativa estratosférica — e a curiosidade extra de ver Lisa, creditada como Lalisa Manobal, em sua primeira atuação. A cantora vive a especialista em bem-estar Thidapon “Mook” Sornsin, personagem secundária que se move pelos corredores luxuosos do resort.
Diferente das estreias de Jennie e Jisoo, Lisa assumiu posição de coadjuvante quase silenciosa. Essa escolha, longe de desperdiçar seu star power, evidenciou a capacidade de trabalhar com economia de gestos. Quando a trama pede, a artista conduz grupos de ioga com serenidade; quando o mistério ganha contornos sombrios, pequenos olhares sugerem cumplicidade ou perigo, sem necessidade de longos monólogos.
A temporada, conhecida pela atmosfera de “febre tropical”, mistura humor ácido, crítica social e reviravoltas. Nesse caldeirão, a atuação contida de Lisa funciona como porto seguro para o espectador. A famosa cena de dança, breve, mas hipnótica, relembra a potência rítmica da rapper, ao mesmo tempo em que serve ao enredo sem transformá-la em mero fan service.
Se houve críticas, vieram de quem desejava participação maior ou morte chocante. No entanto, a decisão de mantê-la nos bastidores ressalta maturidade rara em estreantes, lembrando que, às vezes, a grandeza está na sutileza — reflexão próxima ao que séries de ficção científica inovadoras, como as analisadas em obras que redefiniram a TV, alcançam ao subverter expectativas.
Vale a pena assistir às séries com membros do BLACKPINK?
Cada produção traz prós e contras. The Idol é vitrine do carisma de Jennie, mas exige estômago firme para temas espinhosos. Snowdrop apresenta Jisoo em papel dramático, porém tropeça em controvérsias históricas. Newtopia, por sua vez, diverte ao colocar a cantora em terreno cômico, revelando evolução clara. Já The White Lotus mostra Lisa ocupando espaço com elegância, reforçando a versatilidade do grupo.
Para quem acompanha BLACKPINK, as quatro séries funcionam quase como estudo de caso sobre como ídolos do K-pop migram para a atuação. Para o público geral, o peso da escolha recai no gênero: há desde o thriller sexual até a comédia zumbi. Entre altos e baixos, fica evidente que, quando o roteiro colabora, o talento das artistas aparece — e que as próximas investidas devem ser observadas de perto por quem consome cultura pop com olhar crítico.
No fim, Salada de Cinema segue atento: se novos projetos replicarem a aposta na combinação certa de personagem, direção e texto, veremos performances ainda mais afiadas vindas desse fenômeno global.



