GOAT chegou aos cinemas prometendo pouco mais do que uma fábula esportiva, mas saiu do fim de semana de estreia com status de fenômeno popular. A nova animação da Sony Pictures Animation conquistou 93 % de aprovação do público no Rotten Tomatoes, marca que pulveriza o recorde pessoal de Caleb McLaughlin, o eterno Lucas de Stranger Things.
Além do boca a boca positivo, a produção abriu com US$ 32 milhões no mercado doméstico, garantindo a segunda colocação na disputa contra estreias adultas e caríssimas. Para o ator principal – que deixou a série da Netflix há apenas dois meses – o longa já se configura como o projeto melhor avaliado de toda a carreira.
Enredo esportivo coloca cabra sonhadora no centro da ação
Baseado no livro Funky Dunks, de Chris Tougas, GOAT acompanha Will, uma pequena cabra que sonha em se tornar astro do “roarball”, modalidade fictícia que mistura basquete e futebol americano. O roteiro de Aaron Buchsbaum, Teddy Riley e Nicolas Curcio acerta ao transformar a clássica história de azarão em um turbilhão de cores, piadas rápidas e lições sobre persistência.
Com apenas 93 minutos, o filme mantém ritmo acelerado e nunca perde de vista o público-alvo familiar. A certificação PG ajudou a animação a ocupar o espaço deixado por estreias adultas na mesma semana, caso do suspense Criminal Crime 101, que chegou com classificação R e desempenho abaixo do previsto – situação analisada no Salada de Cinema na matéria sobre a bilheteria de Crime 101.
Vozes conhecidas brilham: McLaughlin e companhia
Caleb McLaughlin dubla Will com uma mistura precisa de ingenuidade e autoconfiança, contraste que já chamava atenção em Stranger Things. A recepção escancarada do público – 93 % no Popcornmeter – supera os 83 % obtidos pela própria série no mesmo site. Para o jovem astro, isso significa o topo absoluto de sua filmografia, passando à frente de The Book of Clarence, antes recordista com 80 % de aceitação.
O elenco de vozes ainda traz Gabrielle Union no papel da treinadora Jett Fillmore, Aaron Pierre como o antagonista relutante, Nicola Coughlan em participação cômica e David Harbour, parceiro de McLaughlin nos tempos de Hawkins, emprestando gravidade ao veterano Coach Grizz. A química entre Union e McLaughlin é o eixo emocional da trama e explica boa parte do entusiasmo dos críticos, que concederam 80 % de aprovação.
Direção de Tyree Dillihay e roteiro equilibram humor e emoção
Responsável por episódios de Bob’s Burgers, Tyree Dillihay estreia em longas-metragens demonstrando domínio total sobre timing cômico. As sequências de treino de Will misturam velocidade, cortes curtos e gags visuais que lembram clássicos noventistas como Space Jam, sem depender de nostalgia para funcionar.
Imagem: Divulgação
O design de produção aposta em cores vibrantes e texturas que simulam giz de cera, reforçando a atmosfera de livro infantil. Esse acabamento visual foi destacado em praticamente todas as resenhas positivas e ajuda a explicar a nota sólida entre os especialistas. Para quem acompanha a cinematografia da Sony Pictures Animation, a estética representa um ponto fora da curva quando comparada ao realismo estilizado de Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, último título do estúdio a chegar aos cinemas em 2023.
Estreia nas bilheterias e impacto dos índices do Rotten Tomatoes
Com orçamento na faixa de US$ 80 a 90 milhões, GOAT iniciou trajetória em segundo lugar, perdendo apenas para O Morro dos Ventos Uivantes, épico romântico que arrecadou US$ 40 milhões e foi analisado na crítica do Salada de Cinema sobre a nova adaptação de Emerald Fennell. O fato de as concorrentes principais possuírem classificação indicativa mais alta colaborou para concentrar famílias na sala onde a pequena cabra joga roarball.
O histórico do estúdio mostra hiato de três anos entre lançamentos teatrais. Nesse intervalo, animações como KPop Demon Hunters e Fixed foram direto para a Netflix, experimentando bons números de streaming. Agora, a volta às telonas parece justificada pela recepção popular. Caso mantenha a queda controlada nas próximas semanas, GOAT pode recuperar o investimento sem depender de prateleiras digitais, cenário observado de perto por executivos em meio às negociações que balançam a indústria, como o recente acordo entre Warner e Netflix contestado pela Paramount.
Vale a pena assistir a GOAT?
Para quem procura uma história de superação simples, conduzida por vozes carismáticas e produção visual inventiva, GOAT entrega exatamente o que promete. O longa reforça o talento vocal de Caleb McLaughlin, celebra o reencontro com David Harbour e dá a Gabrielle Union um dos papéis mais queridos de sua carreira. A mistura de humor, esporte e mensagem positiva explica o índice recorde de aprovação do público e coloca a animação como forte candidata a novo clássico do estúdio.



