Lançado em 2010 com elenco de estrelas e orçamento robusto, Esquadrão Classe A (The A-Team) pretendia modernizar a série oitentista e abrir caminho para uma nova franquia de ação. A aposta, porém, parou na primeira curva. Com US$ 110 milhões investidos e US$ 177 milhões arrecadados mundialmente, o filme foi rotulado como decepção financeira e sepultou qualquer conversa sobre continuações.
Quinze anos depois, o diretor Joe Carnahan revisita o projeto e aponta o dedo para a campanha publicitária. Em entrevista de retrospectiva à revista Empire, ele afirmou que “bagunçamos o marketing” e garantiu que a história tinha fôlego para três filmes. A seguir, analisamos a performance do elenco, as escolhas narrativas e o que deu (ou não) certo nessa aventura explosiva.
Elenco comandado por Liam Neeson brilha na dinâmica de equipe
No papel do estrategista coronel Hannibal Smith, Liam Neeson traz a mesma presença autoritária vista em Suspense e Busca Implacável, mas com um toque mais leve. Sua química com Bradley Cooper, que interpreta o charmoso Tenente Templeton “Face” Peck, garante momentos de camaradagem que remetem ao espírito da série original.
Outro destaque vai para Quinton “Rampage” Jackson. Mesmo sem formação prévia em atuação, o ex-campeão do UFC assume a difícil tarefa de substituir Mr. T como B. A. Baracus e entrega carisma surpreendente, elogiado publicamente por Carnahan. Já Sharlto Copley abraça a insanidade controlada do piloto Murdock com evidente prazer, completando um quarteto cuja interação é, para muitos fãs, a melhor parte do longa.
Roteiro frenético troca humor por barulho e divide crítica
Carnahan escreveu o roteiro ao lado de Brian Bloom e Skip Woods, adaptando a premissa para a Guerra do Iraque. A narrativa apresenta o grupo sendo incriminado, fugindo da prisão e tentando limpar o próprio nome, numa sequência quase ininterrupta de tiroteios, explosões e planos mirabolantes.
A crítica especializada, no entanto, reclamou que a atualização sacrificou o tom irreverente da TV em favor de ação caótica. O resultado foi um Rotten Tomatoes com 48 % de aprovação de jornalistas contra 66 % do público. A percepção de confusão narrativa acabou afastando espectadores que buscavam a mesma leveza que fez sucesso nos anos 80.
Marketing falhou ao comunicar identidade do filme, diz Carnahan
Para o diretor, o maior tropeço não aconteceu na tela, mas fora dela. Ele declara que a campanha divulgou o título como “mais um blockbuster barulhento”, sem ressaltar a química entre atores e o humor de quartel que, segundo ele, aproximava o projeto de um “filme de super-herói”.
Imagem: Divulgação
Essa autocrítica ecoa em Hollywood, onde erros de posicionamento já condenaram produções de alto orçamento – fenômeno que o Salada de Cinema acompanhou recentemente quando Bob Odenkirk discutiu o futuro de Nobody 3 com a Universal. No caso de Esquadrão Classe A, materiais promocionais focados unicamente na pirotecnia podem ter afastado quem buscava nostalgia e leveza.
Planos de trilogia evaporam, mas legado ainda repercute
Com a bilheteria aquém das expectativas, o estúdio engavetou as sequências. Carnahan lamenta: “Deveríamos ter feito três desses”. Ainda assim, o cineasta recuperou fôlego dirigindo a ação acelerada de Boss Level e Copshop, provando que sua assinatura energética continua requisitada.
Já o elenco partiu para projetos variados: Neeson consolidou seu reinado no gênero de vingança, Cooper entrou na corrida do Oscar com O Lado Bom da Vida, e Copley seguiu parceiro de efeitos práticos em ficções como Elysium. A ideia de ressuscitar a franquia jamais foi totalmente descartada – Hollywood adora um retorno, como mostra a recente movimentação em Star Wars sob nova liderança.
Vale a pena assistir Esquadrão Classe A hoje?
Para quem procura entretenimento direto, perseguições aéreas absurdas e um quarteto de protagonistas carismáticos, o filme ainda entrega diversão consistente. A experiência fica mais completa se o espectador souber que a proposta era leve, quase cartunesca, apesar da embalagem de mega blockbuster. Mesmo sem a continuação prometida, a produção de 117 minutos segue como curiosidade pop: um projeto ambicioso que ensinou, da forma mais cara possível, a importância de uma boa estratégia de marketing.



