A Netflix abriu o cofre para realizar As Aventuras de Cliff Booth (The Adventures of Cliff Booth), continuação direta de Era Uma Vez em… Hollywood. O projeto une novamente Quentin Tarantino — agora apenas como roteirista — e Brad Pitt, mas troca o comando de set pelo olhar meticuloso de David Fincher.
Além da troca de direção, chamam atenção os valores pagos às principais estrelas. Um novo relatório indica que quase metade do orçamento total, estimado em US$ 200 milhões, foi reservada apenas para Pitt, Tarantino e Fincher. A plataforma de streaming aposta alto no prestígio do trio para repetir o impacto cultural que o filme original alcançou em 2019.
Pagamentos de estrelas e criativos concentram 40% do orçamento
Segundo fontes ouvidas pelo site Puck, Brad Pitt embolsa US$ 40 milhões pelo retorno ao papel do dublê Cliff Booth, valor que inclui tanto atuação quanto produção. Já David Fincher garante US$ 20 milhões para dirigir, enquanto Quentin Tarantino recebe quantia superior a US$ 20 milhões pela licença de um único filme baseado em seu roteiro.
Somados, esses três cheques respondem por cerca de US$ 80 milhões, ou 40% da verba total. Para efeito de comparação, Era Uma Vez em… Hollywood custou US$ 90 milhões inteiros, rendendo US$ 377 milhões nas bilheterias globais e dez indicações ao Oscar. A escalada de custos coloca a nova produção entre os projetos mais caros da Netflix.
Estratégia financeira da Netflix vai além do cinema
Com um investimento tão alto, um lançamento tradicional precisaria arrecadar aproximadamente US$ 500 milhões para dar lucro, número distante até de sucessos recentes nos cinemas. A gigante do streaming, porém, avalia rentabilidade de forma diferente: planeja uma passagem limitada por salas para qualificação a prêmios e, em seguida, aposta na audiência global em casa.
A metodologia já funcionou com outros títulos da plataforma que, embora não tenham quebrado recordes de bilheteria, viraram fenômenos de audiência assim que ficaram disponíveis para os assinantes. Essa dinâmica também serve de amortecedor para eventuais riscos, algo que outros estúdios sentiram na pele ao lidar com orçamentos inflados — basta lembrar como a queda de receitas prejudicou franquias como Meg.
Mudança de estilo: Fincher assume o volante deixado por Tarantino
Se Tarantino é reconhecido pelos diálogos afiados e pela mistura de humor e violência, David Fincher construiu carreira em thrillers psicológicos como Clube da Luta, Seven e Perdida. A união desses dois criadores desperta curiosidade: Fincher dirige a partir de um roteiro tarantinesco ambientado nos bastidores de Hollywood dos anos 1970.
A combinação promete contraste interessante: a verve frenética de Tarantino filtrada pelo rigor visual de Fincher. Mesmo com olhares distintos, ambos compartilham apreço por detalhes de cena e construção de personagens, o que pode garantir identidade própria sem abandonar o carisma que rendeu a Brad Pitt seu Oscar de ator coadjuvante em 2020.
Imagem: Divulgação
Elenco de peso reforça legado de Brad Pitt
Além de Pitt, o longa conta com Timothy Olyphant, Carla Gugino, Elizabeth Debicki e Yahya Abdul-Mateen II. Embora não tenham valores divulgados, esses intérpretes certamente elevam a folha de pagamento do projeto. O retorno de Olyphant, por exemplo, reforça a ligação com o universo criado em Era Uma Vez em… Hollywood.
Dentro da narrativa, Cliff Booth encara um novo trabalho como dublê em plena efervescência da década de 1970. O fenômeno cult do personagem, impulsionado pela química de Pitt com Leonardo DiCaprio no filme anterior, sustenta a aposta da Netflix de que o público queira revisitar aquele universo. O histórico recente de lançamentos com grandes nomes, como o caso de Project Hail Mary que manteve boa retenção na segunda semana (confira aqui), reforça essa confiança.
Vale a pena ficar de olho em As Aventuras de Cliff Booth?
Para quem acompanha o Salada de Cinema, o novo título já nasce com pedigree: roteiro assinado por Tarantino, direção de Fincher e atuação de Pitt no auge de sua maturidade artística. Mesmo sem imagens oficiais divulgadas, o trio carrega histórico de trabalhos que marcaram a cultura pop e renderam múltiplas estatuetas.
Do ponto de vista financeiro, o filme simboliza a disposição da Netflix em desembolsar quantias robustas para manter relevância entre cinéfilos e prêmios. O orçamento de US$ 200 milhões chega a rivalizar com produções de super-herói, mas a plataforma confia que o engajamento digital compensará a aposta.
A estreia está marcada para agosto de 2026, primeiro nos cinemas em circuito limitado e, na sequência, no catálogo global. Até lá, resta acompanhar novidades sobre bastidores, eventuais trailers e, claro, observar se o encontro entre Tarantino e Fincher resultará em um espetáculo digno do hype que já cerca As Aventuras de Cliff Booth.



