A pausa nas gravações de Landman deixou muitos fãs de Billy Bob Thornton órfãos de novos episódios, mas o vazio deve durar pouco. A partir de 1º de fevereiro, Bad News Bears, remake da clássica comédia esportiva de 1976, estará disponível no Paramount+, criando um ponto de encontro perfeito para quem acompanha a carreira do ator.
Lançado em 2005 e dirigido por Richard Linklater, o longa não brilhou nas bilheterias à época, porém conquistou status de cult com o passar dos anos. O retorno ao streaming acende novamente o debate sobre as performances do elenco e o olhar afiado do cineasta texano.
O retorno de Bad News Bears ao streaming
A comédia chegará ao catálogo do Paramount+ exatamente 20 anos após sua estreia nos cinemas, período em que transitou por diferentes plataformas. Hoje, pode ser vista no Prime Video e também no serviço gratuito Hoopla; em breve, ganha residência fixa na plataforma que exibe Landman.
A movimentação é estratégica. A segunda temporada da série de Taylor Sheridan encerrou recentemente com audiência recorde na plataforma, e a produção da terceira ainda não começou. Colocar Bad News Bears à disposição ajuda a manter Billy Bob Thornton em evidência enquanto o cronograma de Landman não é definido.
Atuação de Billy Bob Thornton e elenco coadjuvante
Thornton vive Morris Buttermaker, ex-jogador de beisebol decadente que aceita treinar um time infantil cheio de limitações. O ator adota um humor ácido, próximo ao visto em Bad Santa, que lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro. Mesmo quando o roteiro flerta com clichês, ele injeta carisma suficiente para evitar caricaturas.
O elenco de apoio sustenta o ritmo. Greg Kinnear interpreta o treinador rival, trazendo arrogância contida que contrapõe o deboche de Buttermaker. Marcia Gay Harden aparece pouco, mas acrescenta gravidade como a advogada que representa os interesses jurídicos do time. A jovem Sammi Kane Kraft, descoberta no beisebol amador, traz autenticidade ao papel de Amanda, reforçando a química do grupo.
Direção de Richard Linklater e construção do roteiro
Linklater, indicado ao Oscar cinco vezes, imprime marca pessoal ao longa. Ele mantém a estrutura narrativa do original de 1976, mas adiciona diálogos mais ágeis e observações sociais típicas de seu cinema. O roteiro, escrito por Bill Lancaster e revisado pela dupla Glenn Ficarra e John Requa, mescla sarcasmo e comentários sobre parentalidade, sem perder o foco no beisebol.
Apesar do pedigree criativo, Bad News Bears recebeu 48% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes e apenas 46% do público, resultado refletido na bilheteria: US$ 34,3 milhões contra um orçamento estimado em US$ 35 milhões. Mesmo assim, sessões na TV a cabo e replays em plataformas ajudaram a consolidar a reputação de filme “para descobrir” anos depois.
Imagem: Divulgação
De fracasso comercial a filme cult
Sindicâncias televisivas noturnas e maratonas esportivas fomentaram o interesse tardio pela produção. Um episódio peculiar contribuiu para a mitologia: um time de ligas menores em Los Angeles recebeu doação de um clube de strip-tease para se manter em campo, ecoando a irreverência do roteiro.
A presença de outros títulos protagonizados por Thornton no Paramount+, como a comédia de guerra Whiskey Tango Foxtrot e o thriller de ação Eagle Eye, reforça a tendência de o serviço se tornar casa natural do ator. Estratégia semelhante já foi vista quando Cloverfield encontrou novo lar no streaming, reacendendo discussões sobre o elenco.
Além disso, o público que acompanha blockbusters no site Salada de Cinema pode enxergar no retorno de Bad News Bears um contraponto leve ao clima mais sério de grandes franquias. A movimentação também dialoga com debates recentes sobre continuações, como o caso de Wanted 2, que depende do desempenho de Mercy.
Vale a pena assistir Bad News Bears hoje?
Para quem procura rever Billy Bob Thornton em um papel cômico recheado de ironia, o filme continua relevante. O contraste entre humor adulto e universo infantil provoca momentos de desconforto bem-vindos, amparados pela direção segura de Linklater.
Aos fãs de beisebol, a produção acerta na representação das partidas, valorizando erros e acertos dos jovens jogadores sem glamour excessivo. Já os admiradores de Greg Kinnear encontram um antagonista competitivo e crível, suficiente para alimentar a rivalidade central.
Com 113 minutos de duração e classificação indicativa PG-13, Bad News Bears se sustenta como entretenimento despretensioso. A chegada ao Paramount+ oferece oportunidade prática para medir o quanto a obra envelheceu — ou melhorou — desde 2005.



