Uma ilustração divulgada nas redes sociais devolveu aos fãs da franquia Tron um personagem que nunca chegou às telas. Cillian Murphy, que apareceu brevemente em Tron: Legacy (2010) como Edward Dillinger Jr., surge na nova arte conceitual vestindo o icônico traje de Sark, vilão do clássico de 1982.
A imagem foi criada pelo artista Phil Saunders a pedido do designer de produção Darren Gilford, ainda durante o desenvolvimento de Legacy. O objetivo, segundo Saunders, era seduzir o astro de Peaky Blinders a retomar o papel na continuação Tron: Ares, marcada para 2025, mas o plano acabou abandonado.
Conceito visual expõe o “novo Sark” de Murphy
No esboço, Murphy recebe um figurino inspirado no design original de Moebius para Sark, mantendo as linhas luminosas e o capacete agressivo, mas com ajustes contemporâneos. A composição reforça a ideia de herança: Dillinger Jr. seguiria os passos do pai, Ed Dillinger, antagonista vivido por David Warner no filme de 1982.
Embora limitado a uma participação relâmpago em Legacy, o ator entregou um Dillinger Jr. calculista e pronto para ascender dentro da ENCOM. O traje de Sark, portanto, serviria como tradução visual desse apetite de poder. O material, porém, permaneceu na gaveta quando a equipe decidiu mudar a rota narrativa.
Diretor explica ausência do personagem em Tron: Ares
Joachim Rønning, que assume a direção de Tron: Ares, justificou a exclusão do executivo da ENCOM: a nova história pretende avançar sem depender de fan service. Segundo ele, alguns intérpretes também optaram por não regressar, e o roteiro escrito por Jesse Wigutow encontrou equilíbrio apostando em figuras inéditas.
Na prática, a decisão libera espaço para Julian Dillinger, neto do primeiro vilão, vivido por Evan Peters. Durante o clímax do filme, Julian vestirá justamente o traje de Sark, ideal de poder inicialmente pensado para Murphy. A troca mantém o simbolismo do figurino e conecta gerações sem recorrer ao mesmíssimo rosto.
A visão de Rønning e dos roteiristas para o futuro da franquia
Ao priorizar um enredo que coloca uma inteligência artificial do Grid no mundo real, Tron: Ares ajusta o foco para o impacto da tecnologia fora do ambiente digital. A abordagem amplia a escala dramática, algo que o roteiro de Wigutow — em colaboração com veteranos como Steven Lisberger e Bonnie MacBird — leva adiante.
Imagem: John Rainford
Com 119 minutos previstos, o longa promete alternar ação e aventura sci-fi sem perder o DNA visual da série. A arte de Saunders é um lembrete de como escolhas de bastidores moldam esse DNA: um simples figurino poderia amarrar Legacy e Ares, mas a produção preferiu correr riscos. Esse tipo de mudança também acontece em outros projetos de continuação; basta lembrar de Face/Off 2, cujo desenvolvimento mudou de rumo após a saída de Adam Wingard, como noticiado pelo Salada de Cinema.
Elenco renovado reforça o equilíbrio entre nostalgia e novidade
Além de Peters, Tron: Ares traz Jared Leto no papel-título, Greta Lee, Jodie Turner-Smith, Hasan Minhaj, Arturo Castro e Gillian Anderson. Jeff Bridges volta como Kevin Flynn, oferecendo a dose necessária de continuidade para o público veterano.
O nome de Cillian Murphy não aparece nos créditos finais, mas sua associação à franquia permanece forte, impulsionada por sucessos recentes do ator e pela popularidade de Thomas Shelby — personagem que retorna no derivado Peaky Blinders: O Homem Imortal. Mesmo fora de quadro, a arte divulgada faz o público imaginar como seria ver o irlandês contracenando com Leto dentro do universo neon.
Tron: Ares vale a pena?
A julgar pelas informações oficiais, Tron: Ares busca expandir a mitologia sem replicar tramas antigas. A ausência de Murphy pode decepcionar alguns fãs, mas o elenco diversificado, a proposta de explorar IA no mundo real e o retorno de Bridges formam um pacote atraente para espectadores de longa data e novatos. Se a arte conceitual desperta curiosidade, o longa completo tem potencial para entregar uma experiência que honra o legado e, ao mesmo tempo, avança em terreno inexplorado.



