O documentário Melania, lançado em 30 de janeiro de 2026, teve sua curta passagem pelo Lake Theater & Café, no Oregon, interrompida depois que piadas no letreiro do cinema irritaram a Amazon MGM. A decisão agrava o clima de controvérsia que já cercava o projeto desde a contratação de Brett Ratner, afastado de Hollywood por acusações de abuso.
Com apenas 5% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma bilheteria inicial de US$ 8 milhões — aquém dos US$ 75 milhões investidos em produção e marketing — o longa tenta sobreviver em cartaz enquanto enfrenta críticas severas à narrativa e à representação do casal presidencial.
Piadas viram combustível para a retirada do filme
O Lake Theater & Café, conhecido por letreiros irreverentes, exibiu frases como “Para vencer o inimigo, conheça-o. Melania estreia sexta” e “Melania usa Prada?”. A abordagem bem-humorada desagradou à distribuidora, que exigiu o fim das sessões no domingo seguinte à estreia local.
Segundo o gerente Jordan Perry, a casa vendeu apenas US$ 196 em ingressos no fim de semana. Ele admitiu que planejava limitar a exibição a uma única semana, já que o público de Lake Oswego demonstrou forte rejeição ao título. Após o cancelamento, o letreiro passou a ironizar a própria situação: “Amazon ligou. Nosso letreiro irritou. Sessões de Melania canceladas. Mostre apoio no Whole Foods”.
Direção de Brett Ratner tenta apostar no efeito reality-show
De volta aos holofotes depois de quase uma década, Brett Ratner investe em uma montagem que alterna bastidores do Salão Oval, eventos oficiais e depoimentos íntimos de Melania Trump. A proposta recria um clima de reality show, mas sem a espontaneidade que tornou fenômenos similares atrativos para o público.
O resultado é um ritmo irregular. Sequências extensas de desfiles diplomáticos contradizem momentos de tensão doméstica, sem que a montagem cria um arco dramático nítido. Ratner se apoia em edição dinâmica, mas carece de um fio condutor que sustente a curiosidade do espectador além do voyeurismo político.
Presenças de Donald e Melania Trump dominam a tela, mas oferecem pouco frescor
Por se tratar de um documentário, não há atores interpretando papéis, e sim o casal presidencial em cenas reais. A câmera insiste em close-ups de Melania, enfatizando olhares e silêncios que, em tese, revelariam conflitos internos. No entanto, a ausência de entrevistas aprofundadas impede que esses momentos ganhem densidade dramática.
Donald Trump aparece como coadjuvante de luxo, repetindo discursos de campanha e comentários sobre a cerimônia de posse de 2025. A falta de contraditório torna as falas previsíveis, desidratando a energia que poderia impulsionar o filme. Embora o material seja farto, a narrativa não se aprofunda em temas como imagem pública, construção de poder ou impacto midiático.

Imagem: Divulgação
Bilheteria inicial recorde para documentário não compensa o investimento
Com US$ 8 milhões nos primeiros dias, Melania quebrou um recorde de abertura para documentários. Ainda assim, o número está longe de cobrir o orçamento de US$ 40 milhões e outros US$ 35 milhões destinados à divulgação. A reação morna de críticos e espectadores já coloca o título entre os potenciais fracassos de 2026.
O quadro contrasta com o desempenho de produções mais modestas que encontraram público nichado, como Send Help, terror de Sam Raimi que vem dominando as salas neste início de ano — caso relatado pelo Salada de Cinema. A estratégia de marketing agressivo não foi suficiente para converter curiosidade em ingressos, sugerindo que o público se mostrou resistente a um filme visto como peça de autopromoção.
Vale a pena assistir a Melania?
Para espectadores interessados nos bastidores da política norte-americana, Melania oferece acesso privilegiado a cerimônias, bastidores da Casa Branca e momentos de bastidores que raramente chegam ao grande público. A presença constante da primeira-dama confere autenticidade visual, reforçada por fotografia nítida e trilha discreta.
Entretanto, a narrativa pouco questiona as ações retratadas, limitando-se a registrar cenas. A ausência de múltiplas vozes restringe a profundidade da análise política, e a montagem linear pode soar cansativa para quem busca reflexão mais ampla sobre poder e imagem.
Portanto, Melania funciona melhor como registro histórico do que como investigação crítica. A curiosidade sobre a vida privada do casal Trump pode fisgar parte do público, mas a produção não entrega o frescor que um título com esse investimento financeiro poderia oferecer.




